segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Tempo (que) volta para trás

Trabalhamos entre as certezas. Sem nunca deixarmos apanhar pela ilusão de que estamos no caminho certo. É um lugar com que o poder tem muitas dificuldades em se relacionar.
João Fiadeiro, Ípsilon. 15.06.19
E o estacionamento aqui na minha rua; mesmo ao lado do multiusos de Guimarães? Um espanto!
Há carros em segunda, terceira linha; sei lá que mais linhas. É só passar e analisar!
Há quem queira sair de casa e o faça com dificuldade; há quem queira passar na rua e fique obstruído; parado.
E isto todas as noites; mas à sexta e sábado à noite…
É verdade que, algumas vezes se vê a polícia por cá; já vi quando saio de casa para a minha corrida, mas isso é ao fim de tarde, quando só um ou outro carro (quase sempre de passagem rápida para uma compra ou um café) está fora do sítio.
Mas, sejamos clarinhos, como há de ser o futuro: também nisto temos que ser uma cidade que se quer verde.

Olhar do silêncio

A ficção faz, de facto, muito sentido. O PSD e o CDS vendem-nos a ideia de que se continuamos o caminho seguido chegaremos a um Portugal desenvolvido.
Henrique Monteiro, Expresso, 15.08.29

domingo, 30 de agosto de 2015

Verdadeiro para si mesmo

Onde existe a sombra há luz do outro lado.
Carlos Poças Falcão, in O número perfeito
foto: galeriadomquixote.com.br
Há silêncios que podendo parecer não o são. Evidentes!
São profundos!
Certeiros.
Não deixam; nem por isso, de ser silêncios.

sábado, 29 de agosto de 2015

Esperança perdida

E a cidade
morria. Pequenas derrocadas, abandonamos
derivações do sonho, violências.
Carlos Poças Falcão, in O número perfeito
Porque está na hora de começar a por ordem um passado, ainda recente, onde o entusiasmo tomou conta de grande parte dos meus dias, vou ousar (hoje) transcrever este excerto de um SMS enviado (por mim) em 14.10.17 para um amigo:
Viva, tudo bem?
Posso fazer-te uma pergunta difícil?
Estou mesmo, mesmo a desistir de estar ao lado onde tenho estado. Por isso, peço desculpa e ouso perguntar: vamos continuar a ter um lado seguro para onde caminhar?

Sei muito bem qual foi a resposta do meu amigo. Essa não a divulgarei, mas – caramba! –, não é que o meu amigo já antecipava o futuro: está tudo a bater certinho. Infelizmente!

Atenção aos sinais de sentido contrário

O discurso político tornou-se, em muitos casos, tão redondo que as pessoas sentem que os políticos falam para si mesmos e uns para os outros.
Mariana Mortágua, E, 15.08.23
foto: ovilaverdense.com
Não sei se alguém já reparou – sim!,sei muito bem que vivemos um período de férias –, mas Rui Barreira anda calado que nem um rato.
Que virá a seguir? 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Ícone incontornável

É tão triste no outono concluir quer era o verão a única estação
Ruy Belo
foto: pressreader.com
À entrada da velha fábrica de calçado Campeão Português, um cartaz em tamanho XXL garante: o conforto voltou”, pode ler-se no semanário Expresso (Economia) do último sábado onde se pode ler ainda que por ali está prometida nova vida.
Se for verdade o que José Ferreira afirma – um volume de negócios de 12 milhões de euros em 2020 na Campeão Português –, só posso dizer que é “a segunda vida” daquela casa; uma bela vida se deseja.
E sei muito bem quem ficará vestido de felicidade com tamanha novidade!

Olhar do silêncio III

As esquerdas que se opõem ao neoliberalismo vão ter de reagir a uma tragédia que não causaram. Não está em causa apenas a falência da social-democracia.
Sandra Monteiro, le Monde diplomatique, agosto 2015

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Realidade tão crua; o valor de nós

As memórias são náufragos
que regressam
Vasco Ferreira Campos, in A voz à chuva
foto:pedraformosa.blogspot.pt
Já perdemos todas as memórias; se, ao menos, fossemos capazes de olhar o futuro com olhos de futuro!
Continuamos (todos) à deriva; queremos lá saber das nossas origens. Saber como era dantes para quê?
A Sociedade Martins Sarmento e a Câmara de Guimarães até podem fazer tudo para manter vivas muitas memórias, mas ninguém quer saber. E então em Guimarães, onde a vaidade circula em topo de gama ao domingo de manhã pelo Toural!
Estas duas instituições de referência em terras de D. Afonso até podem ter gasto uns milhares de euros por ano para garantir que as pessoas possam usufruir da citânia de Briteiros, mas (só) olhar para aquele recanto histórico quando o fogo entra pela citânia dentro, faz de nós vimaranenses vaidosos e ditos eruditos uns bananas.
A sério! Às vezes questiono-me se saberei mesmo se há alguém que quer para saber para onde vamos.
Queremos mesmo as pedras da memória espalhadas pelo chão da nossa indiferença ou o fogo destruidor das nossas memórias a percorrer o antanho de nós?

Memória futura

Percorrem as mulheres a violenta
noite dos homens. Sempre longe, dentro
duma infindável diferença.
Carlos Poças Falcão, in O número perfeito
Carla Cruz, cabeça de lista da CDU pelo distrito de Braga, esteve (mais uma vez) na Universidade do Minho, a defender que é preciso apoiar mais os alunos com dificuldades em continuar a sua preparação do futuro.
Não esperava outra coisa; de Carla Cruz e da proposta eleitoral da CDU. E, já agora, não é só “mais segurança para os campis universitários” –, que é muito importante, obviamente –, é mesmo “o aumento da dotação financeira para a ação social escolar”. É assim mesmo: direto e conciso.
Gosto da clareza nas propostas políticas. Estou convencido que a Universidade do Minho e os seus diferentes órgãos agradecem esta atenção de quem sabe olhar no futuro.
Tomara que outros tivessem a normalidade da ação de Carla Cruz. Sim em Braga.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Sombra colorida

Simplesmente, o sono e o vinho há muito que tinham toldado os dois soldaditos.
José Cardoso Pires, in O Hóspede de Job
Diz o Expresso (Imobiliário) que os mercados municipais “ganham nova vida”.
Será mesmo?
Às vezes, até gosto de madrugar e passar pelo mercado de Guimarães, mas aquilo é tão grande superfície!
Sim!, há pessoas supersimpáticas, mas ao pagar fica sempre o mesmo suspiro: é uma treta vir ao mercado. Mais caro; nem sempre fresco.
Os mercados municipais são uma treta; ou mudam ou morrem.

Desafios em fragmentos

Uma torrente de morte flui em silêncio
a caminho da infância.
Vergílio Alberto Vieira, in As sequências de Pêgaso
foto: educris.com
O mundo tem atualmente 60 milhões de refugiados.
Assustador!

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Euforia e cautela

Regressavam às suas terras, atravessando as vilas em rebanhos do silêncio.
José Cardoso Pires, in O Hóspede de Job

Parece que o gigante da internet que domina o mundo; as nossas vidas, nós e os nossos silêncios quer dar mais visibilidade ao minho. Sim, a Google Cultural Institute (uma plataforma digital dedicada à divulgação e partilha de arte e da cultura) vai promover a sé de Braga e o castelo de Guimarães. Não importa a ordem; são referências minhotas.
Gosto (muito) da ideia.
Penso, todavia, que o minho tem a obrigação de disponibilizar outras maravilhas. Infelizmente estamos no minho; há muitos umbigos piores que a dimensão da internet.

Olhar do silêncio II

foto: cienciahoje.pt
Criar e dirigir um serviço de gastrenterologia de tipo mundial é o meu grande desafio de carreira.

José Cotter, Expresso (Economia), 15.08.22 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Cadáveres à deriva

Sobre a mesa deixei algumas palavras
para gastarem a sua precisão obscura.
Vasco Ferreira Campos, in A Voz à chuva
foto: publico.pt
Até que enfim!, o senhor acordou para a realidade.
“Marinho e Pinto assume risco de ficar fora do parlamento” (título do Expresso, 15.08.22)
E ainda há quem, por estas bandas, diga que o senhor é candidato a primeiro-ministro de Portugal!
Era o que faltava! Mesmo que, por cá, para grande espanto, se vejam uns tantos (ditos) senhores da plena e total liberdade. Pois! Quem sabe o tempo coloca ordem entre algumas colunas à deriva.

Olhar do silêncio

foto: dn.pt
Desce Paulo Macedo
Os administradores hospitalares estranham incentivos médicos que surgem à porta das eleições.
Sobe e Desce, Jornal de Noticias, 15.08.22

domingo, 23 de agosto de 2015

País decadente; nação perdida

Por cá, a política parece particularmente empenhada em cultivar a sua própria insignificância. (…) Não se discutem propostas eleitorais uns por inabilidade em as apresentar, outros porque fogem a discuti-las.
Afonso Camões, editorial, Jornal de Noticias, 15.08.23
foto: diariodigital.sapo.pt
Desde há muito que me habituei a ler com toda a atenção o que Henrique Monteiro publica. Sigo-o; sempre atento aos seus desafios. Às vezes, sabe muito bem por que o faz, até parece iludir-nos com as suas palavras; mas, mal entramos no seu pensamento, percebemos logo onde nos leva.
É o caso do seu texto na edição (em papel) do semanário Expresso de ontem: “na travessia do deserto, durante 40 anos, Moisés acenou com a Terra Prometida. Nunca a viu. Temo que esta nova religião da Economia, dos gráficos, das estatísticas e dos números prometidos seja, também, uma terra que jamais veremos em vida.”

Claro que – pelo meio, pelas travessias violentas que vão desfazendo Portugal, Sandra Monteiro (Le Monde diplomatique, agosto 2015) – “depois de retirar cada vez mais poder de compra aos atuais pensionistas e de abandonar à lei da selva grande parte dos que excluiu da proteção social (a começar por metade dos desempregados), a coligação no Governo entende ser a altura de dizer o mínimo possível sobre os próximos cortes a infligir aos pensionistas atuais” – sabe muito bem onde pôs o seu dedo.

E não é que o meu conterrâneo José Machado também!
Reparemos nas palavras do cabeça de lista do PCTP/MRPP, na entrega da lista distrital de Braga daquele partido: “É um crime que se está a cometer contra o futuro de Portugal gastar milhões de euros no futuro dos nossos jovens, para os oferecer de mão beijada aos outros países que os acolhem.”

Pois é! Saberemos nós portugueses (esmagados pela estúpida acção de um governo que não o é, antes voz do dono que berra de Bruxelas) dar a resposta conveniente a gente sem escrúpulos e sem respeito pelas pessoas?

sábado, 22 de agosto de 2015

Oficina de mitos

Pode haver pior sorte do que nascer para criado do pobre?
José Cardoso Pires, in O Hóspede de Job
O Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) anunciou, um destes dias, que as obras de reabilitação no exterior e nas zonas comuns do bairro de Creixomil, em Guimarães – num investimento de 1,7 milhões de euros – vai avançar.
E para reforçar essa vontade intrínseca de ilusão, diz o departamento de estudos, planeamento e assessoria do IHRU que tal conquista épica é para avançar; já.
Não faço a mínima ideia  se é verdade ou não esta coisa, mas gostaria que em Guimarães – para além dos partidos do governo – me dissessem se é ou não é uma notícia a pensar no dia 4 de outubro próximo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Que coelhada!

foto: jornaldenegocios.pt
Passos Coelho pediu aos portugueses desempregados que não têm dinheiro para dar de comer aos filhos que evitem o “azedume, amargura e ressentimento”.
O Inimigo Público, 15.08.21

Está difícil virar a página

Eles erguem os mastros na concha dos navios
e distendem os mares e polvilham as ilhas
Carlos Poças Falcão, in Bumerangue 1
foto: jornaldemafra.pt
Odeio notícias deste tipo – há tantas outras, que metem dó; que, ou denotam desconhecimento jornalístico (o que acredito) ou provam controlos (ao pormenor) que por aí circulam. Noticias com títulos assim: “António Marinho e Pinto o candidato a primeiro-ministro do Partido Democrático Republicano (PDR) …” (Diário do Minho, 15.08.13)

Caramba! as eleições do próximo dia 4 de outubro são para escolher os representantes dos portugueses no parlamento (na AR) português. Só.
Tudo o resto é treta; conversa sem sentido.
Sim, eu sei que é isso que os partidos vendem, mas não se pode comprar tudo; mesmo que esteja em saldos. E há por aí coisas ditas partidos que morrerão após a certeza de que oportunismos balofos ou disfarces políticos nunca são solução para as pessoas.
E o jornalista que se preza olha, investiga, confirma e não deixa que Marinho e Pinto vá por aí fora. Ai dele!

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Cidade de horizontes

A chama, fina unha de luz
quando o teu rosto trai o dia.
Emanuel Botelho, in Bumerangue 1
foto: xled.com.br
Por decisão do executivo municipal de Guimarães, presidido do Domingos Bragança, as “freguesias de Guimarães voltam a ter todas as luzes ligadas” (título do Diário do Minho, 15.08.14)
À partida, não gostaria desta realidade; parecia que se estava a voltar a ‘luxos’ de antigamente. Mas não. Ela significa um passo em frente (muito, muito importante; por mais que possam dizer o contrário) para que Guimarães seja, na verdade, de facto e em cada pormenor, uma cidade verde, significa que há uma cidade que não quer saber somente de árvores, rios e espaços verdes.
Pois é! Com a remodelação da rede pública de iluminação no concelho de Guimarães, a tecnologia LED (menos gastadora, mais amiga do ambiente; porque menos emissora de CO2) permite diminuir (substancialmente) todos os custos. Económicos, ecológicos e, obviamente, ambientais.
E isso não é excelente?

Reflexão crua

Querem-nos mal instruídos para cumprirmos tarefas ou trabalhos mal pagos, sem levantarmos a voz (e ai de quem o faça!), sem sabermos os nossos direitos e sem opinião acerca da política, da economia e da sociedade portuguesa.
Nuno Granja, Jornal de Noticias, 15.07.10
1. Então é assim e em bom português: a tropa fandanga que diz que governa Portugal, mas só cumpre reverencialmente o que Bruxelas (e os seus mandantes sem escrúpulos), já não nos engana. E se insiste, o resultado só pode ser o que Fernanda Câncio (Diário de Noticias, 15.08.14) nos mostra: «bem podem os especialistas em “medição de pobreza como Carlos Farinha Rodrigues ou a Caritas alertar para o facto de nos últimos anos se ter agravado brutalmente a situação dos mias desfavorecidos; a noção de que “o pior passou” parece estar a triunfar».

2. E, tal como David Ponte (Jornal de Noticias, 15.08.14) – o que aconteceu nos últimos anos no mercado de trabalho é talvez a maior “reforma” que este Governo fez, ao alertar as relações de podere entre empregador e empregado, com claro beneficio para o primeiro –, aqueles senhores que dizem querer Portugal à frente só querem estar mesmo no caminho certo dos dominadores de Bruxelas.

3. Se dúvidas pudessem existir, e não podem, reparemos neste pormenor que Margarida Fonseca (Jornal de Noticias, 15.08.15) nos transmite: é simples: um telefonema, palavras vagas quanto a pagamentos e a folgas (que nunca chegam a existir), aviso que será trabalho temporário. E é. A nova “moda” no setor da restauração é colher jovens em férias escolares.
E assim vai Portugal! Um Portugal que Passos, Portas e o outro senhor que abandonou a câmara de Lisboa (como é mesmo o nome dele?) nos querem impingir.

E nós, pacóvios adormecidos pela falta de coragem, a dar troco a tanto fandango desta tropa. Que parvos nós somos!

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Mitos de uma cidade branca

Às vezes despedimo-nos tão cedo
que nem lágrimas há que nos suportem o
peso da voz à solidão expoente.
Gastão Cruz
1.Turistas elegem Braga como cidade onde preferem pernoitar”.
O quê? Os turistas que vêm até nós, no minho, preferem Braga?
Olá lá!

2. Olhando para este título do Diário do Minho (15.08.11) comecei por ficar desconfiado; mas, como dizia a minha avó, nunca confiar! E fixei-me no essencial.
Pelos vistos – é um texto não assinado, mas da responsabilidade daquele diário bracarense detido pela igreja católica, isto é da redação (e baseado na Lusa; também tem ela com um pedacinho de igreja, sabiam?) – que confirma aquilo que o antigo vereador da CDU na câmara de Guimarães Cândido Capela Dias disse há dias na ASMAV (ver aquil)

3. Porra! Por que raio pensava eu que Guimarães também tinhas umas dormiditas!
Pois é!, é sim, senhor, uma cidade igual a Póvoa de Varzim, Viana do Castelo, Chaves e Espinho. Assim mais ou menos ao nível das cidades mais pequerruchas que por aí vai entrando na órbita das grandes cidades.
Ai Guimarães. Quem te imaginou e quem te vê!

Quando o Homem apagar a noite

Nem a mais arrebatadora das graças escapa à lei do envelhecimento.
Milan Kundera, in A Festa da Insignificância
foto: portugalsenior.org
Leio este título do jornal Público (15.08.14) – Crime de abandono de idosos atirado para a próxima legislatura – e só posso dizer (por mais estranho que possa soar): claro!
Os idosos (na sua grande maioria) não votam!
Ai se votassem…
Tudo seria, não um desejo adiado, mas a certeza de que alguém viria, a seguir, afirmar: fomos nós.
Que parca é a política em Portugal!
Aproxima-se cada vez mais de senilidade que arrasa a raça humana; que destrói o Homem.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Cordões de sobrevivência

Há muito que a gestão museológica se transformou em especulação imobiliária.
Jorge Calado, E, 15.07.04
Por essa Europa fora quem quer visitar monumentos de referência paga; ou paga ou fica à porta, fazendo fotos – dirão que selfies, não é?- e nada mais.

Em Guimarães também já era (pouco) assim; agora será, para além de mais oneroso, também um murro na carteira cada vez mais magra. Quem quiser ‘ver’ a torre de menagem do castelo (dizem que fundador da nacionalidade portuguesa) de Guimarães vai ter de pagar uma nota pesada. Não será a ‘nota preta’ dos brasileiros, mas não andará longe.
Quem pensava que havia obras, batalhas ou independências de graça enganou-se.

Voltas da realidade

A pele é a alma.
Adília Lopes, in Bumerangue 1
Ou Portugal é um caso sério de “estudo de caso” ou os políticos portugueses, na sua grande maioria, não prestam; não sabem, sequer, antecipar o presente – quanto mais dar-nos um futuro! E, confesso, estou sem vontade de olhar para o que aí vai; principalmente para aqueles que dão facadas nas costas, matam e agora andam por aí feitos heróis. Em suma para amostras sérias da fraqueza humana feitos (dizem-nos) lideres.

Olhando para aquela parvoíce dos cartazes – que parece (houve imprensa a cair em cima da coisa como se mais nada existisse) terá mantido em suspenso um país (coitado) cada vez mais à deriva –, importa começar por valorizar este título do semanário Expresso (15.08.15): “Quando se julgava que já ninguém reparava neles, os outdoors estão a ser o centro da pré-campanha”. Ficarmos logo com a ponta aberta sobre a triste realidade do que é a contenda política no meu país.
Ou seja, e como muito bem salienta Domingos Andrade (Jornal de Noticias, 15.08.15) “o episódio dos cartazes é um espelho desta ficção. É essa a gravidade disto tudo. Só o vivemos porque os protagonismos têm mostrado pouco para dar ao país”.
Enfim! Que mais se poderá dizer sobre aqueles que ousam dizer que querem tomar conta das nossas vidas!
E, depois, sejamos realistas, há gente que adora brincar com as pessoas, não há?

Daí que, tal como Pedro Ivo de Carvalho – os cartazes do PS e do PSD e CDS não enganam. Espelham em tamanho gigante os verdadeiros propósitos de que nascem as suas debilidades, e as do país, e as transforma num apetecível produto publicitário. Só faltam os cartões de desconto – sou dos portugueses que considera que num destes dias os políticos nos vão pedir que votemos neles ao menos uma vez para depois nos colocarem uma venda negra nos olhos. E isso não me agrada nada!

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Estar no tempo

foto:opanorama.pt
Sobe Catarina Martins
O Bloco de Esquerda recorreu a militantes para os seus cartazes. Os outros partidos não os têm?

Sobe e desce, Jornal de Noticias, 15.08.15

Cheio de personalidade

Uma voz
perdida num bosque
chega a ser um luxo.
Vasco Ferreira Campos, in A Voz à chuva
foto Ana Correia Costa (JN)
Leio um título do Jornal de Noticias do último sábado – Também houve plantas a viajar no “Creoula” – e fico curioso; uma curiosidade que quase tem resposta.
A tal viagem, tratou-se, leio de seguida, de um estudo – o doutoramento do Manuel Fernandes – com o objetivo de perceber o sucesso de transferência de plantas por mar. E, por isso, umas plantas foram, por mar e de barco, desde o Porto até ao jardim botânico na Madeira.
Só passo mesmo gritar: Grande Manel! Só tu para coisas em grande!

Grandes lições

Junquem de flores, o chão do mundo:
vem o futuro aí
Miguel Torga, in Cântico do Homem
Como o visitante 243.060, estive num destes dias no Festival Internacional de Jardins em Ponte de Lima. Na sua 11ª edição.
Como há dois anos vim de lá feliz. Adorei a tarde, ou parte dela, ali passada. E saí encantado com o que vi.
Este ano, com “a água no jardim”, o festival teve um encanto especial. Há ali excelentes trabalhos, espaços e momentos de prazer; sim senhor, mas de grande reflexão. Há belos trabalhos, ninguém duvide.
Pela sua qualidade é-me difícil destacar algum, mas pelo prazer recordo o jardim dos vendavais e o jardim sensorial.
Pela localização e sentido do espaço o olhar do Minho.
Demorei-me mais tempo no Reflexos Infinitos. Sosseguei; alonguei o pensamento
Ah! Apreciei os pequenos jardins das escolas de Ponte de Lima. Muito giros!
Vale a pena voltar lá; afinal a mostra só acaba em outubro.

domingo, 16 de agosto de 2015

em mar aberto

venho de longe; caminho pesado, pés gastos. caminho em sossego
em frente o mar. onde se desenham os segredos mais intensos
das algas. uma multidão, verde acastanhada, perde-se na areia: divindade
marinha que nunca se esquece. imagem de palavras quentes; beijinhos
entre elas não há caminhantes a fazer perguntas! nem criadores
das tempestades de desassossego. as algas morrem
secarão longe; dando vida noutros lugares. húmidos

venho de longe; caminho pesado, pés gastos
porque hei de endeusar a imagem provocada se a serenidade
das algas está ali, o mar entregando (de mão beijada) à areia húmida
todos os encantos? curadores de almas, prontas a criar outras almas
que musicalidade cruza o fim de tarde!
imagem sem palavras. só o sopro cronista com palavras contentes

hoje fico um pouco mais velho – e o que será a velhice?
continuo com a mão presa na imagem de palavras quentes. e nas algas

sábado, 15 de agosto de 2015

Cuidado com as aparências

Não pergunteis ao agonizante que paisagem
via para além dos pés da cama
Pedro Tamen
O programa eleitoral do PSD é uma inexistência, escreve Pedro Santos Guerreiro (Expresso, 15.08.08).
O programa do PSD, confesso, não conheço, mas o da coligação Portugalà frente sim. E não, não é uma inexistência. É um perigo. Uma enorme pedra no caminho dos dias felizes que desejamos; todos.
É o fim da Segurança Social.
É o fim da Caixa Geral de Depósitos.
É o fim do Serviço Nacional de Saúde.
Em suma, está ali tudo: é a entrega a privados, de tudo o que é essencial e fundamental para as pessoas poderem (sobre)viver.
Exagero meu? Reparemos nisto:
Ou não entendo português ou não tenho dúvidas nenhumas.
Adoro a coisa “consórcios”, mas não escondo: já temo pelo futuro dos meus netos!

Gosto da visão do alto

A tela está pronta. Branca. Deito-a à chuva que
cai. Espero do cinzento das nuvens segredos
escondido, no vento que aí vem
Adelino Ínsua, Bumerangue 1
foto: wort.lu
Odeio as últimas sondagens; divulgadas na semana passada.
Porquê?
Dois dados: Jerónimo de Sousa (+ 5 pontos) e Catarina Martins (+ 1,4 pontos) estão muito longe de António Costa (+ 20,4 pontos). Eu queria ver esta distância reduzida; muito mais curta.
Preocupante: Passos Coelho tem um saldo de -1,1 pontos. O que me tira o sono.
Paulo Portas (+ 10,7 pontos) está logo a seguir a António Costa. Isso mata-me. Ó se mata!
Espero, mas espero mesmo; que Portas não se lembre da facada final e esteja no próximo governo com Costa.
Seria terrível!
Mas não pode ser esquecido esse cenário tremendo, pois não?

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Olhar (local) do silêncio

Se é certo que a Câmara Municipal de Guimarães não tem uma política de mobilidade para o concelho, também é certo que a oposição a tem acompanhado na desarticulação de propostas apresentadas (que chegam a ser incoerentes) e na falta de coragem em propor e exigir medidas que sendo cruciais para uma mobilidade sustentável e eficaz, não serão certamente populares.

José Cunha, presidente da direção da Ave, reflexodigital, 15.08.06

Deixemo-nos de escritas negras

Destruídos os vínculos sociais, a confiança de que os direitos e contratos serão respeitados, comprometida a convicção de que o poder político faz escolhas para defender a comunidade, como podem os cidadãos reduzidos a mercadorias revoltar-se?
Sandra Monteiro, le Monde diplomatique, junho 2015

Ainda haverá quem acredite no governo de Pedro e Paulo – aquele buldózer destruidor e à beira do fim?
E naquela estapafúrdia “histeria cega” – como lhe chama a Ordem dos médicos – que diz que o atual governo, e mais concretamente o ministério de Paulo Mendo, vai dar (não disse quando, pois não?) “incentivos” aos médicos de família “que aceitem ficar com mais doentes”.
Outubro é o início do fim ou o fim do sonho de viver em Portugal?

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Consciência incómoda

A noite vela-se
como quem ama por dentro
Marta Duque Vaz, in Aclive
foto: assembleia de guimarães
Os “colóquios para a cidade” foram, na sua primeira edição, um murro no estômago (cada vez mais crescido, crescido, caramba!) da indiferença com que, por terras vimaranenses, se faz de conta que se discutem as agruras dos dias ou os caminhos do futuro.
Sem, eu sei muito bem que lá em baixo na Gil Vicente a ASMAV vem fazendo um excelente trabalho de reflexão sobre o que mata os dias e como se trilham os caminhos do futuro, mas os “colóquios para a cidade” não ficam atrás nesta reflexão. E têm uma diferença – principalmente na ação – nascem de vários lados da sociedade vimaranense.
Ah! A segunda edição destes colóquios vai trazer para a discussão “regiões e desenvolvimento regional”.
É bom! E, por mais que alguns agarrados a feudos, digam o contrário, fundamental num país centralista.

Crise?

foto: observador.pt
Há portugueses que pagam 45 mil euros para matar leões.
Titulo, Expresso, 15.08.08