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segunda-feira, 13 de abril de 2015

O passado sempre foi um filão para vontades atávicas

A História nega coisas certas. Há períodos de ordem em que tudo é vil e períodos de desordem em que tudo é alto. As decadências são férteis em virilidade mental; as épocas de força em fraqueza de espírito.
Fernando Pessoas, in Livro do Desassossego
Há uma entrevista, de Valdemar Cruz (Expresso, 15.04.03) a Anselmo Borges que importa reter e, porque não?, guardar junto ao missal sempre exposto sobre certos altares da celebração. Pelos sinais de preocupação em relação a uma igreja que “precisa de estruturas mais democráticas e mais participadas”, mas, fundamentalmente, pela forma direta como o professor de filosofia põe o dedo numa ferida sempre por cicatrizar: “estamos habituados a ler a história como a história dos vencedores. É preciso lê-la no seu reverso, que é a história dos ofendidos, dos colonizados, das mulheres”.

E ler (ou escutar) o padre Anselmo Borges é ter os olhos sempre abertos para as dores do dia-a-dia; sempre direcionados para quem tem responsabilidades na sua igreja: “não percebo como é que num tempo de crise, em que há gente a passar muito mal, em vez de andar à procura da canonizar este e aquele, não se canoniza o padre Américo, que é o exemplo vivo do evangelho junto dos mais pobres”.
E, diz este professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, que “quem tomou conta do mundo já não é o Deus do amor, mas o ídolo do dinheiro”. Ninguém acredita, claro! Que o bom do padre Américo não é santo por causa disso. Era o que faltava!
Ah! A admiração de Anselmo Borges pelo atual líder dos católicos não deixa dúvidas: “o papa Francisco dizia que a igreja, na sua história, está cheia de fragilidades. Diria de crimes, inclusivamente”. É verdade, não é?

É sempre bom sentir olhares refrescantes do lado de onde nem sempre os ventos são os melhores para quem se sente cansado dos horrores que matam os dias.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Imensidão do tempo

Houve um tempo em que me irritavam aquelas coisas que hoje me fazem sorrir.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
1. Parece que o PS vai ser outro; um partido sem liderança bicéfala e à distância; um partido onde o que é futuro vai estar só nas mãos de quem que ser futuro, um partido com ideias. Parece!
Era bem preciso! Para não se ter que ler todas as semanas coisas como estas: “Carlos César deu o dito por não dito e mostrou como o PS não tem pejo em recorrer ao Estado para ganhar eleições. Depois de muito criticado, lá veio corrigir-se” (Bernardo Ferrão, Expresso, 15.03.28)

2. “O tempo, que parecia corre a favor de Costa e do PS, parece ter-se complicado”, escreve Henrique Monteiro na última edição do semanário Expresso. Tem toda a razão o antigo diretor daquele semanário. O tempo sempre soube o que fazer e como fazer. O tempo sempre separou o trigo do joio. O tempo sempre colocou ordem no caos precipitado. Daí que o tempo – certeiro como é – jamais deixará que se escrevam palavras como estas: “o menos que se pode dizer da operação que levou António Costa a secretário-geral do PS e a candidato a primeiro-ministro é que não foi elegante”, como escreve Vasco Pulido Valente no Público (15.04.03). Que acrescenta: “para nossa desgraça, António Costa, talvez por falta de inspiração própria, não mostrou até agora capacidade para inspirar ninguém”.

3. O tempo, sempre certeiro, faz o seu caminho e deixa que se façam caminho – o caminho que tem que ser feito e não se esbarra em caminhos paralelos, ultrapassagens sem regras ou à deriva e/ou precipitações feitas passos maiores que o chinelo. Henrique Neto – que “surpreendeu ao anunciar a sua candidatura à Presidência da República, revelando independência apesar da ligação ao PS. E é importante que surjam candidatos fora dos “guiões” partidários” (Pedro Lima, Expresso, 15.03.28) continua a fazer o seu.”

4. Volto a Henrique Monteiro e à sua coluna semanal na edição do semanário Expresso (15.04.03): "[a páscoa] é também um tempo em que muito muda na nossa política. Passos e o governo, parecem, gozar de um sopro de vida que lhes permite sonhar com a vitória. Depois, António Costa já se compenetrou de que não vai ter o passeio triunfal até à prometida maioria absoluta só pelo facto de existir”.
Ai o tempo que sempre coloca tudo na sua ordem! Depois (deste) tempo outro vem.

terça-feira, 7 de abril de 2015

A sobrevivência humana é um exagero

Temos a chave das latrinas e tal é suficiente para ter o domínio da casa e aí começa a tua ambição que vai ao centro da cidade, dá a volta e bate depois com a cabeça contra a parede.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
São deitados para o lixo – sublinhe-se com mágoa – para o lixo, todos os anos 1,3 milhões de toneladas de alimentos.
São arremessadas tantas toneladas de alimentos para a lixeira onde?
Na União Europeia, meus senhores!
Na Europa que sempre se diz rica e solidária; a mesma Europa que quer lá saber que 200 milhões de pessoas noutras paragens do globo deixem de ter fome.
Que mundo civilizado este!
Que europa da treta esta!
Ah! É o mundo que dá lucro a alguns e mata tantos e tantos! É a europa que só alguns querem.

Segundo a FAO “deitamos fora cerca de um bilião de euros por dia em alimentos desperdiçados (…), contudo, ao mesmo tempo, estima-se que existam cerca de 805 milhões de pessoas com fome”.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Ouvido bravo

Os tempos exigem-nos clareza e escolhas políticas.
António José Seguro, in Compromissos para o Futuro
Uma empresa de sondagens ligou para minha casa um destes dias. Queria que lhe dissesse o que penso da saúde em Portugal.
Lamentavelmente aquele estudo (será que era de mercado para qualquer grupo ligado à saúde?) só me deixou emitir opinião sobre o meu médico de família – excedente! – e do centro de saúde onde me dirijo – com um excelente atendimento.
Quando me foi perguntado por dificuldades nos transportes ou no pagamento dos medicamentos a minha resposta só podia ser a óbvia: ainda trabalho e posso pagar medicamentos; tenho transporte próprio e não perco consultas por causa de transportes públicos.
Quem me entrevistou foi simpatiquíssimo, mas não gostei da sondagem. Não pude falar do hospital de Guimarães. Felizmente não tenho tido necessidade de recorrer aos seus serviços.
Felizmente!
Se a tal empresa ligar para os utentes daquele hospital que até dá lucro e tudo, os resultados serão muito diferentes.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Ganhar a que preço?

Bem sabemos que a democracia no nosso país tem muita opacidade e hábitos muito poucos democráticos.
António José Seguro, in Compromissos para o Futuro
gravura: impactogranja.com
A credibilidade de um líder de um partido político decorre grandemente da capacidade de mobilização em torno de um projeto comum e exequível, escreve José Fontes, no jornal Público (15.03.06).
Todos, certamente, estamos de acordo com estas palavras. E então em momentos de desnorte politico como o que vivemos em Portugal!

Miguel Sousa Tavares (Expresso, 15.03.07) pergunta “quem terá a coragem de dizer toda a verdade aos portugueses e prometer governar de acordo com essa verdade? Quem, quem reclama o nosso voto em branco e porquê?”
São duas perguntas tremendas; perguntas que fazem todo o sentido quando olhamos na direção do vazio que grassa nas lideranças político-partidárias em Portugal.

No jornal Público, edição de aniversário, Áurea Sampaio escreve: “cada vez mais vigiados e escrutinados por cidadãos e media, com dificuldades em seguir uma agenda própria e quase sem espaço temporal de decisão, os políticos vivem no eterno pânico de ser perderem nos circuitos do timing”.
Confirma-se, portanto, não é líder político quem quer (ou acha que o pode ser seja a que preço for e da forma que quer). Pelo menos com classe e qualidade.

E depois ainda há quem se admire com as realidades que as sondagens vão mostrando. Esperemos pelas próximas!

segunda-feira, 9 de março de 2015

Na coragem da rutura mantem-se a dignidade

A dignificação da política é crucial para o reforço da relação de confiança entre eleitos e eleitores e, por essa vida., para o aumento dos níveis de envolvimento dos jovens na política.
António José Seguro, in Compromisso para o Futuro
Foto:Gonçalo Delgado (Global Imagens)
Quando leio que o médico Serafim China Pereira abandonou a presidência da câmara de Cabeceiras de Bato e voltou à suas funções anteriores, há duas realidades que não posso esquecer.
A primeira e a mais importante, é a integridade do Homem.
A segunda é constatar que na mesa de onde China Pereira anuncia a sua saída há água nascida em Guimarães.
Gosto da naturalidade das coisas puras e simples!.

E entre a Penha e Cabeceiras vai a transparência e a naturalidade da verticalidade.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Passemos para onde não devíamos ter saído

Uma mão cheia de dor perde-se para lá da colina
Ingeborg Bachmann, in O Tempo Aprazado
1. Pedro Santos Guerreiro, na sua coluna semanal do Expresso, tem sempre textos saborosos e fabulosos sobre a realidade portuguesa; análises extraordinárias de onde sobressaem as dores que vão matando (lenta e dolorosamente) o país e os portugueses.
Na última semana o que nos trouxe foi a realidade do PS; uma desoladora realidade no seu entender. É que, nos dias que correm, “o problema de António Costa não é escorregar numa frase em frente de chineses nem ter Sócrates preso. É não saber o que fazer ao país”.
Caramba! Terá sido para esta indefinição que Costa fez o que fez a Seguro, há uns tempitos atrás?

2. No mesmo semanário e na habitual rubrica Altos e Baixos, Pedro Lima coloca o atual líder do PS – caramba! Que terá o semanário dirigido pelo irmão do líder do PS contra o líder do PS? – em descida por António Costa, apesar de “bem se esforçar para apresentar Portugal como exemplo do falhanço de políticas de austeridade”, ter dado na semana anterior “um tiro no pé” ao dizer que «Portugal está “diferente”, dando a entender que está melhor».
O quê Portugal está melhor? Ó diabo! Seria boa ideia o presidente de câmara de Lisboa percorrer o país e tentar perceber que os portugueses que sofrem não têm carros que (já) possam entrar em Lisboa.

3. As últimas sondagens colocam o PS, de António Costa, à beira do fim; apesar de parecer um partido vencedor.

4. Os portugueses que se sentem (a cada dia que passa e a cada aumento de dores) enganados acreditarão que a entrevista de Pedro Passos Coelho no Expresso se fala verdade quando se admite um Bloco Central?

Outras mudanças começaram por menos!

quarta-feira, 4 de março de 2015

Urgência de realidades

Não vos enredeis, tímidas folhas
em vossas rosadas raízes
Walt Whitman, in Cálamo
foto: oinsurgente.org
Quinta-feira, dia 26 de fevereiro. 22H33. O meu telemóvel vibra. Era um SMS que entrava. Com remetente claro; sim porque agora recebe-se publicidade de quem nem se sabe quem envia! E com promoções!
Abro. Um longo texto. Que li e guardei; para mais tarde recordar. E confrontar com as ilusões que se vendem, como quem vende carros.
Não comentarei o que António Costa me enviou no seu SMS.
Mas, nesse início de noite – noite com uma novidade na sede central do partido socialista (eu escrevo sem receios por extenso) fazia-se a apresentação da grande moda do momento: um jornal online – percebi, ou melhor (re)confirmei que em politica nem tudo o que luz é ouro. Ou seja, nem sempre os oportunismos garantem vitórias.
Nesse início de noite recordei a verticalidade de quem, tal como prometido no calor das agitações feitas facadas, soube recolher-se ao silêncio de quem tem ideias de futuro. Estará agora a ver espalhanços e espalhanços que metem dó?
Nesta altura com enorme ondulação a percorrer tantas praias, outrora vazias, só lamento e receio muito o que aí vem.
Que não caberá em qualquer SMS; por mais longo que ele possa ser.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Terra marginal

Os carrascos de ontem bebem a taça de ouro
até ao fim
Ingeborg Bachmann, in O Tempo Aprazado
Ponto prévio: em declarações à Rádio Renascença o atual cardeal de Lisboa Manuel Clemente disse que “Jesus Cristo deu uma ordem aos cristãos para se meterem na política que não deve ser ignorada”.
Deu? Jesus ou Cristo?
Cristo, nascendo tão depois de Jesus, encontrou em acção outros interesses.
Mas Manuel Clemente tem razão: Jesus era um homem sério, ponderado, lutador; muito além do seu tempo. Sabia estar com os que sofriam, nunca lhes virava as costas e não tinha medo às palavras quando se tratava de obrigar a fazer descer das árvores os pequenos devedores. Ah! E dava pistas e indicava caminhos para destruir reinos perigosos e vazios; enquanto anunciava um outro reino.

Este ponto prévio, parecendo descabido (sei muito bem que o será para muitos que se consideram ultrajados por se mexer no comodismo da sacristia) serve de introdução às notícias – as boas noticias – que nos trazem noticias tremendas (pela sua dimensão e consequências); noticias que nos mostram como homens bons sempre são reconhecidos pelas pessoas de bem.
Uma delas lia-a há pouco no Igreja Viva (suplemento do Diário do Minho): Papa Francisco reconhece martírio do arcebispo de El Salvador, Oscar Romero. Um santo a considerar. Martirizado pela violência de um tempo violento (terá nascido no tempo em que vestiram Jesus de Cristo?)

Ah! Por falar em homens bons, nunca é demais lembrar estas palavras: “não há absolutamente lugar no ministério para aqueles que abusam de menores”. (carta do papa Francisco aos presidentes dos episcopados e aos superiores das congregações religiosas)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Olhar do silêncio II

gravura: entropia.blog.br
Depois de décadas a elogiar as virtudes do gratuito, do imediato, do descritivo e do emotivo, o jornalismo mainstream vê-se confrontado com o cansaço e a desfidelização de parte da sua audiência.
Sandra Monteiro, le Monde diplomatique, fevereiro 2015, E, 15.02.21

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A espera aumenta

O que os meus olhos veem é um enigma.
O que os meus olhos olham passa a passo.
Ruy Cinatti, in Os castelos interiores
Em entrevista à edição de fevereiro do Reflexo, Domingos Bragança fala de si, do seu partido, de Guimarães e do seu projeto para o seu concelho.
Esta entrevista do presidente de câmara de Guimarães é uma entrevista atípica, porque natural; é uma conversa, como o diretor do jornal assume em editorial, onde Bragança diz o que lhe vai na alma. E onde, embora a espaços, se mostra desprendido. Mas sempre pronto a vincar que não está distraído – “a vida político-partidária faz-se de jogos, de manhas, de táticas e eu gostava que a vida democrática, entre os partidos políticos, fosse mais do contraditório, da explicação, da proposta alternativa e de todo esse debate”.
Tudo clarinho? Aparentemente sim, mas façamos uma segunda leitura: “a vida político-partidária faz-se de jogos, de manhas, de táticas. Ui! Gosto muito da ideia do contraditório. É linda; quase lírica, mas faz todo o sentido.
Sobre o dia-a-dia em Santa Clara, Bragança não hesita em comparações com o passado recente. Aí, sem sombra de dúvidas, está em campo o atual presidente de câmara de Guimarães; que, de forma claríssima, diz que é ele – e só ele – o edil vimaranense. Mesmo que, suavizando, vá dizendo “são [António Magalhães e Domingos Bragança] duas pessoas com personalidades diferentes e é bom que seja assim”.

Esclarecido o posicionamento de Bragança em Santa Clara, o autarca vimaranense mostra como gosta da prática política: “creio que as pessoas já perceberam a minha maneira natural de ser e de dizer as coisas”. E clarifica como se posiciona na coisa pública: “a democracia é muito exigente. Exige a aceitação do argumento, da divergência e daquilo a que chamo o contraditório. Não há democracia, nem desenvolvimento das sociedades sem contraditório”.
Haverá, agora, dúvidas da postura política de Domingos Bragança?
Fica assim totalmente claro quem ‘comanda’ o dia-a-dia em Santa Clara: “é inegável que eu abri as reuniões de câmara, que são participadas, analisadas, analisando, discutindo, dando explicações sobre o que estamos a fazer e, obviamente, ouço muito mais”. Tudo muito certinho, portanto. Ou ainda haverá quem goste de misturar o velho com o novo?

Claro que a entrevista sendo, para um jornal com sede em Caldelas, aborda questões de interesse para aquela comunidade vimaranense. Importa, por isso, destacar este desafio do presidente de câmara de Guimarães: “neste momento está a ser escolhida uma equipa externa de projetos para acompanhar o projeto [requalificação do centro das Taipas], da mesma forma que foi feito com a intervenção no Toural e na Alameda de S. Dâmaso”. É uma grande notícia para Caldas das Taipas!


Não duvido, nem um pouco, que os taipenses ficam a aguardar ansiosamente que estas obras surjam no terreno. Até porque para o presidente de câmara, com o rio limpo “e com o parque natural e as termas que são um valor indissociável das Caldas das Taipas” – a vila termal “terá todas as condições para recuperar a vocação turística”. E se lhe juntarmos a recuperação urbana…

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Padrão invariável

Como o homem normal diz disparates por vitalidade, e por sangue dá palmadas (…) sangue, e, quase sempre, paisagem invisível de rua conhecida.
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego

A última edição do jornal Reflexo (fevereiro de 2015) é para guardar. Pelos taipenses felizes pela aposta na qualidade do trabalho que se começa a desenvolver na sua terra e pelos vimaranenses que ficarão com argumentos para se convencer que o futuro de Guimarães não está escrito só em Santa Clara (cada vez mais) ou no Toural (cada vez menos).
Os principais interventores políticos vimaranenses foram até à vila e disseram o que lhes vai na alma; o que querem para Guimarães e como encaram o futuro coletivo em terras de D. Afonso. Desse belo trabalho jornalístico destaco:

foto: planoclaro.com
1. Começando pelo vereador da coligação de direita em Guimarães, André Lima, até me apetecia dizer que as suas palavras cumprem o papel da oposição, mas, pensando melhor, não. O líder laranja vai fazendo de conta que tem ideias, mas tem sempre alfinetadas incompressíveis – “a nossa postura tem sido responsável, sem nunca abdicar da função fiscalizadora que compete à oposição”.
Claro que o papel da oposição é fiscalizar, alertar e mostrar que há alternativas! Será por isso, que André Lima afirma que “[o PS] não tem tido para com as nossas iniciativas políticas a maturidade política que nós temos demonstrado com algumas iniciativas do PS”? Não creio. Mas o tempo é bom conselheiro e faz sempre justiça. Para já é o discurso oficial do PSD é o discurso de sempre. Coisas que já ouvimos e lemos, vezes em conta. Só assim se compreende esta afirmação: “na câmara de Guimarães e no PS há um princípio de desconfiança nas juntas de freguesia. Estamos perante uma câmara marcadamente centralista”.
Há uma ideia boa a perpassar a vontade política de André Lima: “Guimarães deve ambicionar ser um concelho verde, independentemente do título”.
foto: cm-guimares.pt

2. O outro parceiro da coligação de direita, Monteiro de Castro, não diz muito, é verdade!, mas deixa uma verdade que importa reter: “[a situação vivida com o orçamento participativo 2014] é seguramente um dos momentos mais negativos destes primeiros meses do mandato”.

foto: facebook.com

3. Por fim, Torcato Ribeiro, o vereador da CDU, como sempre, foca-se no essencial. Primeiro, no que está na moda: “a despoluição das nossas linhas de água é fundamental para a nossa qualidade de vida independentemente do título de capital verde europeia”. Depois naquilo que tem que mobilizar os vimaranenses: o Avepark: trata-se “de um projeto que é essencial para o nosso concelho e, infelizmente, não está a ter a devida discussão pública”.
O resto, porque não é de somenos importância, obriga a reter duas ideias: “num executivo democrático todas as vozes contam e a minha tem contado. Gostaria é que contasse efetivamente mais” e “tendo maioria absoluta, o executivo dá prioridade na realização e aprovação das suas propostas que constam do seu programa eleitoral”.

Em estado de alerta

Houve uma “regressão brutal” da liberdade de imprensa em 2014.
Título do Público, 15.02.13


Numa peça de Ana Gomes Ferreira ficamos a saber que “em todo o mundo, trava-se uma guerra à informação”. Por muitas razões, mas o «objetivo é comum: “reduzir ao silêncio pelo medo e pelas represálias”».
Este trabalho da jornalista do diário Público vem na sequência do relatório dos Repórteres sem Fronteiras sobre a liberdade de imprensa no mundo, que escreve: “a tendência dos últimos tempos não só se confirmou, como piorou e, no ano que passou” assistiu-se à tal “regressão brutal”.

Que se pode dizer quando, quase sem sair da porta, se vê o que se vê?

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Tempo de enfrentar outras realidades

foto: exame.abril.com.br
Não foi o meu camarada (assim se chamavam os jornalistas) …, escreve Henrique Monteiro, a abrir a sua crónica “Hoje sou adepto de Keynes”, no semanário Expresso (15.02.14).

Era, sim senhor! Assim que os jornalistas se tratavam. Lembro-me tão bem!
Como é que hoje se tratam?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Os bons, os maus e o vazio que aí vem

Os movimentos do pensamento atiram-se às partes débeis do outro, não têm prioridade física nem moral.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
Já tive a oportunidade de transmitir pessoalmente a alguns amigos (militantes comunistas) que o PCP – o novo PCP com gente que me faz inveja, pelo charme com que se apresenta em frente às câmaras e dá a cara nos debates mais importantes sobre o futuro do país – é capaz de levar muitos portugueses atrás de si.
E depois da proposta – bem inteligente, muito mais oportuna do que a de alguns pretensos donos do futuro, que, saindo por detrás da moita acenaram com uma mão vazia e outra cheia de silêncio, de apertar a malha “à riqueza ilegal” – acredito que, não são só as camisolas negras, sob casacos negros, convencerão os portugueses; principalmente as portuguesas, encantadas pelo charme jovem. Como é importante olhar com mais atenção para a nova realidade comunista em Portugal. Há tantos portugueses fartos de colarinhos brancos por outras bandas que a límpida escuridão, vindos de jovens comunistas portugueses pode fazer mais pela esperança de um futuro melhor do que um certo vazio divisionista mais à esquerda.

Ah! E aquele texto de João Ferreira no Público de domingo passado é uma realidade que tem que ser discutida. Pelo menos devia! Por todos aqueles que dizem ter contratos a celebrar com os portugueses ou agendas para muitos anos.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Sim é verdade, as notícias morrem. Os efeitos duram, duram,…

Só bate e mata quem antes nunca foi escutado.
Gonçalo M. Tavares, Noticias Magazine, 14.12.28
Imagem:/bip.inesctec.pt
Segundo se pode ler no editorial do jornal Público (15.01.30) “lidar com os ventos helénicos está a perturbar partidos portugueses. Cá dentro, o PS está mais ou menos na mesma, talvez embraçado pelo tsunami que varreu o seu homólogo Pasok da cena política grega, talvez incapaz de saber como tirar o partido da situação, como ainda há dois dias provou no parlamento”.
Curiosa leitura do Público! Que, quer queiramos, quer não, é uma realidade que nos faz (devia fazer) pensar a nós portugueses sempre contentes com o nosso umbigo. Desde logo, porque “a vitória do Syriza conseguiu o milagre que a política nacional não conseguiu: pôr a esquerda a falar em uníssimo” (Expresso, 15.01.31), ou seja, os partidos portugueses dizem até ao fim que todos fazemos de conta que o que é mau é só para os outros; nós somos excelentes.

Por mim, independentemente de sublinhar a posição de João Garcia (Expresso, 15.01.31) – o debate do pós-eleições gregas está a mostrar que a Europa enquanto instituição ou coletivo não existe. (…) Cada país anuncia a sua convicção e marca lugar. Espeta o alfinete onde bem quer e junto dos aliados que lhe interessa –, faço questão de vincar, sem receio de ser arrumado do sítio onde estou há muito (quem sabe se há tempo demais!) que os partidos portugueses fazem de conta que (tal como outras instituições, afinal vizinhas na ação diária), só a sua verdade é absoluta; total e só ao alcance dos iluminados. Que, por isso, têm que pertencer ao cubículo.
Há muito que perdi a vontade de suportar vontades alicerçadas em vaidades, sempre em bicos de pé, de tipos inertes, vazios e incapazes. Isto é, só posso subscrever as palavras de João Adelino Faria (Dinheiro Vivo, 15.01.31): detesto usar gravata, mas não tenho alternativa. Parece que precisamos de ter um nó de sede na garganta para podermos ser levados a sério.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Nem tudo são rosas

Escreve António Guerreiro (Ípsilon, 15.01.23) que «o poeta russo Mandelstam, que morreu no Gulag, terá dito um dia à sua mulher: “não nos devemos queixar, em nenhum outro lugar se respeita tanto a poesia: até se mata por causa dela”».
Como é tremendo viver, pensar, dizer o que vai na alma; ser diferente.
Só não entendo por que, cada vez mais, se vende menos poesia.

Ou, pensando bem, entendo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Jantar com aperitivo

Repugno a vida real como uma condenação; repugno o sonho como uma libertação ignóbil.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto:article.wn.com
1. O presidente de junta de Caldelas concede uma entrevista ao jornal taipense Reflexo (janeiro 2015) que, podendo parecer, de repente, o contrário, não traz nenhuma novidade. A ninguém. Nem a ele que já não sabe bem onde está a porta do futuro. É o mesmo estilo caceteiro de sempre – ainda que tente criar a ilusão, agora que em Santa Clara há outros protagonistas, de que tudo já é diferente; a seu bel-prazer. Repare-se nesta abertura de cordeiro de Constantino Veiga: “após a entrada do novo presidente da câmara municipal de Guimarães havia uma perspetiva mais otimista, pois o anterior não me entendia”. E o presidente de junta da vila termal tenta adoçar a pílula que pretende oferecer a Domingos Bragança: “é justo que se diga que logo que assumiu a presidência, houve da parte dele uma intenção, que julgo continuará a existir, de investir nas Taipas”. Para, mais à frente, fazer de conta que tudo é (será) diferente: “confio muito no atual presidente, o tempo de remar cada um para o seu lado já acabou”.

2. E já com a conversa em velocidade de cruzeiro, Constantino tenta atirar umas casquitas, das que fazem escorregar qualquer cidadão distraído: “não estando mandatado para representar a ADIT (Associação Para o Desenvolvimento Integrado das Taipas), penso que o presidente da câmara de Guimarães vai ter olhos também para esta instituição, que está a ter um ato de coragem”. Ou de raspão: “o que estão a fazer nas termas é a morte certa dessas pequenas clínicas de fisioterapia. Não percebo como é que aquilo que lá está vai dar rendimento, como o caso dos sabonetes”. Ou ainda: “a prenda que pedia para o novo ano é que os taipense se unissem e deixassem de pensar no partido, nas questões partidárias e se juntassem aos projetos da junta para podermos levar isto por diante”. Se eu fosse taipense oferecia um jantar a que for capaz de entender o que vai na cabeça do autarca da vila termal.

3. Nesta entrevista ao jornal dirigido por Alfredo Oliveira fica bem claro que Constantino Veiga faz de conta que aprendeu a ser um autarca que escuta: “o papel que a oposição desempenha está mais maduro. Nós também sabemos como isto funciona: hoje é uma coisa, amanhã é outra”. Pois é! Se o mandato em curso não fosse o último…

4. Ah! para quem quer uma Caldelas em paz e uma vila de Caldas das Taipas a olhar no futuro esta é uma entrevista para esquecer. Já. Antes que o jantar seja servido.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Rumor de traição

foto:rr.sapo.pt
Procuramos a porta nas paredes em que sabemos que não há portas.
António Lobo Antunes, in Ípsilon, 14.11.07

João Proença, antigo líder da UGT, concedeu uma entrevista aos jornalistas da TSF Hugo Nentel e Vítor Rodrigues Oliveira que foi publicada no Dinheiro Vivo do último sábado. É uma entrevista que importa ler e reler. Porque é uma entrevista estranha. Cheia de oportunismos; quer nas palavras de circunstância, quer na forma como o senhor se põe em bicos de pé para fazer de conta que pode estar onde não está.
É uma entrevista de alguém que depois de não ter sido capaz de ser o que queria ser noutras circunstâncias, se atirou para a frente num esforço tremendo de apagamento de um passado recente e faz de conta que nunca foi o que tentou ser.
Não deixam de ser curiosas estas suas duas afirmações:
“Será importante que comecem a ser discutidas medidas concretas e que o PS afirme claramente as suas medidas em alternativa às do governo”.
“Eu espero, sobretudo, que em breve [António Costa] possa apresentar ideias no quadro da comunicação a que se comprometeu”.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Inimigos da tolerância

Quero ter a raça humana toda contra mim. É uma alegria que me consolará de tudo.
Baudelaire


foto: geledes.org.br
Inserido na edição do passado dia 15 o jornal Público, com o título Charlie Hebdo: uma reflexão difícil, publica um texto de Boaventura Sousa Santos que importa, desde logo, reter para pensarmos com toda a calma e ponderação no que por aí vai. E pode vir.

Do extraordinário texto retenho duas ideias.
A primeira – “é sabido que a extrema agressividade do Ocidente tem causado a morte de muitos milhares de civis inocentes (quase todos muçulmanos) e tem sujeito a níveis de tortura de uma violência inacreditável jovens muçulmanos contra os quais as suspeitas são meramente especulativas” – não deixa dúvidas sobre a forma como o mundo está cada vez mais dividido sobre o futuro e sobre a ideia de quem domina (ou, dizem alguns, deve dominar) quem.
Depois, a segunda, vinca de forma clara como «uns são melhores que os outros» e, por isso têm que dominar. Escreve o sociólogo: “a resposta francesa ao ataque mostra que a normalidade constitucional democrática está suspensa e que um estado de sítio não declarado está em vigor, que os criminosos deste tipo, em vez de presos e julgados, devem ser abatidos”.

Mas não é só em França, agora que as coisas em mudança são mais nítidas, não que tudo está em mudança. Também em Inglaterra se abriram muito as portas para o exagero: “se em Inglaterra um manifestante disser que David Cameron tem sangue nas mãos, pode ser preso”. E termina assim a sua ideia o sociólogo: “em França, as mulheres islâmicas não podem usar o hijab”. Ou seja, há muito que Inglaterra e França vão fazendo de conta que respeitam a liberdade de alguns e principalmente a liberdade de expressão.
foto: blogdaboitempo.com.br
O pior é que nenhum estado europeu (mas não só, diga-se) está preocupado com o essencial: “a crise social causada pela erosão da proteção social e pelo aumento do desemprego, sobretudo entre jovens, não será lenha para o fogo do radicalismo por parte dos jovens que, além do desemprego, sofrem a discriminação étnico-religiosa”?, vinca Boaventura Sousa Santos.
Mas a isso, nós cidadãos acomodados e sempre prontos a abanar com a cabeça, dizemos nada. Talvez adoremos o poeta francês tenha razão e desejemos ter a raça humana toda contra nós.
Por isso, o editorial do semanário Expresso (15.01.17) – “a ressaca dos acontecimentos de Paris obriga-nos a ter cuidado sobre novas legislações securitárias” – não deixa (não devia deixar) dúvidas. A ninguém.

Nota final: é fundamental sublinhar as palavras de Elísio Summavielle (i, 15.01.17): “por Deus há seres humanos que matam seres humanos, e por Deus aconteceu a barbárie de Paris. (…) Sou sempre da liberdade, e gostaria muito de crer que Deus também”.