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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Inimigos da tolerância

Quero ter a raça humana toda contra mim. É uma alegria que me consolará de tudo.
Baudelaire


foto: geledes.org.br
Inserido na edição do passado dia 15 o jornal Público, com o título Charlie Hebdo: uma reflexão difícil, publica um texto de Boaventura Sousa Santos que importa, desde logo, reter para pensarmos com toda a calma e ponderação no que por aí vai. E pode vir.

Do extraordinário texto retenho duas ideias.
A primeira – “é sabido que a extrema agressividade do Ocidente tem causado a morte de muitos milhares de civis inocentes (quase todos muçulmanos) e tem sujeito a níveis de tortura de uma violência inacreditável jovens muçulmanos contra os quais as suspeitas são meramente especulativas” – não deixa dúvidas sobre a forma como o mundo está cada vez mais dividido sobre o futuro e sobre a ideia de quem domina (ou, dizem alguns, deve dominar) quem.
Depois, a segunda, vinca de forma clara como «uns são melhores que os outros» e, por isso têm que dominar. Escreve o sociólogo: “a resposta francesa ao ataque mostra que a normalidade constitucional democrática está suspensa e que um estado de sítio não declarado está em vigor, que os criminosos deste tipo, em vez de presos e julgados, devem ser abatidos”.

Mas não é só em França, agora que as coisas em mudança são mais nítidas, não que tudo está em mudança. Também em Inglaterra se abriram muito as portas para o exagero: “se em Inglaterra um manifestante disser que David Cameron tem sangue nas mãos, pode ser preso”. E termina assim a sua ideia o sociólogo: “em França, as mulheres islâmicas não podem usar o hijab”. Ou seja, há muito que Inglaterra e França vão fazendo de conta que respeitam a liberdade de alguns e principalmente a liberdade de expressão.
foto: blogdaboitempo.com.br
O pior é que nenhum estado europeu (mas não só, diga-se) está preocupado com o essencial: “a crise social causada pela erosão da proteção social e pelo aumento do desemprego, sobretudo entre jovens, não será lenha para o fogo do radicalismo por parte dos jovens que, além do desemprego, sofrem a discriminação étnico-religiosa”?, vinca Boaventura Sousa Santos.
Mas a isso, nós cidadãos acomodados e sempre prontos a abanar com a cabeça, dizemos nada. Talvez adoremos o poeta francês tenha razão e desejemos ter a raça humana toda contra nós.
Por isso, o editorial do semanário Expresso (15.01.17) – “a ressaca dos acontecimentos de Paris obriga-nos a ter cuidado sobre novas legislações securitárias” – não deixa (não devia deixar) dúvidas. A ninguém.

Nota final: é fundamental sublinhar as palavras de Elísio Summavielle (i, 15.01.17): “por Deus há seres humanos que matam seres humanos, e por Deus aconteceu a barbárie de Paris. (…) Sou sempre da liberdade, e gostaria muito de crer que Deus também”.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Inventar mudando

Novas tabelas de IRS só são válidas até às 19 horas do dia das eleições legislativas.
O Inimigo Público, 15.01.16
Escreve Nicolau Santos (Expresso/Economia,15.01.17) que “os mercados estão agora tranquilos com a capacidade de Portugal pagar os seus compromissos”, acrescentando uma justificação – quase escatológica – para tal realidade que, infelizmente, passa despercebida à maioria de nós: “valha-nos São Draghi para explicar isto”.

Não pretendendo (era o que faltava!) brincar com coisas sérias, como são os bolsos vazios dos portugueses e a estapafúrdia mania de que uns pretensos donos da verdade têm que que ser os desgraçados dos cidadãos (sem dinheiro e sem direitos) a pagar todos os males que bancos, banqueiros e gestores públicos vão deixando por resolver, até parece que a realidade apontada por Nicolau Santos não faz sentido. Faz!, e de que maneira!
Se não fossem as medidas que estão a ser tomadas, a partir de Bruxelas, e mais concretamente do banco central que comanda os destinos europeus, ninguém duvida de que o nosso destino era o estampanço contra o muro mais próximo ou a queda na rabina que surge a seguir aos muros que os tais donos do mundo vão criando.

Apesar deste aparente milagre de Draghi, e mesmo consciente do tom que o Inimigo Público utiliza, sou dos que acredita que, logo a seguir às próximas eleições legislativas, quer vença o senhor António Costa, quer continue o atual primeiro-ministro, tudo voltará a ser como nos dias violentos que matam cada vez mais pessoas sem recursos.
Não?
Por mim nem me passa pela cabeça fazer a experiência de verificar se é verdade.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

“Plástico fantástico”

foto: p3.publico.pt
Nas apostas para o ano que agora mesmo nasceu há um vimaranense em destaque. Que merece figurar num naipe de qualidade criativa.
É verdade. Trata-se de alguém que aposta na sua terra para fazer coisas boas. Bem ao seu jeito.
Mesmo que vá dizendo que “é mais caro fazer as coisas fora das cidades”, ele acredita “no potencial da santa terrinha”.
Boa!, Rodrigo Areias!
João Lopes sabe olhar no futuro. E olhou para o Rodrigo Areias.
É mesmo verdade que “plástico é fantástico”.

Ah! Faltou dizer que quem olha assim é a Noticias Magazine de há duas semanas.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Para onde vamos, afinal?

imagem: surgiu.com.br
Abertura
A oposição entre a lei e moral é um truque antigo que beneficia quem faz o que quer, fingindo que faz o que o deixam.
Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 15.01.03

Primeiro andamento
A opacidade dos partidos não é um assunto menor da nossa democracia e, se não a enfrentamos a sério, fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para a combater, não podemos queixar-nos das consequências que daí advirão.
António Cândido de Oliveira (professor e investigador na Universidade do Minho), Público, 14.12.31

Dores de uma sociedade à deriva
Suponho que sou de esquerda, mas a esquerda é muito diferente hoje. É difícil distingui-la da direita. Não há compaixão, não há preocupação com as pessoas que passam por dificuldades. É só conversa da treta.
Jason Williamson, Ípsilon, 14.12.26

Epílogo
Estamos quase lá!
Pensava eu que não veria mais mordaças e dores violentas entre grades. Afinal, entre a lei (que se ignora ou desrespeita) e a moral (que cada vez mais profetas desenham para poderem sobreviver e fazerem perdurar as suas capelas) venha o diabo e escolha.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

As obrigações sociais são de quem?

Num texto de José Paulo Silva e a propósito das redes de intervenção social dos municípios, o jornal Correio do Minho questiona “até que ponto não se poderia contar mais” com a igreja católica, desde logo, pode ler-se na peça jornalística, como forma de “articular mais as reflexões e as soluções dos problemas”.
É uma boa questão, não fosse o estado, cada vez mais, se afastar da sua grande missão que é o Estado Social. Tudo o que se possa dizer a seguir estará a mais.

Quem leu o texto dirá que Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, disse ao jornal bracarense que “não podemos prescindir do Estado Social, mas a sociedade também tem as suas obrigações”. Está certo. Mas a obrigação da sociedade, no contexto, ou melhor, no estado em que ela está – pobre, tesa e sem saídas – é apenas um exercício de retórica.
Por isso, o que importa valorizar e vincar de forma veemente é que continua a ser grave o afastamento que o estado, pela mão do ministro Mota Soares, tem vindo a fazer: entregar a privados, estejam eles organizados de forma coletiva ou individual, o que devia ser público. E nisso, sim, a sociedade tem as suas obrigações.

Infelizmente ela já está completamente hipnotizada!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Crise? Qual crise?

Organismos públicos já gastaram este ano mais 63% nas festas de Natal e no ano novo do que em 2013.
Título do i, 14.12.27/28
Ok! O Governo da Madeira é que lidera a tabela dos custos, mas saber-se que as “iluminações decorativas são a rubrica com mais encargos, acima de 3,4 milhões” é gozar com a cara de uma grande maioria de portugueses sem pão na mesa, não é?

Ou será um desejo sarcástico de iluminar quem dorme na rua?

sábado, 27 de dezembro de 2014

País gordo de tão pobre

O país está gordo” é o título do jornal Público para uma excelente peça jornalística de Alexandra Lucas Coelho, a propósito do relatório “Portugal – Alimentação saudável em Números”, onde fica claro que há no nosso país uma população “a perder anos de vida saudável por causa da forma como se alimenta”.
Faz lembrar outros tempos!
Tempos em que o pão de cevada alimentava mulheres inchadas que enganavam a forma com que vestiam os campos de sol a sol.


Ah! Nem de propósito este título do Expresso (14.12.20): Crianças comem 20 pacotes de açúcar por dias. Título para um texto de Vera Lúcia Arreigso e onde se pode ler que unidade públicas não têm nutricionistas para responder à procura crescente. Lucra o sector privado.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Portugal à deriva

Portugal trepa na lista dos poluidores.
Título do Jornal de Noticias, 14.12.19
Foto: http://vadebike.org/
A reportagem inserida no JN diz que “Portugal ocupa o terceiro lugar do ranking europeu das médias de dióxido de carbono por veículos ligeiros, que já liderou em 2011”. 2011? Que ano!
Será que o agora o vale tudo imediato que mata, de seguida, é que vale a salvação do planeta?
E no texto fica claro que  o parque automóvel em Portugal não tem sido renovado “devido à crise”. E a verdade é que esta obriga a menor venda de carros, manutenções o mais baratas possível.

E a seguir o que virá?
(Em termos de destruição do planeta, obviamente).

Vinquemos um pormenor importante: Portugal já liderou o ranking europeu mas médias de dióxido de carbono, no ano de 2011.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Separações violentas

Sábado. Dia 20 de dezembro. Estou em frente da televisão e vejo um telejornal na RTP. Uma reportagem sobre a chegada a Portugal de emigrantes.
Não tenho medo das palavras: chorei.
Tanta gente jovem a chegar ao aeroporto; completamente desterrada do seu país! Gente jovem que Pedro e Paulo não quiseram por cá. Gente jovem que não para de mostrar qualidade. Só Passos e Portas é que a ignoram.
E é este o meu país?
Infelizmente é.

Já não chorava assim há quatro anos. Eu sei que a morte de um pai é uma separação mais violenta.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O que é isso de “Savonarolas”?

foto: sulinformacao.pt
Tenho o maior respeito intelectual por Francisco Assis. Admiro-o pela forma com que agarra (e os leva até ao fim) os valores em que acredita; que abraça.
Apesar desta admiração que não é de agora, não estarei, nunca, com ele no seu desejo de “entendimento de regime” com o PSD; no caso de o PS não ser capaz de alcançar uma maioria absoluta.
Mas, não concordando com Assis, jamais abriria uma porta para estar com Paulo Portas. Ponto final.

Há silêncios nos olhares que se impõem.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Mergulho para o futuro

As regiões não são um devaneio fútil para os tempos de prosperidade e abundância. Pelo contrário, a regionalização pode ser um poderoso instrumento para suprimir as disfuncionalidades criadas pela multiplicação de órgãos desconcentrados dos ministérios. 
Pedro Bacelar de Vasconcelos, Jornal de Noticias, 14.10.24
Numa moção setorial apresentada no último congresso federativo de Braga do PS um conjunto de militantes, encabeçados por José Ribeiro, antigo presidente de câmara em Fafe, defendeu a regionalização para o nosso país. Desde logo, porque as “comunidades intermunicipais e as áreas metropolitanas não resolvem” o problema do atraso, “a vários níveis, e de irracionalidade na afetação de fundos comunitários”; é que a “existência de uma entidade legitima e intermédia entre os municípios e o poder central é fundamental para uma maior racionalidade, na distribuição de recurso pelo nosso território”. E também porque as CCDR “não preenchem essa necessidade”.
Daí que, e segundo aquele texto, seja “hoje muito consensual na classe politica autárquica nacional, em todos os partidos, a necessidade da criação das regiões”, bem como “o seu mapa e recorte, cumprindo” a Constituição.
Recorde-se que ainda recentemente Luis Valente de Oliveira defendeu que “terão que ser os autarcas a liderar a luta pela regionalização”, desde logo porque ela será possível “se houver uma vaga de fundo que tenha os autarcas como intérpretes”.
O que foi aprovado no encontro distrital socialista foi uma recomendação da federação bracarense à direção do PS “que inscreva no programa do governo a apresentar no próximo ano, como objetivo da próxima legislatura, a criação das regiões”.

Assim se espera. Apesar de José Ribeiro não ter sido apoiante de António Costa

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Será que o pior ainda está para vir?



Para as famílias da política dos compadrios, fretes e favores com capa de pretensões diabólicas, Portugal tem dois excelentes exemplos de como os portugueses são comidos ao pequeno-almoço, feitos cereais moles, parvalhões e sem sabor por doutos da política: José Lello e Couto dos Santos.
Um, o primeiro, diz que é socialista, o segundo que usa regularmente cartãozito laranja. 
Estes senhores da excecional mediocridade queriam favores de volta.
Que tropa, esta!

Amanhã, ou já a seguir – porque, finalmente!, tudo está a correr bem mais depressa no coração dos que vão decidir, ali mesmo ao virar da esquina do oportunismo, já não haverá uns profetas que anunciarão “leite e mel” a alguns num negócio do tipo pirâmide!

Amanhã, porque hoje já foi, (eles) estarão num outro lado a dizer que a “tropa do PS”, não só não é tralha (tinha que vir uma estapafúrdio termo complicado dos dias que correm!) e uns senhores do PSD (esses são barões, não é?) querem, matar coisas lindas que a democracia vem produzindo.

Nota de rodapé da memória: conheci mais ou menos de perto dois dos Franciscos mais marcantes da politica em Portugal: Zenha e Sá Carneiro. Que Homens!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Aposta segura

foto: publico.pt
Uma senhora vinda do outro lado do muro, mas que, atravessando-o, domina a ferro e fogo uma Europa à deriva, andou por aí a dizer mal do que se faz nas universidades portuguesas, ou pelo menos, do número de licenciados.
A senhora lá saberá por que razão as empresas do seu país recrutam quadros de qualidade em Portugal!

Teve a resposta certa por quem sabe como não se brinca nas universidades portuguesas: “devemos continuar a aumentar o nosso número de diplomados”. As palavras – que sobrescrevo totalmente – são do reitor a UM e presidente do CRUP, António Cunha.
Foram transmitidas a Samuel Silva em entrevista que deve ser lida no jornal Público do dia de S. Martinho.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Dores transversais

Nem sempre o que nos vai na alma é explicável por palavras; nossas. Umas vezes só os silêncios o explicam. Muitas vezes, há quem leia outras dores que atravessam a alma. E use as palavras certas. No momento certo.
Por isso, por agora, e com a devida vénia, uso as palavras dos outros.

1. 126 mil desistem de procurar trabalho por trimestre A cada três meses, 15% dos desempregados passam a inativos.
Expresso (Economia), 14.11.08

2. Ao contrário do que afirmam os economistas ultraliberais, a sociedade não se constrói à semelhança de uma pirâmide que funcione fazendo com que quanto mais dinheiro chegue aos do topo, mais dinheiro corra para baixo, para ser distribuído pelas outras camadas da pirâmide, uma a uma até à base.
António Pinto Ribeiro, Ípsilon, 14.11.07

3. Em parte da UE há este descrédito; a promiscuidade entre os poderes fez o egoísmo institucional afastá-los [políticos e instituições] do cidadão. (…) há 2000 anos os romanos disseram que não nos governamos, nem nos deixamos governar. Mas o que fizeram os partidos, senão convidar os euroromanos para nos comandar?
Jack Soifa, Público, 14.11.07

4. O mundo não está interessado em resolver questões de longo prazo como a falta de água ou as alterações climáticas. E com o crescimento do terrorismo e dos fundamentalismos por todo o mundo, pode dizer-se que a terceira guerra mundial já começou.
Jacques Attali, no World Business Forum, que teve lugar em Milão há uma semana, in Revista, 14.11.08

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Já só faltam as correntes

Na edição de outubro do Le Monde Diplomatique (edição portuguesa) Sandra Monteiro assina um texto – “Avaria o Estado” – que mata em definitivo o desejo de ser feliz; o desejo de acreditar num futuro justo para cada cidadão.
Numa extraordinária análise da realidade portuguesa aquele texto começa por tirar o sono ao leitor, quase de imediato: ”o atual disfuncionamento da sociedade é uma consequência previsível” daquilo que a Europa deseja, na medida em ele advém “da transformação estrutural imposta pela austeridade, pela dívida, pela arquitetura europeia e monetária”. E não tem dúvidas: “avariar o Estado é um elemento central deste empreendimento”.

E como se avaria o Estado? Muito simples: “através dos cortes de financiamento e das transferências de recursos, isto é, com políticas de desinvestimento público, degradação do Estado Social, ataque ao mundo do trabalho e canalização dos recursos aí gerados para o sistema financeiro”.

E trará vantagens para o futuro?
Nem pensar. Desde logo porque este “avariar o Estado”, o que faz é prosseguir “a desvalorização interna, a aposta num país com salários tão baixos que possa competir com todas as indignidades laborais que outros conseguiram impor aos trabalhadores”. Algo que “nas mentes” destes avariadores do Estado “há de levar ao fim do modelo atual de Segurança Social e ao alargamento do mercado dos seguros privados”.

E a cereja no cimo do bolo deste texto: “as mais eficazes avarias do Estado, ou os melhores arranjos pessoais e negócios privados, fazem-se discretamente. De alguns até há noticias como acontece com o «caso Tecnoforma» ou o «caso BES».
Por fim, “avarias o funcionamento do Estado é fácil: corta-se, transfere-se, destrói-se e desrespeita-se a vida da maioria dos cidadãos”.

E nós cidadãos indefesos gostamos de ouvir notícias sobre este tipo de avarias no sofá. Enquanto temos! Por que por este andar não falta muito tempo que sentamos o traseiro em pedras húmidas ou dormimos em camaratas onde de vez em quando libertam os gases.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Rede com buracos

foto: esquerda.net
O presidente da câmara municipal de Famalicão, que “falava ao primeiro-ministro de Portugal”, quer que “a solução para o crescimento económico” de Portugal se faça “com medidas estruturais de fundo, onde todos devem dar o seu contributo”, escreve o semanário famalicense Cidade Hoje (14.10.23) a propósito da visita de Pedro Passos Coelho a algumas empresas famalicenses.

Confesso, desde já, a minha ignorância. Que raio vem a ser isso de “medidas estruturais de fundo” para um governo que não sossegou enquanto não matou todo o setor empresarial público?
Será que o contributo de todos, de que falava Paulo Cunha, tem mais a ver com o pagamento de ações privadas com dinheiros públicos?
E o senhor presidente da câmara de Famalicão deve saber muito bem do que fala! Afinal é homem de falar ao primeiro-ministro do meu país!

Espera lá! Estou completamente fora de contexto. Afinal o “vale do Ave quer reduzir mil pobres até 2020” (título do Diário do Minho, 14.10.28)
Estava mesmo enganado.
Comparemos então: “cortar a eito nas prestações sociais pode abrir uma ferida difícil de sarar a longo prazo” (editorial do jornal Público (14.10.28)

Pois!
Deve ser por isso que “todos devem dar o seu contributo”.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Voltaram os fantasmas

Certamente que há portugueses – não haverá muitos, acredito – que sabem que “o chefe de gabinete do secretário de estado das finanças e os filhos do ministro Rui Machete e do presidente angolano José Eduardo dos Santos estão ligados à mesma empresa”.
Não!
Por favor! Leiam o que o Miguel Carvalho – só podias ser tu, Miguel! – escreveu na sua grande reportagem na Visão (14.10.23).

Ah!, como aperitivo para a leitura desta bela peça jornalística: “é a história do dia em que o governo meteu Angola no governo”.

Nota de rodapé: parece que Portugal é já ali!

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Execução sumária

Faz sentido beneficiar as famílias que ganham mais e as empresas que lucram no mesmo orçamento em que se corta metade dos apoios aos pobres?
Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 14.10.18
foto: www.ntgospel.com
Que pergunta!
E quando, infelizmente, nos dá tudo para vincarmos estas palavras de Fernando Madrinha (Expresso, 14.10.18) – “a mais importante reforma do Governo é o sorteio dos automóveis das Finanças” –, nos leva a perceber bem depressa que há no governo de Pedro e Paulo quem faça de conta que sabe governar; que naquela espécie de governo onde até a estúpida estupidez que coloca professores onde, de seguida, o engano os atira para as cercanias de uma outra terrinha deste país, sem “rei nem roque”, onde até uma criança da primária – ainda será assim que se diz depois de tantas e tantas alterações de Crato? – percebe que o que ontem era uma bela realidade, hoje é uma valente dor de cabeça; estamos falados.

Com as dores que não param da matar a alma, até me perdi no raciocínio.
Perdão!
Socorro-me, por instantes, das palavras de Manuel Carvalho da Silva (Jornal de Noticias, 14.10.18):”a União Europeia impõe-nos graves condicionalismos, mas o OE 2015 não tinha que ser seguidista”.

A seguir, havemos de perceber que “basta o orçamento para ficarmos deprimidos”. Mesmo que, afinal, o OE ”seja uma pequena gota num mundo carregado de tempestades e com promessas de algo assustador” (Henrique Monteiro, Expresso, 14.10.18).

E quando lemos Manuel Carvalho da Silva (Jornal de Noticias, 14.10.18) “o OE para 2015 é, sem dúvida, o Orçamento da continuidade de estéreis políticas de austeridade e da confirmação de que este Governo impôs e continuará a aprofundar”.
Ou o Editorial do Público, 14.10.17: “numa altura em que a carga fiscal suportada pelos portugueses está em máximos históricos, é quase de mau gosto subir mais impostos, sejam verdes ou de outra cor qualquer”.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Coragem assumida

[a casa mortuária] Vai-se fazer com a ajuda da câmara. Tenho esse compromisso da câmara. Se não cumprir, não terei coragem de continuar por cá.
António Carvalho, presidente de junta da União de Freguesias de Airão Santa Maria, Airão S. João e Vermil, Repórter Local, outubro 2014

Comentários?
Apenas um. A capacidade de fazer o que se promete só está ao alcance de alguns!
Boa António Carvalho.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Reitor dos reitores

foto: lusonoticias.com
Escreve Samuel Silva (Público, 14.10.15) que “nos próximos três anos [António Cunha] será o reitor da Universidade do Minho e líder” do conselho de reitores das universidades portuguesas (CRUP).
E como se reage a coisas lindas como esta?
Por mim, limito-me a ser o mais direto e natural possível: gostei muito de o conhecer. Cumprimentos magnifico reitor! E felicidades.

Ah!, sabe senhor reitor que sou dos que acredito que tem toda a razão quando afirma que “o nosso problema não é ter instituições a mais, mas estudantes a menos no ensino superior”. (Expresso, 14.10.18)