terça-feira, 30 de junho de 2015

Olhar (local) do silêncio

Ao longo da história do município de Guimarães, as Caldas das Taipas sempre foram um importante agregado populacional com a afirmação nos domínios económico, termal, turístico e cultural.
Domingos Bragança, presidente de câmara municipal de Guimarães, reflexodigital, 15.06.25

Há um urso em palco; olhar sombrio

Um dos malefícios de pensar é ver quando se está pensando. Os que pensam com raciocínio estão distraídos. Os que pensam com emoção estão dormindo. Os que pensam com a vontade estão mortos.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Caramba! O meu país – que é Portugal, caso os mais distraídos não tenham entendido –, é um espanto!
Como adoro ver um país que se verga, levanta e volta a vergar!
Ui! Que foi? Que disse eu?
Transcreverei, somente, o título do semanário Expresso (15.06.27): MNE reabre embaixada para chefe de gabinete de Passos.
Ui! Será aquela embaixada (era UNESCO, não era?) encerrada à pressa, porque não interessava aos senhores do governo?
É?
Porque raio tenho que continuar em Portugal, um país que não sabe o que quer para si?

Olhar do silêncio III

foto: ww.blopsi.pt
Se a infantilização é generalizada (neste particular, Jean-Claude Juncker é um mestre…), em Portugal parece ter assumido contornes patológicos. Ver um assessor do primeiro-ministro invocar Trótski a propósito da dívida grega, obriga a que nos interroguemos sobre a sanidade do país.

Ana Cristina Leonardo, E (Expresso), 15.06.27

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Os anjos ainda abalam os céus?

Quem está no canto da sala dança com todas as dançarinas. Vê tudo, e porque vê tudo, vive.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
A Feira Afonsina, em Guimarães?
Excelente!
Sabes?, por mim, só lamento mesmo é que nem todos tenham podido ver tudo; a confusão era tanta nas ruas! O que, em boa verdade, percebo!
Por mim, tirando uns coicezitos (isso não se diz, pois não?) e uns empurrões na rua de Santa Maria, adorei fotografar coisas lindas. Diferentes – num parêntesis discreto – vi profissionalismo sério nas ruas. E então ali junto ao Arquivo municipal!
Claro que lamento a tremenda confusão nas ruas, mas isso faz parte da festa! (A propósito: será que demorar vinte minutos da alameda - ainda é S. Dâmaso, não é? - à estátua do rei Fundador, a do Senhor Cutileiro, é bom? Mas pronto!, é da vida!)
E, verdade, verdadinha, quem viu o que quer que seja? Ver o que quer que seja num evento destes é um autêntico milagre. Pois! bebe-se uns copos, come-se umas coisas (será que era assim que se fazia na idade média?) e apreciam-se petiscos. Ah! A seguir vem a noite branca. Já no próximo fim-de-semana.
Que bom! Entro de férias na quarta!

Olhar do silêncio II

A Europa continua a dar um espetáculo lamentável ao resto do mundo. Às segundas, quartas e sextas são amigos e estão quase a firmar acordo. Às terças, quintas e sábados já estão de costas voltadas e tudo regressa à estaca zero.
Editorial, Público, 15.06.26 

Olhar do silêncio

Mais depressa a Grécia acabará com a Europa do que a Europa acabará com a Grécia.

Miguel Sousa Tavares, Expresso, 15.06.27

domingo, 28 de junho de 2015

Dói-me a alma; agora não direi mais nada

A vida fica muito ruim sem caipirinha.
Dilma Rousseff (falando numa visita oficial ao México), E, 15.06.06
foto: flickr.com
1. Os presbíteros, tal como qualquer ser humano, na velhice ficarão caquéticos e, quiçá, imobilizados nos sítios onde se julgaram (durante demasiado tempo) deuses. É da vida; não é das religiões.
Não se percebe, pois, a fanfarronice e o estrondo com que rebentam (alguns) foguetes como quem bebe um copo de água. Sempre nos sítios onde presbíteros presunçosos consideram (e berram) dominar o território. Como se por ali houvesse zonas de marcação para caças malévolas. E, então no início (e no fim) do mês de maio! O ribombar, ao fim do dia; quando a noite já rouba a luz, mesmo a mais divinal!, é tremendo.

2. Eles sabem, mesmo que as suas barrigas estejam prontas a estourar – seja de vaidade, seja de outras coisas que só eles conhecem – que a vida é efémera. Mas, sabe-se lá porquê, teimam em fazer festanças que entopem as normalidades dos dias, desviam a regular regularidade da rotina das pessoas; enfim, gostam de complicar. Seja no trânsito, seja no ruído, seja no exagero das palavras. Que mania!

3. Mas eles gostam. São sacerdotes feitos em tempos vazios; sem sentido prático. Regados a sabores adocicados e distantes. Sabores que se perdem no tempo; felizmente!

4. Amanhã a sua alma estará nas mãos, como todos os humanos, doutros seres humanos solidários com os que sofrem. E esse tempo (já) não demora a chegar. Por mais foguetes que os presbíteros façam estoirar!
A luz, essa, nunca entrou em janelas fechadas, escondidas ou por limpar.
E não é que estamos mesmo no ano da Luz?

Guerra de dinastias

O Cristo é uma forma de emoção
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto: Fernando Veludo (nFactos), in publico.pt
A política não compreende Jesus, não digere Jesus, não consegue aliciar nem recrutar Jesus, disse Paulo Rangel, na apresentação do seu livro Jesus e os Políticos: Reflexões de um Mau Samaritano.
Jaime Gama, que fez a apresentação do livro do deputado laranja no parlamento europeu – que diz ser preciso fazer uma leitura mais abrangente de Jesus –, parece não ter estado lá muito em sintonia com Paulo Rangel, desde logo porque não lhe parece “que seja fundamental ter má consciência politica em nome do Evangelho”, mas também não lhe parece que “seja relevante ter má consciência evangélica em termos de política”.
O texto, com a assinatura da jornalista Margarida Gomes, está no jornal Público (16.06.19). Nele pode ainda ler-se a opinião de João Gama: “mau samaritano é o que não salva. Todo o político é um bom samaritano, senão não era político. Em política não há maus samaritanos”.
Caramba! E não é que estou em completa sintonia com o deputado laranja!
Com quem estou em total desacordo é com João Gama. Nem todo o político é bom samaritano; infelizmente; portanto não salva.
Paulo Rangel revela-se um bom samaritano.

sábado, 27 de junho de 2015

Tempo a esgotar-se

Cansei-me de tentar o teu segredo:
no teu olhar sem caos
Camilo Pessanha, in Clepsydra
A boa notícia: as obras na via intermunicipal que liga Joane, no concelho de Vila Nova de Famalicão, a Vizela, começam brevemente. Há quem diga que “arrancam antes do verão”.
A má notícia: Já ontem era tarde e o verão vai até setembro. É muito tempo.

Os cerca de seis quilómetros que cruzam as vilas de Serzedelo, Moreira de Cónegos e Lordelo e a freguesia de Guardizela não podem com mais buracos. E quem por ali passa diariamente também.

Esquecer a distância que vai da terra ao céu

Guimarães está a ganhar um peso crescente nestes anos.
Xoan Vásques Mao, secretário do Eixo Atlântico, Correio do Minho, 15.06.13
foto: bragatv.pt
Ena! Vindo de cima, onde, agora, Ricardo Rio é rei e senhor, é excelente!

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Tens mesmo a última oportunidade

Dançamos como morremos: SOS
Rui Reininho, E, 15.06.20
foto: brasil.elpais.com
1. ONU regista número record de 60 milhões de deslocados no mundo é um título do jornal Público (15.06.19) a propósito da leitura do relatório do Alto-comissário da ONU para os Refugiados (ACNUR).
Refugiados de guerra, essencialmente, como se depreende do relatório: “prende-se com o crescimento de recentes conflitos e guerras no mundo”.

2. Massacre de Charleston. Roof queria desencadear uma “guerra de raças”.
Título do i, 15.06.20
É “impensável que, na sociedade de hoje, alguém entre numa igreja onde está reunido um grupo de pessoas para rezar e as mate, diz o chefe da policia local” lê-se no jornal i. e com dor imensa, dá-se razão às palavras.
Escreve a jornalista Ana Gomes Ferreira que o que aconteceu em Charleston “foi num crime de ódio, motivado por racismo e cometido num lugar simbólico, numa das mais antigas (e mais importantes) igrejas da comunidade negra dos Estados Unidos.

3. Refugiados: ódio, guerra, destruição e fuga da morte.
Massacres: ódio, destruição e fuga para a morte.

4. José Saramago continua atualíssimo: o homem não tem remédio.
E não é que hoje o mundo acorda outra vez com medo. Em França. Na Líbia e no Koweit?

Palco sempre escondido

foto: porto24.pt
O norte foi muito penalizado por sofrer uma distribuição assimétrica dos recursos nacionais.

Luis Braga da Cruz, Público, 15.06.14

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Empregadores de sonho

Enlouquecer assim
sem mais À dor cingir o brilho externo
Vergílio Alberto Braga, in Sequências de Pêgaso
A confirmar-se o que nos vão dizendo de Santa Clara, “as políticas de incentivo fiscal aos investimentos empresariais que criam empregos líquidos nos concelhos de Guimarães deverão saldar-se na criação de 900 novos postos de trabalho e na concretização de um investimento global de 120 milhões de euros até 2017”.

Não faço a mínima ideia se tal virá a acontecer; acredito que sim, e tenho a certeza absoluta que Ricardo Costa não anda só a fazer de conta ou a viajar pela Europa, isto é, o vereador vindo da vila termal não anda a brincar em serviço.
O que vou sabendo (para já em surdina) é que não tarda teremos novidades de investimentos – e que investimentos – por terras de D. Afonso.
E, confirmando-se o que por aí se vai ouvindo, Guimarães só poderá (estou certo que vai) festejar. É claro que só se festejam coisas boas, inovação; vida.

Atitude litúrgica

Quanto mais alto o homem, de mais coisa tem que se privar. No píncaro não há lugar senão para o homem só.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto: sol.pt
Deitar uma beata para o chão custa milhões de dólares”, é um título do jornal online Observador (15.06.15). Ali pode, ainda ler-se que “viver em Calgary, em Alberta (Canadá), é ter a preocupação de proteger o ambiente. É estar sujeito a uma série de políticas que condicionam os mais simples gestos, em prol da natureza”.
Ah! Calgary é “a cidade mais limpa do mundo”.
Que belo exemplo a seguir por todas as cidades com pretensões verdes!

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Final de ciclo

Todos nós temos um deus que amamos.
sempre. Às vezes. Nunca
nunca, quando o amamos o podemos ter.
Marta Duque Vaz, in Aclive
imagem: catoliscopio.com
1. Com um estrondo que ninguém esperava, Francisco, o líder católico mais aberto e com olhar muito para além dos dias, apresentou Laudato Si, uma encíclica, como tantas outras com que os papas vão marcado os seus pontificados. Só que este olhar sobre o cuidado da Casa Comum não é uma encíclica qualquer.
Percebe-se, portanto, que o semanário Expresso titule Papa contra o ‘depósito de porcaria’ (15.06.20), acrescentando que “Francisco defende o ambiente e critica submissão da politica à finança”.
Ou que o diário Público, também em título, escreva (15.06.19) que o “papa coloca igreja no centro do debate ambiental e climático”. Aliás, em editorial, o mesmo jornal vinca: “volta a fazer-se história no Vaticano”.

2. Para se perceber o que está em causa neste texto da responsabilidade do papa Francisco, ou melhor, do impacto que ele trará aos dias que correm, recorro a Isabel Varanda (Igreja Viva, 15.06.18): “sendo ainda a questão ecológica uma questão marginal de preocupação da maior parte dos nossos contemporâneos, não se estranharia que o anúncio da encíclica do papa suscitasse uma relativa indiferença. O facto é que se verifica o contrário”. O que, no mundo consumista e tremendamente destruidor é extraordinário. Recordo aqui o que escrevi sobre apoluição nas cidades.

3. Por que será? Importa voltar ao jornal Público e ao texto de Ricardo Garcia. A terra, o planeta onde todos nós habitamos, está a transformar-se “num imenso depósito de lixo”. Daí que, diz o texto papal, os países ricos têm que pagar a “dívida ecológica” aos mais pobres. Muito bem, mas não chega. A Terra, assim, vai-se; para pobres e ricos.

4. O texto Laudato Si é um documento com 192 páginas que “junta a fé e a moral à razão e ao engenho”. Mas, é verdade!, não é um texto qualquer. Para além dos habituais destinatários dentro da igreja católica, desta vez, a igreja de Roma, saiu do seu habitual resguardo vaticanista e olha para a Casa Comum. Ótimo. Afinal, a Terra é universal.

5. O que importa mesmo vincar por ‘culpa’ desta ousadia do papa Francisco é que é urgente a Humanidade perceber que tem que mudar “o seu estilo de vida, de produção e de consumo”. Mas será que vamos entender? Aqueles que se limitam aos altares chegarão a toda a Terra?

6. Felizmente que a encíclica foi bem recebida e saudada por líderes religiosos, ambientalistas, investigadores e dirigentes de organizações internacionais. O que se pode ser um excelente sinal de que haverá mais acções para além da excelente iniciativa do Vaticano.

Bandeiras do fim

Do outro lado de mim, lá por trás de onde jazo, o silêncio de casa toca o infinito.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto: guimaraesturismo.com
Não deixa de ser irónico como, apesar do desenvolvimento da Arqueologia científica nas últimas décadas, por entre os meios académicos portugueses, grande parte das informações que conhecemos sobre a época romana das Taipas não provenham de intervenções atuais, mas de informações anteriores, referências dos séculos XIX e XX, sobretudo. Irónico mas recorrente.
Gonçalo Cruz, reflexodigital, 15.06.18

E Taipas sempre a surpreender!
É verdade que nem sempre pelas melhores razões; mas isso já não é novidade.
Taipas, é muito, muito antigo, sempre quis ser diferente.

Sinais giros

Cada um tem a sua vaidade, e a vaidade de cada um é o seu esquecimento de que há outros com alma igual.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Até Vila Nova de Famalicão!
“Câmara regressa às 35 horas e ‘devolve’ tarde de sexta-feira (depois de outubro manter-se-á?)
Pode ler-se no Correio do Minho (15.06.17)

A seguir é Braga?

terça-feira, 23 de junho de 2015

Um corpo que quer o silêncio

Quando avançamos para a morte, não nos preocupamos com o que deixamos pelo caminho.
Milan Kundera, in A Festa da Insignificância
foto: publico. pt
Acreditando que aquilo que Rui Barreira, o responsável máximo da Segurança Social em Braga, diz aos jornalistas – não acredito que seja só para jornalista ver; não, não pode ser, pois não? – há mesmo um abanão no imobilismo recente no apoio social por cá, as cantinas sociais – cerca de 65 no distrito bracarense –, afinal, só agora é que elas “dão garantias de qualidade, profissional e muito cuidado”.
Sim, eu também acredito que as pessoas mudam. Há sempre tempo, dirão alguns!
Sim, a ideia da sopa, pão, prato de peixe/carne e sobremesa é excelente. Hoje. E ontem. Sempre.
Sim, também espero que, depois de outubro próximo as cantinas sociais continuem – e utilizando as palavras do presidente do centro regional de segurança social de Braga – a dar “garantias, profissionais e muito cuidado” aos mais necessitados.
Sim, as noves cantinas sociais existentes em Guimarães continuarão a assegurar a “cobertura de todo o território” vimaranense.
Sim?
Esperemos pelo próximo outubro. Que não será vermelho!

Olhar do silêncio II

foto: publico.pt
Ao longo dos últimos anos agravou-se perigosamente a degradação da ação política. (...) Sem contraponto nem moderação presidencial, este Governo ficou à vontade para cometer todos os embustes e prepotências.
Pedro Bacelar de Vasconcelos, Jornal de Noticias, 15.06.18

Olhar do silêncio

foto: tamegasousa.pt
Quem é que não sabia o passado de Dias Loureiro quando Cavaco Silva o fez conselheiro de Estado.
Henrique Neto, i, 15.06.20

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Viver um tempo que ainda há de vir

O populismo é como o Inferno. São os outros.
Luís M. Faria, E, 15.13
Prémio aquele de quem se volta a falar: Seguro é muito jovem para deixar a política, Miguel Laranjeiro, ex-dirigente do PS. Pode ler-se no semanário Expresso (15.06.20).

1. Leio – e registo; só isso – estas palavras da jornalista Cristina Figueiredo na última edição do semanário Expresso: [António José Seguro] «ao dar de caras com o seu nome na edição do “DN” de segunda-feira, ligou para Miguel Laranjeiro a “agradecer”».
2. Li e rio com Gente (Expresso, 15.06.20): “A publicação de uma sondagem da Universidade católica, ontem, que dava a Coligação Portugal à Frente à frente do PS foi recebida com sentido de humor por algumas tropas socialistas. Dizem estes: com as temperaturas de PSD e CDS a aproximar-se dos 40, houve quem temesse consequências de um incêndio no Largo do Rato – é que desde setembro que estão sem seguro”.
3. Li e gosto da pergunta do diretor do i (15.06.20) Vitor Rainho; uma pergunta gira: quem diria que António José Seguro estava mais bem posicionado que o atual líder?
4. O politólogo Carlos Jalali afirma no Jornal de Noticias (15.06.20 que “o desafio de António Costa faz cair o PS nas sondagens, depois de o PS pós-primárias deu um salto, mas a partir daí tem estado sempre em declínio. Não são boas noticias para o PS. Até porque toda a gente no partido deve ainda lembra-se da expressão vitória de Pirro [afirmação de Mário Soares sobre o resultado das europeias].
5. Domingos Andrade escreve no Jornal de Noticias da última sexta-feira: “sobra ainda a António Costa um pequeno equívoco que lhe pode ser fatal. Não estamos em tempo de se herdar o poder. Ele conquista-se. Com tenacidade, ideias, carisma, luta, honestidade, voto a voto.

Atitudes discutem-se

foto: jornaldenegocios.pt
No debate quinzenal (o último da legislatura) as bancadas socialistas vazias foram o espelho da desilusão. Seguro pode não estar a rir… Mas está certamente a apreciar o espetáculo.

Bernardo Ferrão (Baixos) Expresso, 15.06.20

Construtor de ações

É muito importante estar aberto para os inimigos, foi isso que aprendi com a minha cadela. Só que, ao invés dela, eu não procuro marcar território, mas justamente o inverso: atacar aqueles que erguem muros, muralhas, muretes e morais.
André E. Teodósio, E, 15.06.06
Famalicão, Braga e Guimarães contribuíram com 6.488 unidades para a redução de 45 mil desempregados nos 86 concelhos da região norte, pode ler-se no Diário do Minho, edição do dia 18.
É um texto do Joaquim Martins Fernandes que nos diz também que “os números avançados pela Comissão de Coordenação colocam Guimarães no ranking dos que mais combatem o desemprego”.
Claro que fico contente por ver a minha região em crescimento, mas o crescimento de Guimarães…

domingo, 21 de junho de 2015

Cuidado com o futuro

Quando as centrais a carvão lançam fumos em Pequim, a Califórnia tosse.
John R. Platt, Takepart, 15.04.01 (in Courrier internacional, junho 2015) 
O tema de capa da Courrier internacional de junho, edição portuguesa, é a poluição; a poluição nas grandes cidades.
O título um planeta sufocado, numa capa a negro e uma foto com tubos a exalarem montanhas de fumo diz tudo. E dixsa bem claro que a Terra está cada vez mais escura; o seu futuro está negro, até.
É um dossiê que reproduz textos dos principais títulos mundiais – The Guardian, International New York Times, Courrier internacional, The Indian Express, Jinggi Guacha Bao e Take Part.
Lendo os diferentes trabalhos, assusta ver a torre Eiffel, em Paris, “envolta numa nuvem de partículas” ou perceber que em Cracóvia, a cidade “do ar imundo” e “enquanto os residentes da histórica cidade se queixam de tosse e hemorragias nasais, há uma nova lei que proíbe a combustão de madeira e carvão nos lares”. Ou que Lagos, “a maior cidade do continente africano, sufoca com partículas mortais, amianto, dióxido de enxofre e protóxido de azoto”.
Paris já proibiu (já a partir do próximo dia 1 de julho) os carros a gasóleo, “podendo o diesel ser proibido em 2020”.
É um trabalho excelente para guardar – não porque sim, mas porque é uma realidade séria; para discutir, pensar e, obviamente passar à ação.
Sim, é nestas alturas que acredito em quem sonha com cidades verdes é quem sabe o que quer do futuro. E agradeço viver numa que o será brevemente.
Sim, é nestas alturas que fico terrivelmente assustado com o “futuro de cidades que querem ser verdes, mas que não param de aumentar a emissão de fumos; cidades pintadas de negro. Seja em dia de ralis, seja na promoção da combustão em competição.

sábado, 20 de junho de 2015

A realidade já não é o que foi

Maravilho-me do que não consegui ver. Estranho quanto fui e que vejo que afinal não sou.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
1. Na edição de junho do le Monde diplomatique questiona-se se “será a política um desporto de elite”, tendo como pano de fundo a derrota eleitoral “estrondosa” dos trabalhistas ingleses.
Hoje, por aqui, não me interessa falar senão da Grécia. Mas a pergunta sobre a politica faz sentido quando se olha para o que está a acontecer na e com a Grécia. Começo por Alexis Tsipras (em entrevista a um diário austríaco, mas citado pelo JN do dia 20: “na Europa temos a ilusão de que somos o umbigo do mundo, cooperando com os nosso vizinhos mais diretos. Mas o centro do mundo mudou de lugar”. Realidade que não queremos aceitar.

2. Pensando calmante sobre as duas afirmações é tremendo pensar – ainda que ao de leve – no que vai ser a Europa já a seguir.
Esta afirmação de Ricardo Reis (Dinheiro Vivo, 15.06.20) pode dar uma ajuda: “estamos hoje numa situação de ver o berço da civilização afastar-se da Europa e abraçar a influência russa”.

3. Não terá Nicolau Santos (Expresso/Economia) razão ao escrever que “o mundo dos poderosos uniu-se contra o governo do Syriza. Porque o Syriza ousou desafiar o status quo, e isso é perigoso”?

4. Pedro Santos Guerreiro (Expresso, 15.06.20) parece dar razão a Nicolau Santos. Reparemos: “o Syriza tornou-se inacreditável e Bruxelas intolerável. Fazemos ou desfazemos a Europa?”

5. Vale a pena ver o que pensa Yanis Varoufakis, citado pela revista E: Nós não estamos especialmente preocupados em manter as nossas posições. Portanto, isso destabiliza o outro lado. Eles estão habituados a políticas que fazem realmente questão de manter as suas posições. E nós não somos assim. Não nos importa. Queremos fazer o que é correto, e se não podemos fazer o que é correto, vamos embora”.

6. Aconteça o que acontecer a seguir é importante ler a reportagem de Penny Bouloutz, in Kathimerlni (Atenas) do dia 15 de março e citada pelo Courrier internacional de junho: “na Grécia, tantos os doentes como as farmacêuticas têm de ter nervos de aço se quiserem obter medicamentos. As farmacêuticas internacionais estão a fornecer o mercado a conta-gotas. Resultado: faltam aspirinas, vacinas, antidepressivos, antiepiléticos e antipiréticos nas prateleiras das farmácias”.
Perceberemos o que é e o que será a Grécia e o caos que por ali reina.

7. Volto a Pedro Santos Guerreiro “Sem rasgo na Europa rasga-se a Europa”.

Um dia, talvez um dia destes, vou celebrar-te

Por definição constitucional, o Presidente da República (PR) representa a República Portuguesa, é garante da independência nacional e da unidade do estado. Nessa perspetiva, o PR deveria presidir, anualmente, às cerimónias do 24 de junho, em Guimarães, no cumprimento da mais importante função do estado.
Narciso Machado, Público, 15.06.10

Eu, vimaranense (quiçá distraído) que não acredita, nunca acreditei, em centralismos, e correndo o risco de ser lírico, só posso perguntar: agregar para dominar?
Não? Não foi sempre esta disparatada ideia centralista nascida depois de o senhor Afonso ter entrado em Lisboa ainda vestida de chusmas de vontades mouriscas?

sexta-feira, 19 de junho de 2015

A realidade é sempre muito mais simples

Há qualquer coisa de macabro nos ex-votos de cera; com bracinhos e perninhas, olhos e corações de cera. É a representação física da doença  curada pela divindade.
Luís Pedro Nunes, E, 15.05.09
imagem: dn.pt
Há uma ano o PS estava - com António José Seguro na liderança – no limiar da maioria absoluta das intenções de voto em Portugal.
Hoje, com António Costa, o PS, não só perde 12% nas mesmas intenções de voto, como se vê (pela primeira vez) ultrapassado pela direita; por uma coligação que matou todas as esperanças de futuro em Portugal.
É nestes momentos que recordo tudo o que ouvi numas primárias onde não esperava ouvir o que ouvi.
A integralidade de Seguro levou-o para longe desta realidade nada abonatória de um partido que já esteve com uma mão na maioria dos votos.
Por agora ficarei por aqui, mas outubro é já ali. E, como diria um amigo meu, depois falamos.

O futuro? Jamais será memória ferida

Vê-te ao espelho antes de ser candidato outra vez.
Juan Vicente Herrera, presidente da região de Castela e Leão, para Mariano Rajoy
Escreve José Fontes no Jornal de Noticias (15.06.13) que “seguramente [os partidos tradicionais] algum dano vão sofrer, sobretudo os que dão origem a dissidências, cujos novos lideres gozam de grande empatia na imprensa sem que, alguns, tenham ido a votos ou exercido poder”.
É um olhar muito interessante.

Tudo é tão parvo

Uma rua deserta não é uma rua onde não passa ninguém, mas uma rua onde não passa ninguém, mas uma rua onde as que passam nela como se fosse deserta.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
imagem: protense.com.br
Ponto prévio: ler o livro do Desassossego ou ver o filme do Desassossego (grande realizador este senhor João Botelho; grande interpretação de Cláudio da Silva) pode não ser para todos (há por aí quem o vá dizendo).
Sigamos então, com toda a normalidade em frente lendo os dias. Começando pelo jornal Público (15.06.12): “discriminação de imigrantes no mercado laboral “é invisível” mas existe.
Ai é? E nós que vamos lendo o senhor Bernardo Soares sabíamos! Por isso, ao lermos o trabalho do jornalista Camilo Soldado – detetados processos que dificultam a entrada de cidadãos de fora da UEU no mercado de trabalho português – só podemos voltar ao contabilista Bernardo Soares e às suas incidentes farpas nos dias.

Ah! como afirma Pedro Gois “os que chegaram mais recentemente são sujeitos a outro tipo de pressões, conjunturais que também têm a ver com o facto de a taxa de desemprego em Portugal ser muito elevada”.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Ninguém ouve

Ilha sobre ilha; uma camada de ar quente de permeio
um sopro leviante no drama de conhecer o mundo
Firmino Mendes in Ilha sobre ilha
Rui Moreira aponta baterias ao “centralismo objeto” do Governo, titula o jornal Público (15.06.10) que acrescenta que o presidente da câmara do Porto, defendendo a “verdadeira autonomia”, na conferência do Jornal de Noticias, Por Portugal, afirmou que a “região que queremos é uma região com autonomia verdadeira, capaz de decidir sobre o seu território e capaz de criar políticas ativas de emprego, desenvolvimento e económico e qualidade de vida, sem depender da visão macrocéfala do estado que, a partir de Lisboa, vê Portugal como um mapa plano, todo com a mesmo tonalidade e sem ter em conta as realidades sociais de cada região”.
Portugal? Qual Portugal? O dos senhores de Lisboa ou o Portugal dos portugueses?

Olhar do silêncio II

Há tanta gente que tem longe mas não tem perto. É melhor inventar os artistas ao nível da nossa admiração por eles porque na sanita… somos todos iguais. É horrível, não é?
Júlio Isidro, E, 15.06.13

Conforto e bem-estar

António Costa promete a Portugal ‘um caminho diferente’ e uma ciclovia paralela a esse caminho.
O Inimigo Público, 15.06.12
foto: infoescola.com
Que olhar com ambiente! Será por isso que, pode ler-se na gente (Expresso) do último dia de santo António, “no PS reina algum nervosismo com as sondagens, onde o partido não descola, por mais que o líder dê voltas ao país?”
Ou será que António Costa, antecipando o futuro, vai mesmo pela ciclovia – muito mais vagarosa, é certo!, mas muito mais salutar, convenhamos – paralela aos caminhos destruídos pela falta de visão?

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Algum segredo? Ah! ser correto

Os homens de ação são escravos involuntários dos homens do entendimento.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
imagem: blogministerioalianca
Parece que as câmaras municipais em Portugal “gastam menos e estão menos endividadas”, apesar de (escreve O Observador, 15.06.12) “os níveis de receita atingirem também níveis históricos”. E, pelos vistos, Lisboa e Porto são os municípios que “têm maior capacidade para gerar receita própria”.
Surpresa!
Lendo o texto “monitorização da evolução das receitas e das despesas (foi apresentado na UM, não foi?) ficamos a saber que desde 2009 a “receita real das autarquias” não para de baixar.
Ups! Sem receita como há futuro? Ah! Dizem eles, os estupidamente inteligentes das frações do processo que eleva o algoritmo em bolsa, que o mal é da raposa que, como em alguns sítios, ainda anda pelos galinheiros a fazer das suas.
Caramba!, nunca dirão eles, por culpa da crise económica que “levou a uma quebra das receitas próprias” e, com a “redução das transferências do estado”. 

Fábrica do desgosto

Não procurem a verdade
aqui nada mais há
do que a calma das palavras
Marta Duque Vaz, in Aclive
foto: snpcultura.org
Para pensar; simplesmente para interiorizar (é do interior que vem a força da ação): Tribunais portugueses no top das condenações por difamação, título do jornal Público, 15.06.12
Portugal tem três vezes mais condenações do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos do que a média da UE por violação à liberdade de expressão. Apesar de as “normas legais que criminalizam a difamação” serem “obsoletas”.
Valerá a pena tecer mais algum comentário?
O mesmo Portugal que, como o tal país dos jogos europeus, anda nas bocas do mundo!

terça-feira, 16 de junho de 2015

Caminhar faz bem à alma

Cultura não quer dizer economia, e só vamos sobreviver se desenvolvermos a ideia de uma unidade cultural.
Umberto Eco, E, 15.04.18
A vereadora da Educação na câmara de Guimarães, Adelina Pinto, afirmou, na apresentação do programa Pegadas, no passado dia 25 de maio, que todos (digo eu) “queremos crianças que olhem o mundo e escolas que formam cidadãos”.
É atrasado o olhar?
É sim senhor! Mas as palavras de Adelina Pinto não são; pelo contrário, são tão atuais, tão atuais que têm que ser levadas a peito. Quem fizer de conta que as ignora (ou ignora mesmo, porque também há disso por cá) só pode ser lambe-botas de alguém, assim tipo um senhor que antes de ser ministro até parecia (tal era a voracidade das suas palavras) que sabia de Educação.

Nota de rodapé: quem quer que as crianças dos dias agitados que só destroem sonhos que por aí circulam sejam cidadãos, só pode ser alguém que vê para além da pressa, da agitação e do vazio dos dias.