quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

ajustar contas com o tempo

por que temos que esperar que o tempo
se esvaia – em diferentes intensidades – sem olhar
a velocidade do nosso desejo?

olhando o momento que encanta
todos os sentidos abrimos a mão – ícone
vermelho! – a controlar o tempo; do desejo
feito caminho. ficamos no silêncio como fio
de uma teia construindo o nosso tempo.

continuarei à espera do desejo. o tempo
pode seguir. na criação do real; no dia
em que eu possa comer as veias
de todas as ausências. entro
no ícone vermelho dos sentidos
esvaindo-se. no tempo. finalmente!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Libertados do inferno

A reforma da igreja vai muito além da mera atualização das suas estruturas. Ela concretiza-se numa fé e numa espiritualidade que demonstra o amor de Deus pela humanidade escreve Redovino Rizzardo, bispo de Dourados, Brasil (conferência nacional de bispos do Brasil) que salienta que “as criticas dos padres” [contra palavras do papa Francisco] “que deixaram alarmados os católicos de sólida formação, não cínicos antipapas de ontem nem fanáticos papistas de hoje”.

O bispo Redovino tem toda a razão. Afinal, ao mesmo tempo que se generaliza a simpatia por Francisco, o papa cada vez mais o líder de referência mundial, há pelos lados da cristandade que veste a pele oportunista de católica, olhares assustadoramente ameaçadores. Por perceberem que há quem já tenha desmascarado algumas das suas ortodoxias. Daí que, mais um vez o bispo de Dourados tenha acertado na muche: só “uma igreja que atrai, motiva e converte pela compreensão e benevolência dos seus pastores, jamais pela imposição e prepotência” pode estar em sintonia com o papa Francisco.

Por isso, “a reforma da igreja exige que os seus filhos saibam viver a espiritualidade na normalidade da vida“.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Matando silêncios

O atual responsável da igreja católica não tem medo das palavras. Já se viu. E dos abanões nos instalados. Olhe-se para esta afirmação: “quando não há profissionalismo, lentamente vai-se escorregando para o nível da mediocridade”.

Percebe-se, pois, que Francisco o papa que já é figura de referência em tudo o que è espaço de reflexão na imprensa internacional, tenha pedido aos teólogos (são os guardiões da fé, não são?, aqueles que abrem horizontes) para “serem pioneiros do diálogo entre igreja e cultura”, para além, obviamente, diz o papa, de “se predisporem a ouvir os pequeninos”.

Que ousadia!
É verdade que ao teólogo compete “escutar atentamente, discernir e interpretar as várias linguagens” do tempo (Rádio Vaticano, 13.12.05). Desde logo, sendo “pioneiros do diálogo com a cultura”. Daí que segundo o papa Francisco, a missão destes seja, “ao mesmo tempo fascinante e ariscada” – duas coisas que fazem muito bem aos que ousam abalar os estabelecidos: o fascínio da vida, porque a vida é bela; também o risco o é, porque “desta forma podemos andar na frente”.

O papa Francisco não para mesmo de agitar aqueles que sempre ousaram dizer que só eles tinham as chaves de Deus.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A alegria do evangelho

Francisco, o atual dirigente máximo dos católicos, deve estar a “passar-se dos carretos”, como se diz na linguagem popularucha. Então o papa quer uma “igreja desassossegada e virada do avesso”, como escreve António Marujo (Visão, 13.12.12) onde os pobres estejam “no centro da ação e politicas contra uma economia que mata”?
Haverá alguém que queira uma igreja assim? Há, claro! Com toda a certeza! Desde logo, porque para o papa Francisco “no horizonte da atividade da igreja ou da política, deve estar a pessoa”.

Caramba! Assim, de repente, passou-me pela frente da memória o olhar de um partido que deve andar a ler coisas que estão muito para além da galáxia partidária! Nacional e não só.

Francisco, o papa que não se tem deixado iludir e, principalmente, abater, com certos silêncios velados, avisa que “não podemos ficar tranquilos” e critica, sem apelo nem agravo, a “ditadura de uma economia sem rosto” que mata e impede que tanta e tanta gente viva sem dignidade, sendo vítima da ditadura dos nossos dias, ou seja, a “ditadura de economia sem rosto”, que mata, destrói e decepa.

Por que carga de água o chefe do catolicismo há de andar a ‘pegar’ com os exageros de um capitalismo que domina os dias, não é senhores cristãos-democratas?

domingo, 22 de dezembro de 2013

Extinção das borboletas

1. O novo código da estradaLei 72/2013 – a entrar em vigor no próximo dia 1 de janeiro, “concede sobretudo direitos aos ciclistas que passam a ser equiparados aos veículos motorizados”. Um pequeno passo para que o ruído e a poluição comecem a desparecer dos nossos dias.

2. Na Revista do passado dia 22, David King (ex-conselheiro científico do governo de Tony Blair e diretor da Smith School of Enterprise and Environment da Universidade de Oxford) afirma que “a mudança do clima é um problema mais sério do que a ameaça do terrorismo”. Não pode existir ninguém à face da terra que não leve a sério esta afirmação. É impossível!

3. Apesar de – segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística mostrarem que a “crise contribuiu para uma melhoria do Ambiente”, desde logo, “com menos consumo e descida da população” em ano de capital europeia da cultura em Guimarães, há grandes preocupações ambientais em Portugal. Que o atual governa só agrava.
Desde logo, porque o nosso país perde, a cada dia que passa sob a alçada de uma governação insensível, a corrida elétrica, ou melhor, a corrida ao automóvel elétrico. E, mesmo depois de o estado ter gasto 15 milhões de euros em 1.350 pontos de carregamento, Portugal vê-se ultrapassado por vários países da Europa.
É caso para perguntar o que faz o atual governo destruidor do que foi (bem) feito pelo governo anterior?

4. Com atitude individuais egoístas e com governações à Passos e Portas nem as borboletas escaparão. Em Portugal e no mundo.