domingo, 24 de maio de 2015

silêncio que fica

com o tempo da distância; nós
perdemos o lugar e o momento do abraço
com o tempo da distância; vamos
agarrados a tempos sem rostos

as distâncias crescem; cada vez
mais vazias no buraco do tempo; ausente
em olhares trémulos
ardendo nas memórias mortíferas

com o tempo da distância; abraçamos
serenidade e a métrica solene
que desenha novos caminhos; aproximam-se
abraços. nós. no silêncio.

sábado, 23 de maio de 2015

Teatro, parceiro menor?

Chegou a casa
não disse nada
pegou na filha
deu-lhe a mamada.
António Gedeão, in Poemas escolhidos
No último ano a Oficina não só foi capaz de dar continuidade ao trabalho desenvolvido nas diferentes áreas sob sua responsabilidade (as mesmas “que sempre orientam” o seu trabalho, mas numa escala mais ambiciosa, apesar dos constrangimentos financeiros”), como se pode ler na introdução do relatório de atividades e contas daquela estrutura municipal responsável pelo que de bom se faz em Guimarães em termos culturais – uma organização, diga-se, que não tem (necessariamente) que dar lucro, antes, desenvolver um trabalho sério de programação no campo cultural.

Lendo o resto do documento – por mim até me ficava só pela introdução – ficamos a saber que “a programação regular foi alicerçada por diferentes eventos de qualidade como o Guidance, Manta ou Guimarães Jazz ou, ainda, coisas menores como a noite branca; coisas que, ninguém se espante!, são reconhecidas fora de portas; a par do que se vai fazendo a partir da sociedade civil.
Dadas as caraterísticas e qualidade das realizações levadas a cabo pela a Oficina só me ocorre um comentário: excelente!

Mas, aqui e agora, só pretendo ficar pelo teatro.
Logo no início do documento fica claro que o teatro Oficina “assentou a sua programação numa estratégia de coprodução com diferentes criadores e estruturas”.
Pode ser só impressão minha, mas em 2014 fica-se com um sabor amargo de boca. Tendo os Festivais Gil Vicente (o segundo ponto alto do ano transato no dizer do documento) estado dentro do que tem sido habitual – e estiveram!, quando se olha para a estreia de duas produções (na solidão dos campos de algodão ou círculo de transformação em espelho, uma coprodução com a companhia Útero, o que fica é um sabor a pouco; muito pouco. Infelizmente 2015 promete manter um vazio maior. E isso entristece-me. Só isso.
Espero, e pelos vistos haverá novidades, que 2015 seja melhor. Assim sendo, até poderei ficar menos triste.

Copiar benfiquistas em Guimarães

Um vídeo captado por telemóvel está a chocar Portugal

Imagens mostram governo a saquear bens de contribuintes e a levar tudo o consegue.
o Inimigo Público, 15.05.22

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Esta eternidade que não passa

O governo do mundo começa em nós mesmos
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Devagarinho então: há um estudo, apresentado na última sexta-feira, dia 15, que parece cortar as “preocupações que o Presidente da República expressou, na abertura da IV conferência internacional Portugal e os jovens, novos rumos, outra esperança”, como escreve Maria João Lopes no Público.
Ah! Pois, Cavaco, quer que os jovens regressem ao país e “está apreensivo com o afastamento destes em relação à política”.
Bem sei que esta realidade é mais intensa junto dos mais jovens e que, lá pelos 25 anos, os jovens começam a gostar de olhar para a política. Mas é sério que até lá se borrifem para a coisa pública. E, claro, que ponderem ira trabalhar para o estrangeiro.
Ou seja, temos um Portugal sem futuro. Mas isso já vamos vendo; infelizmente.
Será exagero meu considerar que esta triste realidade é um desejo cumprido de certos políticos que agora nos acenam com umas coisas; uns desejos eleitorais?

Olhar do silêncio V

foto: publico.pt
Sampaio da Nóvoa – Quero agradecer o apoio do Partido Socialista e do seu líder, que foi para mim uma grande surpresa. E grande surpresa porque nas reflexões que tenho feito, sentando à beira deste rio que se chama Portugal, sempre me visionei como independente, prometendo a mim mesmo que jamais faria cedências a quem quer que fosse, mesmo o dr. Carvalho da Silva. Foi isso que disse ao secretário-geral do PS.
Comendador Marques de Correia, E, 15.05.15

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Como resistir à tentação?

Depois da luta e depois da conquista
fiquei só
Camilo Pessanha, in Clypsidra
Em frente dos meus olhos dois olhares. Um em papel diz:”Guimarães liga-se ao Ave park com uma via de consenso” e é um título do Diário do Minho, 15.05.14.
O outro está no ecrã do computador e pisca-me assim: ”Câmara de Guimarães estuda nova alternativa ao acesso ao Avepark” e é do Reflexodigital, 15.05.14.
Fico baralhado!
E fico a pensar: em que ficamos?

Olhar do silêncio IV

Portugal tem neste momento dois governos a governar o país ao mesmo tempo. Um, do PSD/CDS, governa às segundas, quartas e sextas e o outro, o do PS, às terças, quintas e sábados.
Pedro de Sousa Carvalho, Público, 15.05.15

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Olhar (local) do silêncio II

foto: reflexodigital.com
Não será fácil, mantendo-se este “braço de ferro”, que se cumpra o mandato dado nas últimas eleições de 2013 a Constantino Veiga.
Alfredo Oliveira, Reflexo, maio 2015

Olhar do silêncio III

Não há conta, nos últimos 40 anos, de uma tão grande transferência de funções básicas do Estado para o setor privado. (…) O Estado (leia-se o Governo) entregou para as mãos da Misericórdia, diretamente, e sem que se perceba porquê, o Centro de Reabilitação do Norte, construído com dinheiros públicos e fundos comunitários. E fiquemos por aqui. Para já.
Domingos de Andrade, Jornal de Noticias, 15.05.16 

terça-feira, 19 de maio de 2015

Fugir ao lugar-comum

A fêmea eterna gemeu! Ouviu-se em toda a terra
uma canção de liberdade
William Blake, in A águia e a toupeira
O processo administrativo 100/652 (NIPG 27560/15) já saiu dos meandros mais ou menos sinuosos, das decisões sempre longas da administração pública.
Agora a ecovia de Guimarães já não é só um desejo, uma vontade politica ou uma sugestão dos que leem o futuro antes do futuro, é uma “projeto entendido como prioritário” para a cidade de Guimarães e, principalmente, um abanão no “conceito de mobilidade e sustentabilidade ecológica que se pretende que seja uma realidade”.
Que bom!
Como vimaranenses estou felicíssimo; agradecendo aos que – há cerca de uma década foram capazes de inovar –, a quem agarrou a vontade politica, metendo-a na agenda que vai inovando, a Guimarães por ter olhado (mais uma vez) muito para além do umbigo que foi durante tanto tempo um espaço histórico central.

Nota de rodapé: haverá, estou convencido, outras (grandes) novidades e noutras áreas.
Guimarães já não é só um certo espaço central com história.

Olhar do silêncio II

foto: rtp.pt
A ideia é de João Cravinho (…). Passo Coelho ganhou a batalha ideológica. E ganhou-a porque não só mudou o Estado, a economia, as relações laborais: mudou-nos a alma. Hoje estamos mais descarnados, mais descrentes, mias tementes à mudança. Interiorizámos as culpas pela crise. A nossa matriz judaico-cristã leva-nos a assumir que foi o nosso pecado de luxúria consumista.

Nicolau Santos, Expresso (Economia) 15.05.15

Tempo de eleições

De cor estão as palavras cheias, se quiseres
de cor sei algumas
Marta Duque Vaz, in Aclive
imagem: tudointeressante.com.br
Segurança Social promete mais rapidez no pagamento das prestações sociais, leio – com uma certa vontade sarcástica de me rir – as palavras de um certo vimaranense que gosta da “boa performance de pagamento” a tantos cidadãos que sofrem pelo distrito de Braga.
Ah! Ele diz que teve alguns problemas, ao nível do abono, que hoje estão solucionados do ponto de vista do que é a rapidez de intervenção.
Como aguardo o fim do ano!

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Olhar (local) do silêncio

foto: reflexodigital.com
Para incómodo da junta de freguesia o esqueleto da ex-pensão Vilas está localizado no centro da vila, numa rua muito frequentada por peões e automobilistas que assim podem constatar o que se configura como um ato de péssima gestão. O pagamento ao proprietário, da ordem dos 3 mil euros mensais, assim como a liquidação das faturas das obras saem do bolso dos contribuintes.
Cândido Capela Dias, Reflexo, maio 2015 

Que mania de falar à distância

Vieirinha – Em Portugal, este jogador formado no Porto…
Espera lá!
Será que Martim Silva (do céu ao inferno, E, 15.05.15) sabe onde é Guimarães?
Pronto! No resto tem razão.
Para que fique tudo clarinho como tem que ser, o Vieirinha é de Gonça. E jogou no Vitória.

Há um túnel escuro

O exercício da representação exige um prestar de contas permanente aos eleitores, por contrapartida á ideia ultrapassada de que deverá ser feito, apenas, no final do mandado.
António José seguro, in Compromissos para o futuro
foto: publico.pt
 Já todos sabíamos que Lisboa – sim, a Lisboa centralista, onde cada vez mais se borrifam para o que é, de facto, um país.
Daí que ao ler que “autarcas queixam-se das dificuldades de acesso aos fundos comunitários”, título de um excelente trabalho jornalístico de Margarida Gomes no jornal Público (15.05.14) percebamos a urgência da convocação do Conselho Regional do Norte.
Desta vez, espero (esperamos todos) que o também presidente do município famalicense olhe mais além. E tenha coragem de bater o pé ao seu chefe partidário.

domingo, 17 de maio de 2015

Usufruir da chegada da realidade

1. Na política – ao contrário d(e certas)as religiões, onde as celebrações são para todos até (principalmente) para os neófitos –, só os ‘eleitos’ (ou indicados com o dedo do momento, da moda televisiva ou de quem aguenta a centralidade da cadeira) são convidados. Dali, daquele sagrado grupo, quase suprassumo do domínio inconsciente das luzes que afogam na noite dos domínios desconhecidos das pessoas, sai sempre o mapa dos eleitos! E os eleitos já o eram antes de serem. Tal e qual como as descidas em línguas de fogo de outros tempos.
O que varia na política dos dias que correm é o celebrante, muito embora (também) nas religiões os sacerdotes voem muito depressa. Só, às vezes – porque dá jeito; assim tipo paraquedistas ou peregrinações ao alto dos montes com santuário –, vem um líder que faz a diferença. Infelizmente, muitas vezes para iludir os espantos momentâneos do tempo! Ou o seu representante muito próximo. Dizem até que ‘digno representante’.

2. Às outras vozes só quero abrir portas.
Ah! Perdão! Só quem abre portas (ou serve de porteiro ao líder) é convidado para guardar o código de acesso…
O segredo, sabes, está nos conteúdos…
O quê?
Estava, apenas, a pensar, em voz muito alta, na forma como nem pensamos nos limites entre a política e a religião.
Eu sei! Há limites. Mas quem está no altar da celebração vê o fundo da sala? São tão distantes os seus olhares!

Olhar do silêncio

foto: observador.pt
Não é só na política que falta carisma. O domínio do poder económico e financeiro sobre a política e as novas formas de criação de figuras políticas são causa principais do pântano.

Carvalho da Silva, E, 15.05.15 

sábado, 16 de maio de 2015

Sempre será a essência

As mentiras são mais fascinantes do que a verdade.
Umberto Eco, E, 15.04.18
Há uns dias atrás, numa “conversa improvável” que decorreu em Braga (nas IV jornadas de economia que tiveram lugar no auditório da escola de economia e gestão da Universidade do Minho), o antigo presidente de câmara de Braga, Mesquita Machado, afirmou que Portugal “perdeu muito por não se ter avançado com a regionalização”, acrescentando que o nosso país seria “muito mais desenvolvido, se tivesse regiões”.
Nem sempre estive em sintonia com Mesquita Machado, mas neste particular, não só subscrevo as suas palavras – palavras de quem sofreu o centralismo de Lisboa, não duvido! – como considero que Paulo Cunha, o senhor presidente do município dormitório do Porto, quando afirma que se tivéssemos regiões, Bruxelas olharia para Portugal de forma diferente, só está a falar para o umbigo do seu partido. Caso contrário vincaria, como tenho a certeza que muito bem sabe que Portugal seria outro com a regionalização. Não fosse, claro!, o bloqueio de quem tem medo de perder domínios.

Alerta oportuno

Ser dessa luz
esse limite austero que a solidão prolonga
até ao fim
Vergílio Alberto Vieira, in As sequências de Pêgaso
foto: escritoriodearquitetos.com
Não é a primeira vez que Torcato Ribeiro, vereador da CDU na câmara de Guimarães, se mostra preocupado com o que se passa no cemitério de Monchique. Tem razão Torcato Ribeiro em vincar que é fundamental que haja, lá em cima, por cima do parque da cidade, uma “prática de utilização que corresponda ao projeto inicial” que granjeou elogios e prémios.
E, já agora, senhor vereador, permite-me uma achega? O preocupante não passa só pelas “alturas das cabeceiras das sepulturas”, o erro (que põe em causa todo o projeto) – que (já) fez daquele espaço sobranceiro a Guimarães uma referência enorme –, é mesmo existiram campas (jazigos) em pedra ou outros materiais.
Aquilo devia ser, simplesmente, um campo verde. Sem mais! Há tempos, mais ou menos distantes, até lhe chamariam campo santo! Mas os tempos estão tão conturbados!

sexta-feira, 15 de maio de 2015

As crónicas da RUM

A vida é muito mais imperialista do que eu.
Carmo Afonso, E, 15.04.11
foto:uminho.pt
Domingos Bragança, também (já) tem a sua crónica da Rádio Universitária do Minho (RUM).
Não gosto nada!
E não é por ser o presidente de câmara de Guimarães, não!
Percebo a lógica da entrada na rádio universitária de Bragança, mas não concordo. Sei muito bem que Ricardo Rio já tinha, antes de ser presidente de câmara, a sua crónica naquela estação. E continua com esse espaço, mesmo sendo presidente do município bracarense.
Respeito, obviamente, o critério da RUM, mas preferia nem ouvir Domingos Bragança nem Ricardo Rio. Pelo menos no espaço no início da manhã com repetição ao final de tarde.

Sondagem secreta

O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência da sensibilidade
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Haverá neste país que brinca a cada momento com os seus cidadãos, alguém, minimamente informado, que acredite que a base de dados sobre violência doméstica (ou pedofilia) só está “acessível às autoridades”?
Há? Não percebe nada de informática!
Ou faz de contas que acredita nas palavras dos políticos que nos cravam num aterro sem fundo; a cada dia.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Tens medo de mim ou de ti?

Há dez minutos que tenho os olhos postos
nas águas desta ribeira
António Gedeão, in Poemas escolhidos
Parece que o senhor Rui Barreira, o todo-poderoso dono da Segurança Social na região minhota, tem percorrido o concelho de Guimarães a “medir o pulso das instituições de solidariedade social”. Se não fosse um ano eleitoral até seria interessante esta ‘bondade’ de Rui Barreira, mas o mandato que desfez os desejos, a vontade e os sonhos dos portugueses está no fim (só o do governo, porque o resto; bem sabemos como funcionam as escolhas).
Por mim, sinceramente, não fazia, é, a mínima ideia que Rui Barreira tinha conhecimentos de medicina.
Não?
Olhemos então para a forma volátil como o senhor presidente do centro regional de segurança social no distrito de Braga olha para a realidade das pessoas que sofrem; pessoas sempre prontas a abrirem as portas de um futuro melhor: é só “aquilatar o que está no terreno e ajudar, no próprio terreno, a dar as respostas necessárias”.
Como?
Ora, ora!, então?
Promete-se, faz-se uma grande festa (se puder ser todos juntos daqui a uns tempos e em Braga, melhor) e depois corta-se tudo; incendeia-se tudo e serão mais uns tempos de penúria.

Comer o pão amargo da estupidez

Não somos mais altos ao alto
do que a nossa postura.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto: nepo.com.br
Sempre detestei frases feitas, assim do tipo receitas pindéricas de hipermercado; assim tipo “incentivar à natalidade é conciliar a vida profissional com a família”.
Não me fiz entender?
Perguntemos então ao senhor Rui Barreira que considera que tal desiderato (oh!, como adoro esta palavra!) é uma mudança “sobretudo muito ao nível cultural e de mentalidade”.
Atchim!
E andamos nós a correr com gente nova, viva, cheia de genica para fora do país, quando, aqui mesmo, à mão de semear (as próximas eleições estão já aí) temos a resposta oficial. Pomposa! Ter uma grande natalidade é só “conciliar a vida profissional com a família”?
Quem será o anjinho que que se dá ao trabalho de fazer que acredita nesta retórica, com palavras de Rui Barreira, mão de Mota Soares, agradecimento de Passos Coelho e bênção de Cavaco Silva?

Devolver o real

Como é triste envelhecer à porta
entristecer nas mãos de um coração tardio
Ruy Belo, in Orla marítima e outros poemas
foto: tamegasousa.pt
Portugal, vão-nos dizendo com uma intensidade barulhenta e doentia, já ultrapassou a crise que (ainda) mata, destrói e envia para a emigração os portugueses que acreditavam num país que apostou em si e agora está (também nos dizem, intensamente) nos mercados?
Um país mansinho, sempre de cócoras e pronto a lamber de perto as vontades de outros tempos; um país que não para de vender ao desbarato tudo o que (ainda) luz e que (vão-nos dizendo) é cada vez mais apetecível para os grandes grupos económicos (sejam estatais ou privados)?
O velho reino do rei Afonso é agora uma coutada de interesses que matam; desfazem e ignoram as pessoas?
Mas, caramba!, tudo isso que importa, se o Portugal dos dias que matam se faz de um tremendo crescimento do número de idosos que “vivem sozinhos ou isolados?
Nesta história malévola só há um pormenor positivo: o excelente trabalho que a Guarda Nacional Republicana (GNR) leva a cabo; seja na execução dos censos sénior 2015, seja no acompanhamento dos que vivem, cada vez mais, isolados do mundo, das pessoas e dos dias.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Vistas sobre o futuro

Da cidade só restava o cenário do claustro, abandonado
os muros eram baixos e a plataforma afundava-se
Fernando Guerreiro, in instantâneo do início dos anos 90 *
 Há bastante tempo que não me dispunha a correr no parque da cidade, em Guimarães. Fi-lo há dias. Fiquei desolado, triste; sem vontade de voltar ao espaço onde aprendi a viver sem tabaco.
É verdade!
O lago, quando se entra, logo a seguir ao pavilhão da João de Meira, mete dó. Está abandonado. Com uma vegetação estranha a subir do meio da água oca, quase esverdeada. O percurso, depois, depois deste primeiro olhar doentio, perdeu as marcações de outros tempos (pois é! Por aqui, pela cidade desportiva também, se foram). O que vale é que a memória e as aplicações nos telemóveis dão uma ajuda para não exagerarmos no esforço da corrida.
Repito: não fiquei, três anos depois de abandonar o centro da cidade-berço com vontade de voltar ao parque da cidade. Sim! Eu vi que há outras ocupações do espaço. Mas o que vi por ali fez-me pensar que, à medida que se constrói algo de novo, o mais antigo (que não necessariamente mais velho) parece ficar abandonado por terras de D. Afonso.
Espero que essa realidade não seja uma verdade na minha cidade e seja apenas uma impressão da minha imaginação ferida pelo que viu num espaço que (foi) uma referência.
* Bumerangue 3

Olhar do silêncio II

foto: rr.sapo.pt
As pessoas deviam questionar os partidos sobre se, algum dia, vão ter de desligar a luz e ir viver para a única região que recebe investimento.
Rui Moreira, Observador, 15.05.05

terça-feira, 12 de maio de 2015

Símbolo de unidade

O problema dos factos é que nem sempre se ajustam às teorias.
Rui Cardoso, in Courrier internacional, maio 2015
foto: ciclopatrulhadobrasil
Nos últimos dias têm surgido noticias que apontam de forma cada vez mais clara, o caminho certo para que Guimarães seja uma cidade verde. Mas, atenção!, é só  um apontar de rumo; um acerto de agulhas, um redireccionamento de olhares porque há muito caminho pela frente; um caminho que é feito (muito) nos bastidores das decisões e não sob os holofotes do desejo.
Um desses – excelentes e recente – momentos noticiosos passa pela articulação que – em boa hora! – a autarquia vimaranense e o comando distrital da Policia de Segurança Pública (PSP) assumiram para que, pela cidade-berço, a policia também olhe à volta com ciclo patrulhas.
Não é uma novidade absoluta, mas em Guimarães é uma novidade que importa vincar.
Para já a Policia percorrerá o centro histórico, o parque da cidade e a cidade desportiva.
Boa!
Por mim, há muito que me sinto seguro a correr no parque da cidade desportiva; com policias na sua corrida, mas assim, de bicicleta, a coisa até tem mais piada. Estou ansioso por me cruzar com as bicicletas policiais!

Um caminho para encontrar olhares distraídos

É triste ir pela vida como quem
regressa e entra humildemente por engano pela morte dentro.
Ruy Belo, in Orla marítima e outros poemas
Há um pormenor a reter nas últimas semanas no parlamento português: as questões de fundo, aquilo que importa, de facto, às pessoas e que mexe com o dia-a-dia dos portugueses – ou seja, em português que todos sentimos e portanto compreendemos, com as dores que nos matam – têm sempre o mesmo epicentro: Bloco de Esquerda (BE).
Dou um exemplo, muito, muito importante: o governo da desgraça em Portugal anunciou a gratuidade do Prevenal, a vacina fundamental para que as crianças tenham uma vida normal, por causa do debate de urgência que o BE marcou para “discutir a saúde em Portugal”.

Curiosamente (ou não, porque isto anda tudo ligado) o ministro Macedo meteu os pés pelas mãos, mesmo que nada tenha dito sobre “a saída em massa” dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde para “defender os interesses dos grupos privados”.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Aprender a viver

As coisas belas,
as que deixam cicatrizes na memória dos homens,
por que motivo serão belas?
António Gedeão, in Poemas escolhidos
Isto de ir para a rua explicar como se faz a separação de resíduos é do caneco!
E tem que se lhe diga!
Daí que a iniciativa “Não desperdice lixo” que a autarquia vimaranense resolveu levar a cabo nas vilas do território de Guimarães e no centro histórico da cidade-berço mereça um reparo excelente.

Ah! E o facto de os putos (com o apoio paternal, como forma de participação familiar) fazerem umas coisas lindas (em matérias recicláveis, bem entendido!) é extraordinário.

Olhar do silêncio

Ao contrário do que é propalado e que sempre me irritou, o jornalismo não é um poder real. Terá influência (quando tem), mas não obriga ninguém. Já um deputado, magistrado ou governante têm poderes reais. O jornalista não é igual ao político nem se deve movimentar na mesma esfera e nos mesmos parâmetros.
Henrique Monteiro, Expresso, 15.05.09

domingo, 10 de maio de 2015

universo perpendicular

não sei como estão as contas
do tempo; o contabilista nada diz
a cotação em bolsa nada mostra

sei que o tempo não parou
de debitar novas realidades; outras contagens
muitas quedas nos gráficos.

não sei como se fazem as contas
do tempo; sei muito bem
o que representam; significam certezas
nunca apagadas. sei

que o tempo mostra sempre
resultados certinhos.

No bosque escuro

Passos considera Dias Loureiro um empresário bem-sucedido, Oliveira Costa um banqueiro ético,
Isaltino um autarca modelo e
Duarte Lima o advogado mais impoluto desde Lincoln.

o Inimigo Público, 16.05.08

sábado, 9 de maio de 2015

O tempo jamais sente a passagem

Pertenço a uma geração – ou antes a uma parte de geração – que perdeu todo o respeito pelo passado e toda a crença ou esperança no futuro.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Guimarães terá, espera-se que muito brevemente, catalogadas as “áreas com níveis de exposição sonora” que ultrapassem o regulamento geral do ruído. E isso é muito bom.
Mas, para que a iniciativa saída da vereação de Amadeu Portilha atinja o excelente, importa passar (já) da identificação à ação. É verdade que há (já), no terreno, alguns sinais encorajadores. Gosto, por exemplo do desafio Zonas 30. Mas importa que outros surjam.
Há nesta decisão política, que me parece premente, um ar de visão de futuro. Dou um exemplo de cariz pessoal: gosto de correr ali por entre os espaços da horta pedagógica e ao longo da variante até ao caminho real; gosto muito mais das hortas onde tudo é mais calmo (em termos de ruído, atenção!).
Ou seja, a constatação já feita pelo município de que os eixos viários se encontram “em níveis recomendáveis de exposição ao ruído” melhorarão, de certeza, com esta medida saída da vontade política de Amadeu Portilha de “plantação de árvores junto às principais vias como barreira acústica”.
E isso é excelente; melhora o sossego citadino, acalma (mais) as pessoas e faz subir a qualidade de vida. Em suma, será um excelente movimento contra o ruido que vai matando lentamente.

Ah! Só uma nota final: correr no parque da cidade (lá mais para cima) é muito mais sossegado, só se ouve o silêncio.

Elegância bravia

Não te esqueças que a moda do umbigo inaugurou o novo milénio! Como se alguém, nessa data simbólica, tivesse levantado um estore que, durante séculos, o tivesse impedido de ver o essencial.
Milan Kundera, in A Festa da Insignificância

Na cidade de Vila Nova de Famalicão – aquele município dormitório do Porto e que, dizem os meios de comunicação local e regional perfeitamente à mão das vontades politicas que pagam favores (Ui!, onde é que já vi isto?), que é um “município amigo das pessoas” – há, nas ruas (na grande maioria delas), uma marca no chão, com cerca de um metro de largura (com muita visibilidade e uma bicicleta espetada a tinta branca de cinco em cinco metros) que, suponho, seja uma pista para bicicleta, mas coitadas!, deve ser impressão minha porque por ali elas não passam. Podiam, mas não circulam; por mais que o executivo que lidera o município que vive a pensar nas pessoas diga o contrário.
Numa destas manhãs até eu de carro tive dificuldades em circular numa rua que sobe até à estação ferroviária.
Se isto é uma ciclovia! Vou ali e já venho; de carro, porque de bicicleta não se passa e eu não tenho o dom dos milagres que afastam carros do sítios que não lhes pertencem. 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Manter identidade

Reconheço hoje que falhei,
às vezes, de não ter previsto que falharia.
Fernando Pessoas, in Livro do Desassossego
foto: prof2000.pt
Caldas das Taipas merece ser reabilitada?
Ui! que pergunta!
Claro! A área urbana da vila termal precisa como pão para a boca (como gosto desta expressão na politica!) de uma regeneração. Porque a vila está gasta, quase carcomida e o seu centro é o espelho de quem diz que a dirige.
Ela avançará, entre a avenida da República e a rua da Charneca, ou seja, a velha Taipas vai-se embora. Espera-se que (algumas) as memórias vaidosas também sejam apagadas.
Ena!
Para além de este passo em frente demonstrar (clarinho, clarinho) como Bragança e Constantino se levantam em lugares públicos para dar abraços efusivos, ele prova que havia pelas Taipas gente que dormia na forma!
Não, não estou a exagerar! E havemos de falar disso, daqui a ano e meio.
Só um pormenor de rodapé: os dorminhocos de Caldelas têm muitas cores. Até as cores (ditas) progressistas. Não sei porquê! Há quem diga que tem a ver com castas, mas como de castas só conheço as das videiras…
Ah! Pois é! Também as há na India.

Como?

Não há razão forte para que reduzamos a TSU para as empresas. Preferia que a redução fosse também temporária, como é para os trabalhadores.
Pedro Nuno Santos, Público, 15.05.02

Este senhor não é um incondicional apoiante do senhor António Costa?

Olhar do silêncio IV


Os valores europeus humanitários de solidariedade e respeito pelos direitos humanos continuam fragilizados.

Teresa Tito de Morais, Sol, 15.04.30

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Competências certas II

O Portugal futuro é um país
aonde o pássaro azul é possível.
Ruy Belo, in orla marítima e outros poemas
 foto: cm-guimaraes.pt
Acontecimento da (última) semana em Guimarães: a presença do subsecretário das Nações Unidas e reitor da Universidade das Nações Unidas, David Malone, na cidade-berço, mais concretamente na (antiga) zona velha da cidade: Couros. Para a inauguração, em Portugal – ali juntinho ao campus de Couros da Universidade do Minho –, da unidade operacional em governação eletrónica das Nações Unidas.
Como vimaranense estou felicíssimo.
Como português sinto-me vaidoso.
Como cidadão de um mundo cada vez mais pequeno só posso dizer: obrigado Guimarães pela “disponibilidade e comprometimento”.

Uma pequena nota de rodapé: caro Domingos Bragança obrigado pela teimosia. Outros chamar-lhe-ão outra coisa; eu prefiro vincar o olhar de quem não tira os olhos do futuro.