segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
domingo, 19 de janeiro de 2014
Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra
A religião é uma das grandes dimensões mentais e culturais dos seres humanos.
Bento Domigues
O sempre incómodo Bento Domigues, na sua habitual coluna semanal (escreve aos domingos) no jornal Público agita sempre os instalados na igreja a que pertence. Tenham eles a patente – é forte?, parece tantas vezes que há hierarquias da pior espécie militar – que tiverem.
No domingo, dia 12, escreve um excelente texto onde, onde além de mostrar um pequeno percurso da “divinal” relação dos clérigos cristãos com a igreja com sede no Vaticano, põe o dedo em feridas bem atuais. Desde logo, aquela que mais dores causou no catolicismo do sul da Europa, a começar pela arquidiocese bracarense: “o papa perdeu a devoção aos monsenhores. Pobres daqueles que se julgavam na calha!”.
Não há nenhum exagero de Bento Domingues, apenas exceções. Há instalados à volta das dioceses que são piores que os políticos nascidos nas jotas.
Mas, pessoalmente, a afirmação que mais registo do teólogo dominicano é esta: “a sensibilidade cristã dos fiéis não é só de homens. As mulheres são sempre esquecidas”.
Como estou de cordo com este ponto de vista de Bento Domigues. E não é só por sublinhar que o Concilio Vaticano II “alterou profundamente as conceções eclesiológicas que justificam o autoritarismo da hierarquias”, não!, é porque e apesar de o jornal oficial do Vaticano L’ Osservatore Romano ter lançado um suplemento sobre mulheres – Igreja e Mundo – o papa Francisco (e apesar do seu dinâmico mexer nas vontades instaladas) ainda não disse uma palavra sobre o papel das mulheres na igreja. E já se justifica há muito.
E, se não fomos enganados pelos textos canónicos, o Mestre sempre esteve ao lado das mulheres. E estas com ele.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
força indomável
do vício são vozes dos putos. assim nasce
um bairro!
bate-se em quem se pode
bloqueiam-se os extremos. matam-se
doentes raros; ligando mundos absurdos
não parto! sou um nojo! já se acabou
o nosso tempo. que vozes!
são várias as vozes que bloqueiam as ruas
dos vícios – estranhas ligações consagrando
os esforços que dão razão à ausência. vozes
a passar à tangente sob o edifício deprimido
a que – teimosa e orgulhosamente – chamamos
sociedade.
as vozes que dão razão a ausências
são vozes certas; feridas e magoadas
(quantas vezes vestidas de interioridade negra)
que nunca pisaram terreno seguro
são vozes sérias. vulcão adormecido!
prontas a quebrar o cerco do rosto do velho
muito belo. que pinta a sociedade.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Quanto mais melhor
Este
governo odeia o Estado, em particular as funções socais e empresarias do
estado. Para este Governo, os reformados são um estorvo, os desempregados uns
inúteis; os que recebem o rendimento Social de Inserção uns parasitas.
Nicolau Santos,
Expresso, 14.01.11
Dois
deputados do parlamento europeu, um de direita e outro de esquerda, resolveram
avançar com um inquérito aos programas da troika, em curso em três
países da União. Estes dois deputados estiveram em Portugal. E deram uma entrevista
ao dinheiro vivo (14.01.11) onde não tiveram dúvidas em concordar que os
programas da troika foram tudo, até pouco democráticos.
Othmarkaras,
o deputado austríaco de direita, não teve medo das palavras: “é totalmente
claro que houve falta de legitimidade democrática, de controlo democrático e de
transparência”.
Por sua
vez, Liêm Hoang Ngoc, o eurodeputado francês de esquerda, afirmou que “a
troika não tem um mandado à luz dos tratados europeus”.
E nós
portugueses indefesos o que dizemos? Ou melhor, continuaremos feitos pacóvios à
espera que nos chegue o prato de caldo que, cada vez mais gente, faz questão de
dizer que é a forma como olha pelos outros?
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
“A responsabilidade é absolutamente fundamental”
A
paralisia da esquerda perante a governação é o grande favor prestado à situação
e á alternância que não é alternativa. (…) A esta esquerda cabe dar o primeiro
passo: unir-se onde tem estado dividida, declarar que é parte da solução.
José Reis,
Público, 14.01.03
À margem
das jornadas nacionais da pastoral do turismo que decorreram em Fátima, Jorge
Ortiga, arcebispo de Braga e presidente da Comissão Episcopal da Pastoral
Social e Mobilidade Humana afirmou que “viver em Portugal torna-se cada
vez mais difícil. E, por muitas razões que os nossos políticos encontrem para
essas medidas”, o responsável da diocese bracarense questiona-se “se não
será possível fazer as coisas de outra maneira”.
Gosto
destas palavras e desta preocupação de Jorge Ortiga, como aprecio deste grito
de alerta de Manuel Carvalho da Silva (Jornal de Noticias, 14.01.11) “temos
agora menos emprego e emprego de pior qualidade. Salários, pensões e prestações
sociais mais baixas. Piro saúde e emprego. Mais desigualdades, injustiça e
pobreza” ou seja, e como muito bem disse Jorge Ortiga, “estamos a
enveredar só um caminho de corte de ordenados e de pensões, não sei se é o
único, estou convencido que há outros caminhos”.
Talvez
(ainda) não seja tarde demais para dar razão a José Reis, pois não senhores da
esquerda?
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