domingo, 30 de novembro de 2014

a grande ilusão

estou velho. ultrapassado; fora do tempo
com a mania de manter convicções acesas
continuo – cada vez mais – arrependido
pelo que não fiz. gosto de ver o areal da praia
vestido de pescadores. gosto de misturar as escadas
do poder na fé dos encontros. mania que tenho – é motivador
estar onde está a razão – de esmagar cinismos
sem limites. mesmo que as cores pareçam
muito iguais. mania que tenho de olhar o areal
da praia vestido de pescadores sempre prontos a enfrentar
a ondulação mais perene.

temo que para além das rotinas da sobrevivência não queira
mais nada – convicções acesas? – temo perceber que gastei energias
feito palhaço em palco só de festejos baratos; ocos. a amarga
vitória da alucinação e miragem. estou velho. estou
onde estou. com convicções
assanhadas. acesas.

sábado, 29 de novembro de 2014

Falta pouco?

 
Sabes?, há gente que vai ser completamente cilindrada dentro de poucos momentos
                  e anda por aí a fazer de conta que agora só pode elogiar o que durante um tempo descomedido trucidou.

Sabes? há gente que, querendo continuar o que condenou com arbítrios escondidos durante os últimos tempos,
                 agora está convencida de que pode atirar para o canto do silêncio, da indiferença e do faz-de-conta 
tudo o que foi fazendo contra aqueles que lhes escapavam ao controlo dos                 caminhos; antes de descobrir as artes de uma porta que ainda decide futuros.

Sabes? claro que o desejo de afastamento do grupo que muito bem conheces sobe a cada dia que passa.

                                               Quem quer ficar onde é assestado contra a pouquidade?

Captar o presente

O mundo humano quis introduzir, é certo, um certo lirismo em certas equações, mas o que sucedeu foi o inverso: o lirismo como que ganhou o vício da contabilidade: quanto sofri?
Gonçalo M. Tavares, Noticias Magazine, 14.11.23
foto: ladislauleal.com.br
Na mensagem que o papa Francisco deixou na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em Roma, destaco duas afirmações no meio de um excelente discurso. Os dois perfeitamente atuais, mas com leituras muito para além dos dias.

A primeira – «numa sociedade individualista e submetida às lógicas do mercado perde-se a solidariedade e as consequências são para todos, até para a “nossa irmã e mãe terra”» – não deixa dúvidas. Aquilo que era (só) do domínio de uma forma diferente de olhar os dias, serve todas as religiões, partidos, formas de governação; seja em que parte do mundo for.

Seria interessante que o responsável máximo da Segurança Social em Braga, Rui Barreira, lesse, pensasse e agisse com base nesta afirmação do máximo responsável do catolicismo: 
"o faminto está ali, na esquina da estrada, e pede direito de cidadania, pede para ser considerado na sua condição, para receber uma alimentação de base sadia”.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Há casa presas por um fio

Guimarães é um concelho sui generis. Sabíamos todos. Grande sinal da evolução do poder local.
Infelizmente também o é por razões bem piores. E portuguesas, do tipo banco da escola; diz-se que é um xico-espertimso, que se faz passar por dono da verdade. Não conheço esse do banco da escola, mas conheço realidades violentas. Como as que o Jornal de Noticias dá título: “casa por um fio após queda de muro”.

Sem brincadeiras, Aldão é mesmo ali onde dizem, terá acontecido uma certa batalha que rasgou horizontes de futuro, não é?
Corte-se o mal pela raiz e, à boa maneira do sítio, chame-se os bois pelo nome e evite-se, de vez, a ruína total que paira em muitos outros recantos do concelho.
É muito simples. E tem nome em português: fiscalização. Sem contemplações.

Desalento dos dias mais frios

António recebe o Rendimento Social de Inserção (RSI). A renda que tem para pagar leva o RSI quase todo.
Leonor (nome fictício), tem 16 meses e está sentada no seu carrinho de bebé. Bate palmas e ri-se, fala muito no seu dialecto próprio.
Manel (nome fictício) (…) um ano a trabalhar como jardineiro, com garantias, promessas, mas sem rendimento fixo.
foto: rr.sapo.pt
Podia continuar a ler o excelente trabalho “tive fome e deste-me de comer”, publicado no suplemento do Diário do Minho, Igreja Viva, mas não. Dói-me demasiado a alma. 
Assusta-me tudo o que possa dizer ou escrever a seguir.

Sei que tudo, mas tudo o que se passa e que a reportagem relata, se passa, “poucos minutos das 19H00” “no centro de Braga” num “local com pouca iluminação” e onde “alguns vultos deambulam impacientemente”.
Sei também que tudo isto acontece em Braga onde um todo-poderoso Rui Barreira se vai esquecendo da sua pertença a um catolicismo que denuncia esta realidade. Como devoto deveria saber de cor o que um tal de Mateus escreveu (Mt, 25, 35).
E sei que tudo isto acontece onde o responsável máximo da Segurança Social vai fazendo tudo para mandar para casa pessoas que tiveram uma vida de labor intocável.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Será que o pior ainda está para vir?



Para as famílias da política dos compadrios, fretes e favores com capa de pretensões diabólicas, Portugal tem dois excelentes exemplos de como os portugueses são comidos ao pequeno-almoço, feitos cereais moles, parvalhões e sem sabor por doutos da política: José Lello e Couto dos Santos.
Um, o primeiro, diz que é socialista, o segundo que usa regularmente cartãozito laranja. 
Estes senhores da excecional mediocridade queriam favores de volta.
Que tropa, esta!

Amanhã, ou já a seguir – porque, finalmente!, tudo está a correr bem mais depressa no coração dos que vão decidir, ali mesmo ao virar da esquina do oportunismo, já não haverá uns profetas que anunciarão “leite e mel” a alguns num negócio do tipo pirâmide!

Amanhã, porque hoje já foi, (eles) estarão num outro lado a dizer que a “tropa do PS”, não só não é tralha (tinha que vir uma estapafúrdio termo complicado dos dias que correm!) e uns senhores do PSD (esses são barões, não é?) querem, matar coisas lindas que a democracia vem produzindo.

Nota de rodapé da memória: conheci mais ou menos de perto dois dos Franciscos mais marcantes da politica em Portugal: Zenha e Sá Carneiro. Que Homens!

História antiga e cruel

Um destacado deputado da actual maioria parlamentar, Carlos de Abreu Amorim, professor universitário, especialista em direito das autonomias locais, chamou às assembleias municipais os “eunucos do poder local” (…) Escândalo será as assembleias municipais aceitarem dar razão a Carlos de Abreu Amorim.
António Cândido de Oliveira, Expresso, 14.11.22

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Já não estou onde estava

Há um certo tempo que vinha sentindo uma espécie de urticária quando lia alguns (sublinho, alguns) textos que Francisco Assis ia escrevendo. Depois a comichão aumentou de intensidade quando um tal de João – que até já foi sindicalista e tudo! – ia fazendo de conta que acreditava num novo futuro.
Hoje – agora, amanhã e depois do que se pode ler vindo de uma carta bandas de um certo PS –, não tenho dúvidas.
E, então, quando leio que “Assis e Proença admitem aliança com o partido laranja” só tenho um comentário: é (só) mais um argumento (outros virão já, já de seguida) ao que tenho vindo a escrever: há quem esteja onde não deve estar.
Reafirmo, por isso, que já não estou onde estava. E amanhã é já ali. Claro que o amanhã a que me refiro, e que, discreta e implicitamente, me venho referindo, é já agora.

Em jeito de provocação: “É quase unanimidade que o rodeia [António Costa], embora se saiba que, em política, o silêncio raramente é sinónimo de apoio”. (Editorial, Público, 14.11.21)

Olhar do silêncio

Os cidadãos pagam impostos sem apelo nem agravo, ao mesmo tempo que são sobrecarregados com cortes nos salários e pensões e outros encargos (…) é neste contexto que a Galp e a REN se acham no direito de não pagar 60 milhões de euros de contribuição extraordinária sobre o sector energético.
Manuel Carvalho da Silva, Jornal de Noticias, 14.11.22

Grande papa!

Patti Smith terá lugar de destaque no Vaticano.
Quem diria!
É verdade! A cantora que, quando muito mais nova, cantou um Jesus que não tinha morrido pelos seus pecados, é – no próximo dia 13 de dezembro e no auditório Conciliazione – a grande novidade do concerto de Natal do Vaticano.

Quem disse que o papa Francisco não é um homem de mudanças?

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Pouco menos do que a realidade mórbida

Torcato Ribeiro, no período de antes da ordem do dia, na última reunião do executivo municipal vimaranense, perguntou qual será (é) a opinião da câmara de Guimarães sobre o adiamento da dissolução de uma das associações de municípios que já foi referência em Portugal, mas que agora está morta e estende o seu fantasma para além da normal normalidade dos dias, a associação de municípios do vale do Ave (AMAVE).
Resposta (depois de muitas variáveis): “existem, muitos processos a seguir trâmites nas vias judiciais”.

Ui! Amanhã quando, não se sabendo quem liquida em comissão própria, não haverá quem tenha mão nas palavras – seja de que dimensão for, sobre uma associação que foi excelente; foi morrendo e, moribunda, faz de conta que amanhã ainda se fazem coisas.

Vultos feitos penumbra

Escreve Paula Maia no Correio do Minho que cerca de “400 funcionários do Centro Distrital de Segurança Social de Braga protestaram” na última quarta-feira “contra a requalificação que o governo está a colocar em marcha”.
O diário bracarense não tem dúvidas sobre o que o ministro da mota e o vimaranense que destrói o que resta de segurança social no distrito de Braga vêm fazendo.
Ah! Está em curso um processo de requalificação que é “um despedimento encapotado”.
Leitura correta do diário bracarense.

Importaria, pelo que significa para a região, perceber onde (e como se posicionam) andam Ricardo Rio e André Lima.

Não basta fazer de conta que se está a trabalhar no futuro da região – Perdão! É o que certa retórica parece querer fazer passar. Importa olhar, por favor, para a destruição das pessoas que acreditaram na boa fé das palavras bonitas. Como as que foram dirigidas aos trabalhadores de Pevidém, ou melhor, do infantário local.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O mesmo desalento; sempre

Se a proposta fosse a votos, votaria contra, assim como muitos deputados socialistas. Foi positivo o recuo.
Miguel Laranjeiro, Jornal de Noticias, 14.11.22
foto: extra.globo.com
Vivemos num país de loucos; de pessoas que sobem até ao pedestal mais próximo para criarem ou manterem mordomias que só dão para alguns.
Quando, por exemplo, o BE diz que o governo de Portugal é o mesmo que “cortou pensões e salários” e que “vem agora dizer que, afinal, tem dinheiro para repor os privilégios dos políticos”, está a bater na tecla certa da realidade parva que vai atravessando uma certa forma de fazer política em Portugal.
Para já, os chefes dos dois partidos mais votados decidiram que, afinal, essa coisa das subvenções vitalícias não é para levar a sério. Mas, sublinhe-se, é só para já.
Depois das próximas eleições legislativas vamos ver onde nos levam as pessoas que sobem até ao pedestal para manter mordomias.
Ocorre-me, ao pensar nesta triste realidade à portuguesa uma pergunta que nunca nos sai da cabeça quando tudo está mal: será que o pior ainda está para vir?

GI em mudança

No próximo sábado, dia 6 de dezembro, pelas 10 horas, os associados do GI-Associação de Profissionais e Colaboradores da Comunicação são chamados a escolher os seus novos órgãos sociais.

É uma situação normal na vida de uma associação, bem sabemos, mas esta chamada à participação das pessoas que integram aquela agremiação fundada em 1976, tem um sabor especial: significa uma injeção de vida.
Os tempos são complicados para o associativismo. É verdade! Mas ficar de braços cruzados nunca foi solução.
Neste momento é uma comissão administrativa, na qual tenho o prazer de colaborar como o Esser Jorge Silva e o Alfredo Oliveira, que vai tentando arrumar a casa. Mas, estamos os três convencidos, isso só até ao próximo dia 6. Porque acreditamos que haverá soluções de futuro nesse dia.
Para já, importa saber que fruto da última Assembleia-Geral extraordinária, para participar na mudança basta só pagar as quotas do ano em curso, uma vez que foi aprovado um perdão de cotas até ao dia 31 de dezembro de 2013.


Ah! todos os associados interessados poderão apresentar as suas listas, nos termos dos estatutos da instituição, até à hora do ato eleitoral.

domingo, 23 de novembro de 2014

Confusões

Cavaco julgava que um visto gold era o convite que Oliveira Costa lhe fez para ser accionista de referência da SLN.
O Inimigo Público, 14.11.21

Numa terra desconhecida

Quando os lugares ou promessas de lugares falam mais alto, não nos deve espantar a forma como a indignidade toma conta dos dias; o oportunismo rasga por entre o vermelho dos semáforos da dignidade.
Não acreditava na existência de “lojas de empregos partidários e negociados”, como há tempos escreveu Miguel Varunca Simões, mas infelizmente eles existem. E “têm sido o coveiro do regime democrático”, como vinca Varunca Simões.
O que eu pensava e defendi vou continuar a defender. Acredito, e portanto, vou em frente.
Tantas vezes, muitas vezes mesmo, pensei que era o último olhar. Mas os dias, a passarem sempre apressados e espantados, vão dizendo que a capacidade de adaptação é a única saída para seguir em frente. E eu sigo.
O caminho a percorrer é que vai ser diferente.
E estou que estou quase nele!

sábado, 22 de novembro de 2014

Viver acima das fantasias? *

Porque insistimos em ficar onde não nos querem?
Os partidos, as lojas, os santuários, os desejos ou os sacrários podem ter a chave na mão de alguns, mas não são esses que nos levarão ao futuro. Não, não são eles!
Infelizmente não deixa de ser verdade que estes – partidos, lojas, santuários, desejos ou sacrários – têm a vida que lhes damos, que deixamos que tenham, mas há muito mais vida para além dos partidos, das lojas, dos santuários, dos desejos e dos sacrários. Basta estarmos atentos às dores que nos tiram o sono; aos silêncios de quem (era suposto) nos diz que ajuda a entrar no futuro; no amanhã.
Um desafio: se o nosso olhar for discreto, não fizer as ondas que os atores das coisas da moda querem, percebemos rapidamente o quanto andamos enganados por estarmos onde não nos querem?
Temos outras chaves. De outras portas; fundamentais.
Que tal mandarmos para a bordamerda aqueles que fazem questão de dizer aos quatro ventos que não nos querem?
Não valem nem um olhar – mesmo de desdém – dos que sabem como nenhum profeta é capaz de ser rei na sua terra. Ou de levar fieis com palavras módicas.

* que bom é podermos fazer crescer os lugares de afetos.

Que conselho *

O que poderei eu, isoladamente, fazer me matéria de saúde para que contribuamos para um serviço de saúde “gratuito”, sustentável e duradouro? A resposta está na prática do desporto, desde pequenino até velhinho.
Manuel Ribeiro, Reflexo, novembro de 2014

* melhor do que com c

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Permanência no topo

foto: blogdominho.pt
Por que razão Guimarães ganhou o prémio “Município Região Norte”?
Prémio “Município Região Norte” o que é isso?
Muito simples: a Universidade do Minho nunca dorme em serviço; por ali não só se está atento ao que de bom se pode fazer, como se lançam parcerias, promovem trabalhos conjuntos; enfim, leva-se a universidade aos dias das pessoas.
E…
Ah! Perdão! A Plataforma das Artes e da Criatividade que existe ali onde antes era um mercado, arrecadou o prémio município do ano, relativo ao ano em curso. O prémio, falta dizer, é o UM-Cidades.

Como vimaranense estou duplamente feliz: a universidade da minha região prova que sabe o que e faz o que sabe muito bem.
A minha cidade ganha a confirmação que todos já sabemos: olha o futuro sem se apagar o passado.

Transparência em grande

Pelos vistos, a câmara de Vizela é a “autarquia do distrito de Braga com melhor classificação no índice de Transparência Municipal (ITM).
Boa!
O que para mim, cidadão vimaranense dos sete costados, me alegra mesmo é verificar que o município classificado em terceiro lugar – por sinal não muito longe do primeiro – é só o maior município da região.
Sim da região, porque isso do minho já foi!
Parabéns aos senhores que, em Guimarães, abriram um espaço com vidro, ali na entrada de Santa Clara.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Vincar o bom é bom

Domingos Bragança, deu entrevista a Radar terra a terra (suplemento do Jornal de Noticias) no passado dia 15. Registo três afirmações.
Uma de confirmação: “neste ano de mandato conseguimos uma afirmação forte do Campus Universitário de Couros”.
Outra de promessa: “darei uma atenção especial à sustentabilidade ambiental”.
E a terceira como retrato do homem que preside aos destinos da autarquia vimaranense: “sonho por realizar: afirmar Guimarães como um dos melhores destinos do mundo para se viver”.

Das três a que me faz pensar mais é a segunda. Mas espero que Domingos Bragança cumpra essa sua vontade tornada pública.

Aposta segura

foto: publico.pt
Uma senhora vinda do outro lado do muro, mas que, atravessando-o, domina a ferro e fogo uma Europa à deriva, andou por aí a dizer mal do que se faz nas universidades portuguesas, ou pelo menos, do número de licenciados.
A senhora lá saberá por que razão as empresas do seu país recrutam quadros de qualidade em Portugal!

Teve a resposta certa por quem sabe como não se brinca nas universidades portuguesas: “devemos continuar a aumentar o nosso número de diplomados”. As palavras – que sobrescrevo totalmente – são do reitor a UM e presidente do CRUP, António Cunha.
Foram transmitidas a Samuel Silva em entrevista que deve ser lida no jornal Público do dia de S. Martinho.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Atlântico unido

foto: bragatv.pt
Espero para ver o que vai ser o caminho cultural do Atlântico, muito embora esteja convencido de que as quinze cidades portuguesas, francesas e espanholas que já se haviam encontrado na Galiza, sejam capazes de agitar alguma apatia.
Mas o facto de o vereador da Cultura de Guimarães, José Bastos (como gosto da sua pose fotográfica ao lado de Ricardo Rio, denotando como a cultura em Guimarães há muito entrou em velocidade de cruzeiro, quando em Braga ainda precisa da mão presidencial para sair de um labirinto que fere os bracarenses!) estar à frente deste desafio internacional, dá garantias de que haverá novidades na ação.

As fraldas de Eça estão na moda

A cada dia que passa tenho mais medo de Portugal; o que não quer dizer que não acredite em Portugal. Desde logo, porque acredito muito nos portugueses.
Só que os exemplos dos últimos dias – que confirmam todo um passado recente feito de favores, fretes e promessas que ficam em cima da sebe (cortada logo de seguida) que circunda o edifício público só contribuem para o meu descrédito.

E então quando vejo que já há quem defenda que todos juntos somos capazes de mobilizar Portugal, fico com uma tremenda vontade de mandar para aquele sítio todos os oportunistas que fazem da ação politica o palco da sua ilusão de vida.

Mas voltando aos últimos dias que mataram mais ainda o país, mesmo que haja alguém que vai dizendo que foi só para fazer investimentos num país teso, só posso dizer mesmo como o senhor Eça: este país precisa de mudar de fraldas. E de políticos, claro!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Olhar no futuro

Escreve Samuel Silva (Público, 14.11.12) que “Guimarães tem um projeto pioneiro para levar o ensino artístico às escolas do primeiro ciclo”. E, logo no ano de lançamento, já “mais de 1.600 crianças com aulas de teatro e dança que – espetáculo! –, vão “assistir a espetáculos e receber criadores nas suas salas”.
Excelente!
Não gosto de individualizar ações pessoais num executivo municipal que vai fazendo coisas lindas em Guimarães, mas, não sei porquê, não há aqui um dedo inteligente de uma senhora chamada Adelina?
Sim, Adelina Pinto, vereadora da Educação na câmara de Guimarães!

Esta senhora é mesmo senhora no que à Educação, o seu presente e o seu futuro diz respeito 

Olhar do silêncio

A independência judicial, tal como as outras instituições políticas das democracias constitucionais do nosso tempo, não é um dogma inacessível à inteligência humana. Como todas as outras instituições, tem a sua justificação prática: garantir que as decisões dos juízes sejam imparciais.
Pedro Bacelar de Vasconcelos, Jornal de Noticias, 14.11.14

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Olhar à volta num tempo que esmaga?

A pobreza constitui uma violação dos direitos Humanos.
Alfredo Bruto da Costa, Igreja Viva, 14.11.13
Escreve Bento Domingues (Público, 14.11.09) que “deveria observar algum tempo dejejum em relação ao estilo, aos temas e aos conteúdos das intervenções de MarioBergoglio”, o papa que preside aos destinos da igreja católica. Só que, vinca o frei dominicano, não lhe “apetece nada precipitar a quaresma”.
Quaresma nesta altura do ano! Tem razão Bento Domingues.
Ah! “Há quem discuta a legitimidade da eleição do argentino Mario Bergoglio”!
Será gente saída de uma igreja católica esteja cheia de gente que acredita que “o diabo também mora no Vaticano”?
Não creio! Como não creio que o diabo ande por ali. Muito embora não faltem por aí diabos à solta; à espera de esmagar as palavras dos católicos que sabem olhar à volta. E reagir. E agir. A sério!

Ah! o papa católico, vindo das pampas argentinas, é a mesma pessoa que nunca gosta de poupar nas palavras. E que não tem medo do que afirma Miguel Angel Belloso: “os pobres querem ser protagonistas” e praticam “essa solidariedade tão especial que existe entre quem sofre” e que a “nossa civilização parece ter esquecido, ou pelo menos, tem muita vontade de esquecer”.


Nota final: O que debilita a igreja são os falsos unamismos ou o empurrar as questões difíceis para debaixo da mesa. O que debilita a igreja é a rigidez de quem se considera dono da ortodoxia e se torna surdo à porção de verdade que os outros testemunham. (José Tolentino Mendonça, Revista, 14.11.08)

Fanatismo católico

Populares rezam à porta da igreja na hora da missa.
Título do Jornal de Noticias, 14.11.15
Como abrenuncio a raiva católica (é mais de alguns católicos, não é?) quando os infiéis são incapazes de aceitar a mais elementar das regras das instituições: renovar para não morrer.

PS – Nem vale a pena a discussão se o novo pároco de Canelas (Vila Nova de Gaia) é melhor ou pior que o anterior. Por mim detestaria estar no papel de Albino Reis (um homem com mais de 25 anos de sacerdócio e um comboniano com uma larguíssima experiência evangélica em África e no Brasil. Ah! não será demais trazer aqui que foi o primeiro padre a declarar-se objetor de consciência – em termos militares – e, como castigo, foi até ao Brasil).
Até porque sempre considerei um absurdo dar a face (nem uma nem a outra) à estupidez.

domingo, 16 de novembro de 2014

Resposta certeira

Não me parece que a circunstância de ocuparmos ocasionalmente cargos de responsabilidade politica nos condicione no desempenho de outras funções, se assim fosse, metade dos governantes ou das nomeações do governo não estariam em funções.
Amadeu Portilha em resposta a André Lima – “o presidente da Vimágua é a mesma pessoa que é presidente do PS em Guimarães

A espada de Afonso

Enquanto a imensa maioria dos portugueses perdeu robustez, arreganho e lucidez no seu viver, por força da estapafúrdia mania e desejo vendido de empobrecimento do governo de Pedro e Paulo – cujos representantes locais têm nomes como André ou Rui – Guimarães coloca a espada na mão do rei Afonso.
Ui! Grande conquistador!

Teremos luta contra os infiéis vendedores de pátria?

sábado, 15 de novembro de 2014

Até que enfim!

foto: cm-guimaraes.pt
Um mês depois de a votação ser anulada, a autarquia [de Guimarães] envia conclusões do inquérito interno ao [Ministério Público] devido a indícios de crime.
Público, 14.11.14

Importa-se de repetir

Em que é que discorda do executivo?
Repare, tem que haver discordâncias de orientações ou discordâncias de intervenção
André Lima, respondendo a Eliseu Sampaio, Mais guimarães de novembro de 2014

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Uma questão de fé

foto: planoclato.com
Um ministro do governo de Pedro e Paulo veio até Guimarães “aproximar o estado do cidadão”. E, convencidíssimo de que em Guimarães só o PSD é que é senhor absoluto do futuro, o senhor ministro anunciou coisas em sede de PSD (eu sei que não foi na sede). Coisas que fizeram sorrir os militantes social democratas vimaranenses. Coisas que, pela sua importância e impacto mereciam a presença de um senhor ministro do governo de Portugal. Coisas que um dirigente partidário até pode transmitir aos seus apaniguados, mas não num espaço público, e com a presença de jornalistas. ou, pelo menos, achava eu que em nome de alguns valores, não devia.

Ó Casimiro deixa o senhor ministro em paz!
Não, não deixo, é que Poiares Maduro veio a Guimarães, ainda há pouco tempo, e ali em Couros, fez questão de agradecer à autarquia vimaranense as “diligências efetuadas pela Universidade do Minho e a Câmara de Guimarães para a instalação da unidade operacional das Nações Unidas”.

É por estas e por outras que considero uma chatice a presença de ministros em festas partidárias. Confundem tudo. Baralham as pessoas. E põem alguns a transportar bandeiras que não sabem como se transportam.

Post scriptum – Perante simpatizantes e militantes laranja Poiares Maduro tem uma ousadia que quase sobe a serra de Santa Catarina e abraça o Pio IX. Essa de considerar que as reformas do Estado têm sido benéficas para Guimarães só mesmo para quem tem muita fé. E acredita em tudo. E ainda há quem diga que estas palavras vêm de “figuras de manifesta relevância nacional”! Caramba! Se não tivesse a coisa devia chegar ainda mais alto.

Isto é Portugal

O estudo de impacto ambiental das minas de ferro de Torre de Moncorvo, pode ler-se no caderno de Economia, do semanário Expresso (14.11.08) está para apurar se os morcegos que habitam o local “hibernam ou invernam. A decisão foi esta semana anunciada pelo Instituição de Conservação da Natureza.

olhar do silêncio

É fundamental a transferência de conhecimento da academia para a indústria, mas esta não implica necessariamente que os doutorados tenham que ser integrados nas empresas.
Miguel Oliveira, Reflexo, novembro de 2014

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Geminações e parecerias

Da geminação das cidades de Guimarães com Dijion – Tantas geminações! – dizem-nos que poderá nascer a potenciação ou construção de uma cultura europeia nos mais novos
Quem sabe!

A ideia das geminações sempre passou um pouco por aí, mas depois de uma capital europeia que uniu tantas e tantas realidades, pensava eu que isso de geminações era coisa do passado.
Parece-me que estou desatualizado.
Mas, nem por isso, deixo de vincar: há internacionalizações – é só olhar à volta – que se esvaíram totalmente. Outras que nunca se perceberam.

Dores transversais

Nem sempre o que nos vai na alma é explicável por palavras; nossas. Umas vezes só os silêncios o explicam. Muitas vezes, há quem leia outras dores que atravessam a alma. E use as palavras certas. No momento certo.
Por isso, por agora, e com a devida vénia, uso as palavras dos outros.

1. 126 mil desistem de procurar trabalho por trimestre A cada três meses, 15% dos desempregados passam a inativos.
Expresso (Economia), 14.11.08

2. Ao contrário do que afirmam os economistas ultraliberais, a sociedade não se constrói à semelhança de uma pirâmide que funcione fazendo com que quanto mais dinheiro chegue aos do topo, mais dinheiro corra para baixo, para ser distribuído pelas outras camadas da pirâmide, uma a uma até à base.
António Pinto Ribeiro, Ípsilon, 14.11.07

3. Em parte da UE há este descrédito; a promiscuidade entre os poderes fez o egoísmo institucional afastá-los [políticos e instituições] do cidadão. (…) há 2000 anos os romanos disseram que não nos governamos, nem nos deixamos governar. Mas o que fizeram os partidos, senão convidar os euroromanos para nos comandar?
Jack Soifa, Público, 14.11.07

4. O mundo não está interessado em resolver questões de longo prazo como a falta de água ou as alterações climáticas. E com o crescimento do terrorismo e dos fundamentalismos por todo o mundo, pode dizer-se que a terceira guerra mundial já começou.
Jacques Attali, no World Business Forum, que teve lugar em Milão há uma semana, in Revista, 14.11.08

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Que vergonha a pobreza envergonhada

foto: oconquistador
Há mais pobreza em Guimarães?
A realidade social dos tempos que correm é igual, pior ou melhor do que (pelo menos) há 80 anos?
A mim parece-me pior. Mas não vivi nesses tempos. E apoio-me nas palavras de José Castelar, presidente da valência da rua de Donães, do Lar de Santo António, que com a crise vêm-se mais pobres envergonhados.
A verdade é que se continua a existir uma casa dos pobres é por que ela faz sentido.

Onde está o dinheiro?

Escreve Samuel Silva (Público, 14.11.06) que “será um banco a ajudar a pagar a reforma da torre de menagem e adarve do castelo de Guimarães”.


Curioso; a assinatura do protocolo, na última quinta-feira, dia 6, ter tido lugar na torre da menagem!

O resto é uma realidade que trespassa as realidades de muitos países.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Já só faltam as correntes

Na edição de outubro do Le Monde Diplomatique (edição portuguesa) Sandra Monteiro assina um texto – “Avaria o Estado” – que mata em definitivo o desejo de ser feliz; o desejo de acreditar num futuro justo para cada cidadão.
Numa extraordinária análise da realidade portuguesa aquele texto começa por tirar o sono ao leitor, quase de imediato: ”o atual disfuncionamento da sociedade é uma consequência previsível” daquilo que a Europa deseja, na medida em ele advém “da transformação estrutural imposta pela austeridade, pela dívida, pela arquitetura europeia e monetária”. E não tem dúvidas: “avariar o Estado é um elemento central deste empreendimento”.

E como se avaria o Estado? Muito simples: “através dos cortes de financiamento e das transferências de recursos, isto é, com políticas de desinvestimento público, degradação do Estado Social, ataque ao mundo do trabalho e canalização dos recursos aí gerados para o sistema financeiro”.

E trará vantagens para o futuro?
Nem pensar. Desde logo porque este “avariar o Estado”, o que faz é prosseguir “a desvalorização interna, a aposta num país com salários tão baixos que possa competir com todas as indignidades laborais que outros conseguiram impor aos trabalhadores”. Algo que “nas mentes” destes avariadores do Estado “há de levar ao fim do modelo atual de Segurança Social e ao alargamento do mercado dos seguros privados”.

E a cereja no cimo do bolo deste texto: “as mais eficazes avarias do Estado, ou os melhores arranjos pessoais e negócios privados, fazem-se discretamente. De alguns até há noticias como acontece com o «caso Tecnoforma» ou o «caso BES».
Por fim, “avarias o funcionamento do Estado é fácil: corta-se, transfere-se, destrói-se e desrespeita-se a vida da maioria dos cidadãos”.

E nós cidadãos indefesos gostamos de ouvir notícias sobre este tipo de avarias no sofá. Enquanto temos! Por que por este andar não falta muito tempo que sentamos o traseiro em pedras húmidas ou dormimos em camaratas onde de vez em quando libertam os gases.