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sábado, 9 de maio de 2015

O tempo jamais sente a passagem

Pertenço a uma geração – ou antes a uma parte de geração – que perdeu todo o respeito pelo passado e toda a crença ou esperança no futuro.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Guimarães terá, espera-se que muito brevemente, catalogadas as “áreas com níveis de exposição sonora” que ultrapassem o regulamento geral do ruído. E isso é muito bom.
Mas, para que a iniciativa saída da vereação de Amadeu Portilha atinja o excelente, importa passar (já) da identificação à ação. É verdade que há (já), no terreno, alguns sinais encorajadores. Gosto, por exemplo do desafio Zonas 30. Mas importa que outros surjam.
Há nesta decisão política, que me parece premente, um ar de visão de futuro. Dou um exemplo de cariz pessoal: gosto de correr ali por entre os espaços da horta pedagógica e ao longo da variante até ao caminho real; gosto muito mais das hortas onde tudo é mais calmo (em termos de ruído, atenção!).
Ou seja, a constatação já feita pelo município de que os eixos viários se encontram “em níveis recomendáveis de exposição ao ruído” melhorarão, de certeza, com esta medida saída da vontade política de Amadeu Portilha de “plantação de árvores junto às principais vias como barreira acústica”.
E isso é excelente; melhora o sossego citadino, acalma (mais) as pessoas e faz subir a qualidade de vida. Em suma, será um excelente movimento contra o ruido que vai matando lentamente.

Ah! Só uma nota final: correr no parque da cidade (lá mais para cima) é muito mais sossegado, só se ouve o silêncio.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Competências certas II

O Portugal futuro é um país
aonde o pássaro azul é possível.
Ruy Belo, in orla marítima e outros poemas
 foto: cm-guimaraes.pt
Acontecimento da (última) semana em Guimarães: a presença do subsecretário das Nações Unidas e reitor da Universidade das Nações Unidas, David Malone, na cidade-berço, mais concretamente na (antiga) zona velha da cidade: Couros. Para a inauguração, em Portugal – ali juntinho ao campus de Couros da Universidade do Minho –, da unidade operacional em governação eletrónica das Nações Unidas.
Como vimaranense estou felicíssimo.
Como português sinto-me vaidoso.
Como cidadão de um mundo cada vez mais pequeno só posso dizer: obrigado Guimarães pela “disponibilidade e comprometimento”.

Uma pequena nota de rodapé: caro Domingos Bragança obrigado pela teimosia. Outros chamar-lhe-ão outra coisa; eu prefiro vincar o olhar de quem não tira os olhos do futuro.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Continuar em estado de negação

A palavra “mudança” em Portugal aparece muito quando é preciso fazer umas coisas para poder ficar tudo na mesma.
Carmo Afonso, E, 15.04.11
Faltam 22 juízes desembargadores no Tribunal da Relação de Guimarães.
Ui! Tanta gente!
E gente boa, claro!

Quem desabafa esta dor é António Ribeiro, o juiz desembargador que preside aquele Tribunal.
Ah! Para que fique bem claro tudo isto, importa dizer (dizer não) vincar que por aquele Tribunal, ali na zona histórica da cidade de Guimarães, passam (e são analisados) processos das comarcas de Braga, Bragança, Viana do Castelo e Vila Real. Tanta gente!

Haverá, com toda a certeza, imensos comentários a fazer sobre esta estapafúrdia e triste realidade que afeta a vida do Tribunal. Por mim limito-me a registar o óbvio: com a mania de poupar e inventar poupanças como a senhora ministra insiste, só pode estar a querer apagar a importância que Guimarães tem. Também na Justiça.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Não pode haver heróis da derrota

Um maluco autodidata ficou maluco sem a ajuda de ninguém, nenhum inimigo, nenhum amante, nenhuma escola de fazer amantes.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
foto: transartists.org
O presidente da câmara de Vila Nova de Famalicão quer que “os famalicenses tenham a oportunidade de se realizar profissionalmente em todas as áreas”.
Foi no dia nacional da juventude que o presidente da autarquia famalicense, eleito pelo PSD, anunciou a criação de um gabinete de indústrias criativas, pelos vistos “uma notícia bem recebida junto dos universitários bolseiros”; diz alguma imprensa da cidade dormitório, a jusante de Guimarães.
Esta notícia, se calhar, até passou ao lado dos vimaranenses, mas não podia, nem devia. No mínimo, obriga (devia) a pensar.
Por cá, pelo burgo afonsino, terá que se dizer que parece já nada resistir dos bons exemplos criativos que já fizeram diferença? Só pode ser impressão minha!
Em Braga, já moram alguns saídos de terras afonsinas.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Relíquia futura

A prudência manda que no passado só se deve tocar com pinças, e mesmo assim desinfetadas para evitar contágio.
José Saramago, in Alabardas
foto: cm-guimaraes.pt
Uma equipa da Universidade do Minho (UM) considera que a melhor forma de melhorar o acesso rodoviário ao parque de ciência e tecnologia de Guimarães, Ave Park, é a criação de uma nova via rápida dedicada”, pode ler-se no jornal Público do passado dia 16 .
Sublinhe-se: “uma equipa da Universidade do Minho”.
Olhando para aquela equipa há um denominador comum: José Mendes, vice-reitor da UM, responsável por UM Cidades (uma plataforma da Universidade do Minho), e até à alteração da situação anterior, ou seja, da mudança funcional daquela estrutura de referência em Guimarães, no país e no mundo, presidente do conselho de administração do Avepark.
Coincidências. Seguramente.
Uma nota de rodapé: habituei-me a ter o maior dos respeitos pelo excelente trabalho desenvolvido pela Universidade do Minho; hábito que, óbvia e naturalmente, manterei.

terça-feira, 24 de março de 2015

Uma sombra que afasta o fim de tarde

Os outros não são para nós mais que paisagem, e, quase sempre, paisagem invisível de rua conhecida.
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego
1. Há duas discussões avançando em lume brando – quase, quase prontas a arder em altas chamas –, fundamentais para Guimarães e para o seu futuro que têm o mesmo sentido geográfico: Caldas das Taipas.
Não teriam nenhuma importância, nem sentido de meta final (isto é, objetivo fundamental) e da afirmação de Guimarães no futuro imediato (muito mais que a longo prazo) se não fossem fundamentais.
A primeira tem a ver com a poluição do rio Ave. O mesmo rio que, pelos vistos, só está poluído a montante da captação da água que serve os vimaranenses. Coisas que passam pelos olhares sempre sem explicação! É que nem todos temos sistemas-sofisticados-de-ultraqualquer-coisa para justificar o que fazemos; e com pompa e circunstância!

2. A segunda, que esteve abafada pela primeira, é a fundamental. Está em causa tudo. O futuro de uma aposta que agora já o é, quando não o deveria ter sido (como é o Avepark); o futuro de um território, que devia ter tido um nó de autoestrada e não tem (devia ter sido contemplado aquando da discussão sobre a ligação Guimarães Braga, mas caiu no esquecimento para dar lugar a uma via curta), mas que, repentinamente é o cerne da questão que baliza o crescimento de Guimarães.
Vale a pena a esse respeito recorrer à memória e a intervenções na assembleia municipal de Guimarães para se perceber melhor tudo o que agora parece ter um valor que há anos não teve.
Sim, hoje, já não é possível ir pelo Arquinho até Silvares e à autoestrada, mas que, ali em Brito, ainda é visível o local onde seria a ligação, é. Infelizmente já não vale de nada. E falar nisso agora seria levantar fantasmas que não interessam para um concelho que tem a certeza que sem crescimento nunca virá o futuro, por mais verde que seja. E isso, esteve arredado das preocupações dos decisores políticos vimaranenses durante tempo a mais. Pelo menos desde 1998.

3. Se um rio limpo e transparente é fundamental para que Guimarães alimente condignamente a enorme vontade de ser uma cidade verde (estou certo de que tal vai acontecer) urge vincar que uma ribeira sem poluição também o é. Seja pelos atalhos do desejo da ligação a um centro de excelência, seja (mesmo) pela urgência de uma cidade limpa.

4. Curiosamente, ou não, as grandes agitações vimaranenses do momento vão na mesma direção: Caldelas e, mais concretamente, a centralidade que é a vila de Caldas das Taipas. Deve ser coincidência. Ou então há coisas que passam ao lado da normal compreensão humana. Pelo menos dos vimaranenses que, vivendo na cidade, nunca percebem por que carga de água os cheiros pestilentos que a atravessam valem uma peva em comparação com a grande grandeza da outra margem do Ave.

terça-feira, 17 de março de 2015

Manhãs de sol em Guimarães

Não há nada de tão absurdo que o hábito não torne aceitável.
Erasmo de Roterdão
É manhã de sábado. Como sempre, a azáfama à volta do antigo mercado municipal de Guimarães é grande. Muita gente estaciona sem o poder fazer. Ali na Paio Galvão (o presbítero que terá começado a sua carreira eclesiástica no mosteiro de Santa Marinha da Costa). Chegam dois polícias municipais. Há gente que mete, à pressa e de forma bem atabalhoada, o que tentava vender no carro, em malas cheias de coisas rápidas e desanda dali. Mais carros se afastam. Discretos. E os polícias observam.
O espaço – o lado da rua que abraça o antigo mercado – fica com o espaço que tem que ter: paragem para autocarros.
Eis, senão, quando um carro da Vitrus estaciona. O condutor faz um sinal mais ou menos discreto. Os dois polícias caminham, lentamente, em frente; em direção à Sociedade Martins Sarmento. O condutor demora pouco, é certo!, mas o carro esteve ali uns minutos; enquanto, dentro do quiosque, ali existente, se passavam coisas.
Já tenho as botas engraxadas. Pago e sigo em frente.
Que saudades que eu tinha das manhãs de sol na minha cidade!

quarta-feira, 11 de março de 2015

À porta do futuro

Olha na direção do grito. Alguém se atirou ao rio.
Milan Kundera, in A Festa da Insignificância
A UM Cidades, uma plataforma da Universidade do Minho, presidida pelo vice-reitor José Mendes, foi escolhida pela União Europeia para promotor em Portugal do European Green Leaf Award, isto é, um prémio europeu (recentemente criado) que distinguirá “em cada ano, pelo menos uma cidade europeia com assinalável desempenho ambiental”. Ena! Como gosto desta notícia!
E logo num dos meses mais importantes em termos ambientais, como é o dia da Floresta e da Água.
Floresta e água? Ups! Coisas para pesarem imenso numa capital verde, não é?
Espera! Isto anda tudo ligado, não anda?
Bem que dizia o vereador Amadeu Portilha, na apresentação do projeto Guimarães Cidade Verde, no âmbito das comemorações dos 1.089 anos de Creixomil: “hoje vivemos um novo tempo”, um tempo que “tem a ver com a qualidade de vida”.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Por enquanto é tempo

O que é da água extraio, guardo
Ainda que o venha a entregar.
Walt Whitman, in Cálamo
Nota de abertura: a ribeira que atravessa a horta pedagógica em Creixomil não é só a ribeira de Couros, como temos a mania de a descrever; ela faz-se também, por exemplo, da ribeira de Santa Luzia. E, mas a jusante – em frente à nova horta –, da ribeira de Urgeses. Quem passa pelo interior daquele espaço de excelência na área do ambiente vimaranense sabe muito bem que há vários canais que o atravessam.

1. Feita está introdução importa dizer que na última quinta-feira, pelo menos entre as 19H30 e as 19H37 (enquanto eu, de fato de treino em punho, matava a agitação do dia e corria por entre os pequenos talhões lindos de que se faz a horta) senti um fedor tremendo a petróleo. Há quem lhe chame solventes ou pasta industrial; para o meu nariz já aliviado dos cheiros do dia, aquilo não oferecia dúvidas: era uma descarga industrial com fortíssima carga poluente. Não tenho receio em afirmar que o que corria – saindo do canal mesmo junto à casa de madeira que serve de apoio aos colaboradores municipais que ali trabalham – em direcção ao Selho era uma descarga de empresa têxtil que tem uma estamparia no seu processo produtivo.

2. O cheiro na Horta Pedagógica era catastrófico. Aquilo que percorria o canal que desemboca no Couros era assustador; quase fantasmagórico (pela cor). Como a foto documenta (peço desculpa pela qualidade da fotografia que ilustra o que venho descrevendo, mas não costumo fazer as minhas corridas de máquina fotográfica na mão). Mesmo assim a foto fala por si.

3. Tenho muita pena de Amadeu Portilha e daquela que é uma das suas grandes apostas pessoais e politicas para Guimarães. Por mais que o vereador com responsabilidades na área do Ambiente na câmara de Guimarães se empenhe para que Guimarães seja uma cidade verde, há alguém que faz tudo para matar o seu trabalho e empenho. Por mais que o vereador Portilha lute para que a cidade-berço receba o título de capital verde, sempre há um arista destruidor do ambiente que gosta de pintar as ribeiras de cores e odores que não servem o futuro. Por mais que Guimarães se queira afirmar sempre há engenhosos destruidores da afirmação de um território de futuro.

Nota final: a ribeira que atravessa a horta pedagógica – fui espreitar para ter certezas, sob a variante, já na ligação a Santo Tirso, isto é, o troço principal da ribeira –, não tinha qualquer descarga industrial, apenas o habitual saneamento doméstico que por ali vai correndo. Talvez não seja muito difícil perceber a origem deste atentado ambiental.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Jogos de sonhos enigmáticos

Mesmo quando se esquece a voragem das notícias, há um momento em que os problemas voltam. Não porque saiam da mancomunação de jornalistas malvados, mas porque existem de facto, porque a corda foi esticada para lá dos limites.
Domingos de Andrade, Jornal de Noticias, 15.02.14
Dos 13,7 milhões de euros que a Estradas de Portugal tem previsto investir no distrito de Braga, parece que há um milhãozito e tal que virá para Guimarães, mas (atenção) integrado “na requalificação entre a circular sul de Braga e Taipas”.
Ai Guimarães! Está na hora de acordar!
Só 1,3 milhões em 13, 7 milhões?

Há por aí quem dê uma ajuda a fazer as contas da importância de Guimarães?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A espera aumenta

O que os meus olhos veem é um enigma.
O que os meus olhos olham passa a passo.
Ruy Cinatti, in Os castelos interiores
Em entrevista à edição de fevereiro do Reflexo, Domingos Bragança fala de si, do seu partido, de Guimarães e do seu projeto para o seu concelho.
Esta entrevista do presidente de câmara de Guimarães é uma entrevista atípica, porque natural; é uma conversa, como o diretor do jornal assume em editorial, onde Bragança diz o que lhe vai na alma. E onde, embora a espaços, se mostra desprendido. Mas sempre pronto a vincar que não está distraído – “a vida político-partidária faz-se de jogos, de manhas, de táticas e eu gostava que a vida democrática, entre os partidos políticos, fosse mais do contraditório, da explicação, da proposta alternativa e de todo esse debate”.
Tudo clarinho? Aparentemente sim, mas façamos uma segunda leitura: “a vida político-partidária faz-se de jogos, de manhas, de táticas. Ui! Gosto muito da ideia do contraditório. É linda; quase lírica, mas faz todo o sentido.
Sobre o dia-a-dia em Santa Clara, Bragança não hesita em comparações com o passado recente. Aí, sem sombra de dúvidas, está em campo o atual presidente de câmara de Guimarães; que, de forma claríssima, diz que é ele – e só ele – o edil vimaranense. Mesmo que, suavizando, vá dizendo “são [António Magalhães e Domingos Bragança] duas pessoas com personalidades diferentes e é bom que seja assim”.

Esclarecido o posicionamento de Bragança em Santa Clara, o autarca vimaranense mostra como gosta da prática política: “creio que as pessoas já perceberam a minha maneira natural de ser e de dizer as coisas”. E clarifica como se posiciona na coisa pública: “a democracia é muito exigente. Exige a aceitação do argumento, da divergência e daquilo a que chamo o contraditório. Não há democracia, nem desenvolvimento das sociedades sem contraditório”.
Haverá, agora, dúvidas da postura política de Domingos Bragança?
Fica assim totalmente claro quem ‘comanda’ o dia-a-dia em Santa Clara: “é inegável que eu abri as reuniões de câmara, que são participadas, analisadas, analisando, discutindo, dando explicações sobre o que estamos a fazer e, obviamente, ouço muito mais”. Tudo muito certinho, portanto. Ou ainda haverá quem goste de misturar o velho com o novo?

Claro que a entrevista sendo, para um jornal com sede em Caldelas, aborda questões de interesse para aquela comunidade vimaranense. Importa, por isso, destacar este desafio do presidente de câmara de Guimarães: “neste momento está a ser escolhida uma equipa externa de projetos para acompanhar o projeto [requalificação do centro das Taipas], da mesma forma que foi feito com a intervenção no Toural e na Alameda de S. Dâmaso”. É uma grande notícia para Caldas das Taipas!


Não duvido, nem um pouco, que os taipenses ficam a aguardar ansiosamente que estas obras surjam no terreno. Até porque para o presidente de câmara, com o rio limpo “e com o parque natural e as termas que são um valor indissociável das Caldas das Taipas” – a vila termal “terá todas as condições para recuperar a vocação turística”. E se lhe juntarmos a recuperação urbana…

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Padrão invariável

Como o homem normal diz disparates por vitalidade, e por sangue dá palmadas (…) sangue, e, quase sempre, paisagem invisível de rua conhecida.
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego

A última edição do jornal Reflexo (fevereiro de 2015) é para guardar. Pelos taipenses felizes pela aposta na qualidade do trabalho que se começa a desenvolver na sua terra e pelos vimaranenses que ficarão com argumentos para se convencer que o futuro de Guimarães não está escrito só em Santa Clara (cada vez mais) ou no Toural (cada vez menos).
Os principais interventores políticos vimaranenses foram até à vila e disseram o que lhes vai na alma; o que querem para Guimarães e como encaram o futuro coletivo em terras de D. Afonso. Desse belo trabalho jornalístico destaco:

foto: planoclaro.com
1. Começando pelo vereador da coligação de direita em Guimarães, André Lima, até me apetecia dizer que as suas palavras cumprem o papel da oposição, mas, pensando melhor, não. O líder laranja vai fazendo de conta que tem ideias, mas tem sempre alfinetadas incompressíveis – “a nossa postura tem sido responsável, sem nunca abdicar da função fiscalizadora que compete à oposição”.
Claro que o papel da oposição é fiscalizar, alertar e mostrar que há alternativas! Será por isso, que André Lima afirma que “[o PS] não tem tido para com as nossas iniciativas políticas a maturidade política que nós temos demonstrado com algumas iniciativas do PS”? Não creio. Mas o tempo é bom conselheiro e faz sempre justiça. Para já é o discurso oficial do PSD é o discurso de sempre. Coisas que já ouvimos e lemos, vezes em conta. Só assim se compreende esta afirmação: “na câmara de Guimarães e no PS há um princípio de desconfiança nas juntas de freguesia. Estamos perante uma câmara marcadamente centralista”.
Há uma ideia boa a perpassar a vontade política de André Lima: “Guimarães deve ambicionar ser um concelho verde, independentemente do título”.
foto: cm-guimares.pt

2. O outro parceiro da coligação de direita, Monteiro de Castro, não diz muito, é verdade!, mas deixa uma verdade que importa reter: “[a situação vivida com o orçamento participativo 2014] é seguramente um dos momentos mais negativos destes primeiros meses do mandato”.

foto: facebook.com

3. Por fim, Torcato Ribeiro, o vereador da CDU, como sempre, foca-se no essencial. Primeiro, no que está na moda: “a despoluição das nossas linhas de água é fundamental para a nossa qualidade de vida independentemente do título de capital verde europeia”. Depois naquilo que tem que mobilizar os vimaranenses: o Avepark: trata-se “de um projeto que é essencial para o nosso concelho e, infelizmente, não está a ter a devida discussão pública”.
O resto, porque não é de somenos importância, obriga a reter duas ideias: “num executivo democrático todas as vozes contam e a minha tem contado. Gostaria é que contasse efetivamente mais” e “tendo maioria absoluta, o executivo dá prioridade na realização e aprovação das suas propostas que constam do seu programa eleitoral”.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Há dias que marcam um antes e um depois

A confiança e o diálogo constituem o cimento que pode ajudar a unir pessoas em torno de causas comuns.
António José Seguro, in Compromissos com o Futuro
Não tenho nada a dizer sobre a decisão da autarquia vimaranense de recolocar o horário de trabalho dos seus colaboradores nas 35 horas semanais, a não ser congratular-me pela decisão.
E não é porque alguém diz que “o presidente de câmara e os vereadores não são empregados do estado” – era o que faltava! (nem me espantava que muita gente que vai às reuniões quinzenais o desejasse) –, mas porque considero, tal como o vereador da CDU, Torcato Ribeiro, que a passagem para as 40 horas semanais foi “um retrocesso civilizacional. Situação ou desejo (escondido) que, pelos vistos, tem seguidores; seja em Braga, onde o discurso mudou do antes para o agora. Seja noutros locais onde a pretensão de mudança ainda é sonho distante.

Mesmo que aqui, dentro de portas, o esforço por dizer o contrário seja enorme.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Fé no poder racional

Tão limitada é a imaginação da gente comum.
José saramago, in Alabardas
foto: oconquistador.com
Numa lógica de melhoramento do espaço urbano percebo que a Casa dos Pobres, ali na rua de Donães, saia dali; sinceramente não me tira o sono a decisão do executivo liderado por Domingos Bragança.
Agora o que me faz pensar é o porquê de afastar quem passa dificuldades do miolo urbano. Faz-me lembrar o desejo de António Costa, em Lisboa, em querer ‘apagar’ em ‘ocupações’ (ou pô-los em movimento) os sem-abrigo da cidade durante o dia.
Acredito no bom senso dos responsáveis da área social da autarquia vimaranense, mas se vir nas instalações aqui mais perto de mim, assim tipo Creixomil, a sopa dos pobres a correr, considerarei tal afastamento uma limpeza social na cidade. E depois falaremos de espaços urbanos vazios, ocos, sem vida e sem pessoas.
Mesmo assim, ainda há o histórico albergue de S. Crispim, não é? Em pleno miolo urbano. Onde se poderá sempre exibir presenças em ceias natalícias. Sempre muito concorridas; principalmente em anos eleitorais.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Choque ao contrário

Por isso ele era rei, e alguém suporia diante da realeza ter um pensamento; uma palavra súbdita.
Herberto Helder, in Do Mundo
imagem: ephemerajpp.com
1. Há um comunicado da responsabilidade da comissão política do CDS vimaranense que diz que A Oficina promoveu um despedimento coletivo. Um despedimento coletivo? Ó diabo!
Há um texto que terá saído do punho de um certo CDS de Guimarães, onde se fala de uma qualquer coisa – tipo pompa vistosa e, quiçá, espampanante, para jornalista ver – que diz que “uma onda de despedimentos” terá acontecido na cooperativa cultural vimaranense A Oficina. Ups! Que isto está assim à-espécie-de-tsunamis-que-se-elevam-de-uma-onda-descalibrada. 
Há um opúsculo – que, pelos vistos, morreu à porta de um microfone vaidoso e sem escrúpulos, sempre pronto a fazer estragos – que, tentando ser um texto sério, terá a assinatura de Orlando Coutinho,
(um parêntese para vincar que, mantendo o que escrevi sobre o atual líder do CDS vimaranense, ainda acredito que Orlando Coutinho jamais escreveria o que terá escrito sobre José Bastos)
não passa de um desejo apressado de (também) ir a Santa Clara; a exemplo do que aconteceu (tinha mesmo que ser?) com André Lima.
Ok, Domingos Bragança sabe que André Lima controla o resto da oposição vimaranense!

2. Mas falar em modelos “de gestão moderna” ou de “proximidade” só revela o quão distante um certo CDS vimaranense anda da realidade local. Só revela um CDS que, afinal, regressa sempre ao populismo demagógico. E isso, confesso-o, não fazia parte do que penso de Orlando Coutinho. Não queria mudar de opinião, mas depois deste episódio, assim, à-espécie-de-ciúme-pelo-parceiro, ter-ido-ao-convento-sem-mim, eu não quero pensar que pode estar de regresso o PP que os vimaranenses rejeitaram.

Em suma, olhando para aquilo que o CDS vimaranense tornou público, só posso olhar para o PP de outros tempos (não muito distantes) e, sem medos, vincar e assinar por baixo as palavras do vereador da cultura da câmara de Guimarães, José Batos: “que seria de Guimarães se quem faz comunicados desta estirpe tivesse que tomar decisões”?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Ideia do lugar

O tempo corre. Graças a ele, em primeiro lugar, somos seres vivos, o que quer dizer: acusados e julgados.
Milan Kundera, A Festa da Insignificância
O presidente de câmara de Guimarães, Domingos Bragança, defende que o objetivo do executivo a que preside é que o concelho de Guimarães “seja referência para se viver a nível europeu”, ou seja, o que Bragança diz com todas as letras é que Guimarães tem que ter e ser “um território sustentável”.
É assim que a capital verde entra por terras de D. Afonso, por exemplo.
Sem medo das palavras e juntando ao “destino preferido”, já não restam dúvidas: Guimarães terá uma capital verde em grande.

Ave em concurso

As moedas pequenas são fáceis e talvez não matem. O perigo são as moedas grandes.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
A câmara e Vizela, pela 12º vez, tem em curso o seu concurso literário. Este ano para “descobrir Vizela”.
Concurso que já foi, o ano passado, por exemplo, sobre o rio Vizela.
Gostaria muito de ver um conto sobre o rio Ave em concurso em Guimarães. Acredito que haveria textos extraordinários; muito para além do imediatismo que vai fazendo as noticias mais estranhas sobre uma realidade bela.

Sei lá! Do tipo, o rio Avenão é, há pelo menos dezasseis anos, o rio mais poluído da Europa.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Jantar com aperitivo

Repugno a vida real como uma condenação; repugno o sonho como uma libertação ignóbil.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto:article.wn.com
1. O presidente de junta de Caldelas concede uma entrevista ao jornal taipense Reflexo (janeiro 2015) que, podendo parecer, de repente, o contrário, não traz nenhuma novidade. A ninguém. Nem a ele que já não sabe bem onde está a porta do futuro. É o mesmo estilo caceteiro de sempre – ainda que tente criar a ilusão, agora que em Santa Clara há outros protagonistas, de que tudo já é diferente; a seu bel-prazer. Repare-se nesta abertura de cordeiro de Constantino Veiga: “após a entrada do novo presidente da câmara municipal de Guimarães havia uma perspetiva mais otimista, pois o anterior não me entendia”. E o presidente de junta da vila termal tenta adoçar a pílula que pretende oferecer a Domingos Bragança: “é justo que se diga que logo que assumiu a presidência, houve da parte dele uma intenção, que julgo continuará a existir, de investir nas Taipas”. Para, mais à frente, fazer de conta que tudo é (será) diferente: “confio muito no atual presidente, o tempo de remar cada um para o seu lado já acabou”.

2. E já com a conversa em velocidade de cruzeiro, Constantino tenta atirar umas casquitas, das que fazem escorregar qualquer cidadão distraído: “não estando mandatado para representar a ADIT (Associação Para o Desenvolvimento Integrado das Taipas), penso que o presidente da câmara de Guimarães vai ter olhos também para esta instituição, que está a ter um ato de coragem”. Ou de raspão: “o que estão a fazer nas termas é a morte certa dessas pequenas clínicas de fisioterapia. Não percebo como é que aquilo que lá está vai dar rendimento, como o caso dos sabonetes”. Ou ainda: “a prenda que pedia para o novo ano é que os taipense se unissem e deixassem de pensar no partido, nas questões partidárias e se juntassem aos projetos da junta para podermos levar isto por diante”. Se eu fosse taipense oferecia um jantar a que for capaz de entender o que vai na cabeça do autarca da vila termal.

3. Nesta entrevista ao jornal dirigido por Alfredo Oliveira fica bem claro que Constantino Veiga faz de conta que aprendeu a ser um autarca que escuta: “o papel que a oposição desempenha está mais maduro. Nós também sabemos como isto funciona: hoje é uma coisa, amanhã é outra”. Pois é! Se o mandato em curso não fosse o último…

4. Ah! para quem quer uma Caldelas em paz e uma vila de Caldas das Taipas a olhar no futuro esta é uma entrevista para esquecer. Já. Antes que o jantar seja servido.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Guerra sem fim

Contigo não temos nada. Não és ninguém; repugno o sonho como uma libertação ignóbil.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto: roteiro.caldasdastaipas.com
Haverá alguém, seja em Caldas das Taipas, seja no concelho de Guimarães que duvide da forma como o atual presidente de junta de Caldelas gosta do anterior presidente de câmara de Guimarães?
Por mim, aconselho – vivamente – a leitura da entrevista que Constantino Veiga concedeu à última edição do jornal Reflexo. Vale a pena gastar um pouco de pestanas; enganar umas memórias adormecidas.
Palavra!
Ah! Se alguém tiver dúvidas, Magalhães continua a tirar o sono ao presidente de junta de Caldas das Taipas. Não?
Olhe-se nesta rispidez: “António Magalhães foi, de facto, um homem que não quis saber de nada do que se passava na vila das Taipas”.
E nesta direta: “esse presidente que já foi embora devia prestar contas aos habitantes das Taipas”. Como gostava de saber onde é o pelourinho nas Taipas!
Ou ainda este jeito estranho de fazer de contas que há uns e há outros: “é fácil perceber que quem não quis fazer nada aqui foi o Partido Socialista das Taipas e o ex-presidente da câmara”.

Enquanto lia a entrevista – não, não tenho o dom da ubiquidade – ia rindo com a espantosa maravilha que é o Livro do Desassossego.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Tempo que perdemos

Um metro quadrado de matéria compacta pode ser traduzido (isto é: transformado) em dezenas de metros quadrados de matéria mole. Amolecer é o ato de fazer uma matéria ocupar mais espaço.
Gonçalo M. Tavares, Noticias Magazine, 14.12.28
foto: digitaldevizela.com
Domingos Bragança não para no seu desígnio de lutar pela reclassificação do Centro Hospitalar do Alto Ave, no grupo II, ou seja, de por em causa o que diz – continua a dizer, senhores do PSD, CDS e MPT de Guimarães; não venham com tretas para as sessões da assembleia municipal de Guimarães, nem com constantes lançamentos de areia para os olhos dos vimaranenses! – a Portaria 82/2014.

É público o que o presidente da autarquia vimaranense vem fazendo junto de Paulo Macedo. Infelizmente nada se sabe do que o ministro da Saúde tem para dizer aos vimaranenses.

E os senhores do Juntos por Guimarães terão alguma coisa para dizer aos vimaranenses ou já esqueceram o contrato que (dizem) ter celebrado com eles?