domingo, 9 de agosto de 2015

Redenção inédita

Mas em Lisboa dirá o guarda-livros a el-rei, saiba vossa majestade que na inauguração do Convento de Mafra se gastaram, números redondos, duzentos mil cruzados, e el-rei respondeu. Põe na conta, disse-o porque ainda estamos no princípio da obra, um dia virá em que queremos saber.
José Saramago, in Memorial do Convento
foto: rtp.pt
Quando o silêncio nos obriga a sair de nós, é porque há notícias fortes que nos lançam muito para além da normalidade dos nossos olhares, para além de nós. E então para nós vimaranenses, sempre convencidos de que éramos uns senhores no que à cultura diz respeito!
Perco, então, o fio ao meu silêncio ao ler que “o melhor ano de sempre” do Theatro Circo, em Braga, acontece devido “à qualidade de programação, à gestão do espaço e à adesão do público”.
Porra!, que se passa? Por Guimarães, claro.
Sim, sei que vem aí por, por exemplo, o Manta – que duas grandes malhas! –, mas fico com uma tremenda dor de cotovelo ao ler que “Festival indie reforça centenário do Theatro”.
OK, por Guimarães não há centenários, mas isso não faz diminuir a dor que sinto.

Nota de rodapé: há títulos jornalísticos que me enfurecem. Palavra! Reparemos neste (Correio do Minho, 15.07.25): Guimarães quer ser cidade europeia da cultura.
Devo andar distraído; não o entendo.

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