sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

escalada solidária

sem noção de espaço; do meu almejado
lugar
continuo na senda da arcada do prometido. questionando
o medo. o amanhã
e a noite intensa

materiais que se arruínam em mim
num intervalo preciso: fado
no olhar
de uma cidade cimentada com música nos bolsos!

demasiado comum olhar a lua
sem noção do espaço inerte
onde está o meu lugar.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Posicionamentos e atitude

Já não é a primeira vez que me cruzo nas ruas da cidade de Guimarães com pessoas – umas mais próximas do que outras, mas todas minhas conhecidas – que se me dirigem dizendo que leem sempre o que vou escrevendo só que (há sempre "um só que!" nestas coisas) não me entendem.


Quando pergunto se tem e ver com conteúdo ou objetividade das minhas palavras a é resposta é clara:
– Ah!, nada disso; percebe-se bem.


Claro que perante palavras destas não só a minha dúvida aumenta como cresce a minha raiva.
– Então o que é que não se entende?
– Ah!... sabes… é o teu posicionamento.


Aí fico sem dúvidas e a conversa morre ou o tema passa a ser outro, no caso das pessoas que prezo.
Porquê? Era o que faltava eu ter de parar de dar largas ao pensamento – seja lá isso o que for! Afinal sempre me dei bem a pensar por mim. Dá trabalho? Não, nenhum. Apenas exige atitude. Responsabilidade. Simplicidade no olhar. Ah! E integridade.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Respeitar o silêncio

Não é por nada, mas às vezes – cada vez mais, aliás! –, sabe muito bem olhar para aqueles que nos ensinam a pensar ou nos dão pistas para que o pensamento não hiberne.
Desses – e cito de cor e sem sublinhar o nome do seu dono – escrevo estas palavras: “o poder é terrível, mas aqueles que abusam do poder são mais terríveis ainda”.
Ups!, que palavras atualíssimas!; fundamentais para sermos capazes de enformar os olhares podermos em volta. Palavras à medida – parecem uma luva a encaixar numa mão vazia! – dos dias que correm.

É por isso que sabe bem ir olhando (também) para dentro. Para o silêncio.

Para ver o que está para além de nós. E dos filtros que nos vão tentando colocar em frente dos olhos. E, caramba!, são tantos, tantos que, por vezes, até nos esquecemos de que há mais vida para além da estupidez, da vaidade e do brilho de uma tarjeta de vinil ou de plástico.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

também eu me confesso

o dia cai sobre ti! amanhã é domingo
e eu estou só. outra vez! não é normal
mata-me! estou a precisar de morrer.

as horas; a solidão. o copo vazio
o corpo estendido. continua a ser bom!
mata-me! outra vez. continua
a ser bom não agitar as mãos
com o microfone do tempo nas mãos
mata-me, outra vez! o dia cai

detesto a noite. odeio a tua ausência
uma ausência esbarrada na aproximação
de ideias que criam proximidades
sempre pintadas de olhares jovens. avançar?
o dia cai sobre ti! como sempre estou só. só eu!
amanhã – diz o poeta – morrerei.
o dia cairá sobre ti. amanhã morrerei.
contra o tempo a passar. mata-me
já. há muito que estou a precisar de morrer.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Nem longe nem perto demais

Há, por aí, por todo o lado – mesmo que por esse lado também se respire naturalmente e sem ajudas externas (nem que sejam escafandros de respiração à superfície) –  infelizmente!, uns parvalhões que acham (coitados!, nem sabem como sofrem de cegueira!) que os encontros de pessoas que pensam, espaços de reflexão, tertúlias ou chame-se-lhe o que quiser (desde que o pensamento possa circular e a troca de ideias seja uma realidade) só são espaços de idolatria, endeusamento ou algo parecido a bajulação. Como os que eles gostam de estar; gostam de estar, só. Coitados!
Há, felizmente!, uma imensa minoria que sabe pensar, agir e conversar sem esses hipotéticos donos da verdade por perto; esses perdedores da realidade; sempre disponíveis a serem derrotados por narcisismos.
Olhar para parvalhões deste calibre leva-me sempre – memórias adentro – até às palavras sábias do meu pai: “ó filho tu nunca te metas onde há gente que tem um umbigo maior do que a realidade que nos mata!”.
Já não posso confrontar o meu pai com estas suas palavras verdadeiramente atuais, mas que elas não me saem da cabeça nos tempos que correm, não.
É que o que elas transmitem é cada vez mais urgente. Em tantos sítios. Ao pé da porta, mais à frente, do outro lado da rua… em tantos, tantos lados.