domingo, 26 de janeiro de 2014

Palavras certeiras



foto:agencia.ecclesia.pt

O que gastamos em ciência é investimento e é sempre bom investir. (…) Cedo ou tarde, Portugal terá de investir em ciência, consumindo menos ciência.
Daniel Bessa, Expresso, 14.01.25

José Cordeiro, que já esteve em Braga como bispo auxiliar, é desde 2011, o bispo mais jovem do episcopado português na diocese de Bragança-Mirandela.

Há muito que me habituei a olhar com atenção para a forma como olha, observa e age. É a mesma pessoa que sai do conforto de casa episcopal para percorrer a sua diocese, uma região cada vez mais deserta e sofredora, para ver e estar de perto das dores das pessoas.

Agora o bispo bragantino veio a público alertar para a estúpida estupidez que são os cortes na ciência; na educação. E não tem medo das palavras: “estamos a decapitar o melhor que temos em Portugal, depois lamentamo-nos e a fatura vem aí de seguida”. Ou “as universidades não podem ser só para o ensino, têm de ser também para a investigação”.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Homem de coragem

foto: sicnoticias.sapo.pt

Francisco Goiana da Silva é um visionário. Um teimoso que luta pelo que acredita. E um homem de fé.
Este médico, natural de Santo Tirso e com 24 anos de idade foi o único português que esteve no Fórum Económico Mundial que decorre em Davos, na Suíça, e termina hoje.

Porquê?
Porque tem uma certeza, como se escreve na Revista de hoje: o Sistema Nacional de Saúde (SNS) é uma das histórias de maior sucesso que Portugal construiu em democracia.

Que pena este jovem médico estar tão sozinho!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Lugar à janela

Gosto da iniciativa que a CP lançou.
Gosto mesmo deste lugar à janela.
É que a viagem de comboio é tão bela, tão bela que até nos esquecemos do que se passa à nossa volta, seja dentro da carruagem, seja dentro da nossa cabeça sempre agitada.

Pena é que o dia 31 é já amanhã e há tantas histórias entre Guimarães e o Porto…

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

arqueologia do trauma

sabes? temos pouca fé em
nós mesmos; a riqueza que nos faz mover.
temos de ser iluminados. abrir portões
na paisagem da crise.

(cala a boca, monte de lixo!)

conseguir ver através dos olhos
do inimigo é primordial e a mentalidade
azeda sempre foi comédia de anos, sabes?

há telhados por terra. paredes tombadas; ressequidas
à beira da estrada. não brinques nunca
com quem não conheces; não brinques
sabes que tens pouca fé, pois sabes?

(cala a boca, monte de lixo!)

a imaginação é uma vertigem e o seu atlas
o local onde perdemos tudo; mesmo
a noção precária do desejo, sabes
esqueleto fora do corpo?

ainda queres que me cale?

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

"Portugal tem um mundo de gente oprimida"



O cristão… onde é que estão os cristãos. Eu ouvi o Paulo Portas falar das reformas e dos salários, como se o tema fosse este: nós temos de nos lembrar que somos democratas cristãos.
Januário Torgal, i, 14.01.18
foto:dinheirovivo.pt
1. Januário Torgal, que se retirou em outubro passado das funções de bispo das forças armadas portuguesas, muito embora o novo titular ainda não tenha tomado posse (apesar de nomeado há tempos), continua igual a si mesmo: frontal – talvez polémico –, serenamente pronto a agitar consciências e a por o dedo em muitas feridas. E o seu olhar estende-se com acutilância para o que o rodeia; seja em que dimensão for.
Na entrevista a Rosa Ramos, publicada no jornal i (14.01.18), e olhando para a situação social e política de Portugal, entra a matar: “os cristãos do CDS sentem-se muito envergonhados“.

Vincando que acredita “cada vez mais na liberdade”, o que não significa acreditar “nas deformações da democracia em que vivemos”, o bispo Januário é perentório: “o grande erro deste governo é um erro ético, de incapacidade, de tentativa de salvação de uma situação criada ao longo de vários anos”. Daí que não duvide que “a grande derrota deste governo é que entrou no facilitismo total de arranjar dinheiro. É muito simples: eu tenho uns escravos a quem exigir. Eles pagam! E se não pagam vão pagar lá fora, fogem daqui”.
E pergunte: “como se explica que a dívida pública tenha crescido? Como é que eles, no governo, continuam a insistir na história de Adão e Eva para explicar a origem do mundo?”.

2. Depois de olhar para a realidade politica, e muita embora esta esteja intimamente ligada à social, Januário, deita o seu olhar para a realidade social. É que “cada vez mais, é preciso atravessar a sociedade com um grande sentido de liberdade perante pressões, perante a verdade e a solicitação de fama, dinheiro e de prestígio”. Por isso, sublinha claramente: “ser livre também é conseguir ver-se desprendido em relação ao retrato que nos traçam”.
Já no que concerne aos últimos números do desemprego no nosso país esta sua afirmação diz bem do que lhe vai na alma: “é quase uma infâmia proclamar a alguém que está com cancro, insuflando-lhe uma espécie de esperança, que hoje o cancro se cura. As pessoas querem é que o seu cancro seja curado”.

Hoje Portugal tem um mundo de gente oprimida, abandonada, revoltada. O governo precisa de abrir os olhos”, diz-nos o anterior bispo das forças armadas portuguesas.

3. Ainda na sua análise sobre a realidade politica do nosso país, não deixa de ser curiosa esta pergunta: “porque é que se voltam para o partido socialista e lhe atribuem as culpas?”.