domingo, 31 de agosto de 2014

Amanhã já é tarde

1. Olhando para as governações (mais de ao pé da porta; mais ali ou mais distantes) o que constatamos?
Muitos daqueles que antes integravam o leque dos sempre contestatários (ainda que em surdina) dos líderes partidários, agora, estando no patamar quase perfeito do poder, seja com leituras circulantes em salas escuras, seja com desenhos sempre aventurosos no desenho da perceção, ou são donos de atitudes que são autênticas bombas nas acendalhas que afastam o eleito do eleitor, ou são campanários frios e altos que sopram ao ouvido do chefe discursos vazios e veredas por onde, um dia quando menos pensam, serão corridos. Seja aqui ou ali; mais ao lado.

2. Quando, por exemplo, aqueles que usam a inscrição (e não escrevi militância propositadamente) num partido como entrada na agência de emprego ou promoção de lugares – como são os partidos de poder em Portugal –, está-se a motivar a participação dos cidadãos na vida pública?
Ou aceitações desta natureza são o alçapão por onde morre toda a esperança de participação na vida pública?

3. Se os partidos (do poder ou não) fecham as suas sedes, só as abrindo aquando dos atos eleitorais e, nesse entretanto (que é o grosso da vida político-partidária), dirigem todas as decisões políticas dos seus locais de governação – sejam conventos onde os doces sempre foram tentações mortíferas, sejam espaços de memória histórico-coletiva – estão a aumentar ou a diminuir o fosso entre eleitos e eleitores?

4. Tenho medo do amanhã partidário.
Aqui. Ou ali; mais ao lado.

Nota final: Há momentos na história das pessoas em que a ousadia de marcar a diferença é a coragem de dizer não. Amanhã direi porquê. É que o futuro já não é um lugar solitário, mas um espaço onde já ninguém duvida: só cabem os que morrerão de “espinhela caída”.

amanhã diremos

vê a minha visão do amanhã. outrora
desenhava sonhos; hoje
vivo-os com o prazer supremo
de quem sente o caminho
que leva a concretizações solenes
desejos. quem sentirá de perto
o caminho que nos leva além de nós?

vamos; os dois. juntos. sorrisos 
abertos; mentes
abertas. amanhã?
que beleza! foi o hoje

sábado, 30 de agosto de 2014

Nos caminhos de Guimarães

A bienal Contextile transporta para Guimarães um mundo novo construído a partir do modo como, a nível internacional, artistas contemporâneos abrem caminhos. 
Valdemar Cruz, atual, 14.08.30

Desiludidos?

Jornalistas que viam em António Costa um messias, desiludidos por ele dizer que ‘não ressuscita mortos’.
O Inimigo Público, 14.08.29

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Ausência estranha


foto: cimj.org/politicanofeminino/

Sónia Fertuzinhos, que para além de deputada na Assembleia da República, é uma das eleitas locais na Assembleia Municipal de Guimarães, quantas vezes esteve no auditório da Plataforma das Artes?
No auditório da Universidade do Minho tenho memória de a ver algumas vezes; no novo espaço da assembleia municipal vimaranense confesso que não me lembro de me cruzar com a eleita local.
Deve existir uma forte razão, de certeza, para esta ausência de Sónia, não deve?

Mesmo por aqui; ao pé da porta

foto: publico.pt
Álvaro Beleza, contesta no Diário de Noticias (14.08.21) “este sistema de jagunços, do nordeste brasileiro, como no tempo dos coronéis” que vai aparecendo em alguns locais deste Portugal tão bem retratado por J. Rentes de Carvalho no seu “Portugal A Flor e a Foice” (que aconselho vivamente pelo seu “olhar heterodoxo”).

Neste Portugal sem princípios, sonolento e convencido que o ontem é o amanhã, Álvaro Beleza não tem dúvidas: “não reconheço autoridade ética a dinossauros autárquicos que agora parecem virgens indignadas”.
Álvaro Beleza!
Alguém se lembra deste “jovem turco” que se 'meteu' entre Sampaio e Guterres, há uns anitos?

Hoje Álvaro Beleza é, indiscutivelmente, uma referência nacional.
E não é só na saúde, não.
Álvaro Beleza.
A política em Portugal jamais será igual quando forem postas em prática as suas ideias fulcrais!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Sinais que ardem

Nem me vou referir à quantidade de personalidades socialistas vimaranenses que em maio apareciam eufóricas ao lado de [António José] Seguro garantindo “pelas alminhas” que era o futuro primeiro-ministro de Portugal e em julho, aquando da visita do mesmíssimo Seguro, estranhamente não foram vistos na comitiva.
Luis Cirilo, depois falamos, 14.07.31

Meu caro amigo Cirilo, como bem sabes, prefiro sempre tomar um café contigo ou ficar nas escadas da assembleia municipal numa cavaqueira curta, ou seja, nunca publicamente trocamos ideias.
Não resisto hoje.
Apenas para te dizer que, independentemente das dores que (também) já sentiste dentro do teu partido, estou tentado a assinar por baixo as tuas palavras sobre a visita do secretário-geral do meu partido a Guimarães, sabes?

Mata, mata e mata II

 
Nunca me foi dado o poder de julgar os outros, por isso, continuarei por aqui, olhando a estúpida estupidez dos vendedores de água que julgam dominar a nascente.
Coitados!
Nem sabem onde estão as pessoas que a bebe!

E não é que julgam que têm o poder de que nunca foram investidos?

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Olhar do silêncio II

Foi esta direção, sob a liderança de António José Seguro, que propôs alterações nas normas para aumentar de forma clara e inequívoca a credibilidade, o rigor e a transparência na vida interna do partido.
Miguel Laranjeiro, Público, 14.08.26

Olhar do silêncio

Disse e repito-o. A direção nacional [do PS] será intransigente com a aplicação dos estatutos e procedimentos em vigor. Em nome da credibilidade e da transparência.
Miguel Laranjeiro, Público, 14.08.26

Fados retalhados


foto: prof2000.pt
Espero (mas espero mesmo) que seja um engano meu; uma ilusão do meu olhar sobre as realidades de ao pé da porta – até porque os resultados são públicos e, portanto, dirão já de seguida alguns, as hipóteses de lapso são mesmo remotas –, mas, às vezes, fico com dúvidas: foi mesmo o PS que ganhou as últimas eleições autárquicas em Creixomil?
É que, dou por mim, tantas vezes, em jeito de incredibilidade, a ver que só a CDU vai dando – e muito bem! – conta do trabalho da autarquia, cujo orago é S. Miguel!
É a CDU que exagera ou é o PS que anda distraído?
A verdade é que Creixomil vai mudando!

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Mata, mata e mata

Preocupação no meu país; o país onde morrerei de seguida: “apoios sociais continuam a diminuir” (título do Público).
Também já sabemos – infelizmente – que, como escreve Alexandra Campos – “há cada vez menos beneficiários do rendimento social de inserção e complemento solidário para idosos”.

Por cá, e conforme o Diário do Minho (14.08.23), também o senhor Rui Barreira “volta a cortar no subsídio de desemprego.
Grr! Há mesmo coisas que não prestam! E pessoas que não valem um cêntimo?

Não há mesmo quem seja capaz de mandar esta malta para as calendas do inferno?

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Se Braga dorme o que faz Guimarães?

António Cunha, reitor da Universidade do Minho (UM), já preveniu – mas neste país anda tudo distraído com coisinhas de lana-caprina! – que a qualidade do excelente trabalho que a UM presta, isto é, “a qualidade do serviço” da Universidade que cada vez mais é de Guimarães e menos de Braga, piorará cada vez mais.
Por causa dos cortes cegos e estapafúrdios do ministro da Educação portuguesa que menos gosta da Universidade do Minho. Não, não é exagero!

Por isso subscrevo por completo as palavras do reitor da UM: o governo de Pedro e Paulo “aparentemente” quer “castigar” quem cumpre orçamentos.

Se em Braga (já se viu) o povo dome na forma, não é chegada a hora de, em Guimarães, mostrar que não se deixa que alguns senhores convencidos de que são donos de tudo brinquem com coisas sérias?

António Cunha merece todo o apoio dos vimaranenses.

Rememorar é fundamental II

Para recordar, porque a memória é urgente.
Não terei um governo à esquerda por lá ter o símbolo do PS. Terei um governo à esquerda, se a minha ação governativa seguir os valores e os princípios do PS.
Não governarei a qualquer custo nem a qualquer preço.
António José Seguro em entrevista a Miguel Carvalho, Visão, 14.07.31

domingo, 24 de agosto de 2014

podemos dormir?

o mal que pode acontecer aos detentores do poder
é só colocar nas tribos justificações com palavras
pecados; longos. sem fim; o exercício que faz
o poder é não dormir?

(o poder é pesado!
para quem vive sob o peso de palavras
que não emergem
de ações!)

com votos dos que não conhecem
os labirintos do poder e não desenham a ilusão.

(o poder é pesado!
para quem vive sob o peso de palavras
que não emergem
de ações!)

cada um faz a tenda como a entende?

Dormem porque não querem escutar

Percebo (e aceito) perfeitamente que na vida politica – como, aliás, na vida profissional – os líderes se rodeiem de pessoas da sua confiança.
O que não entendo, por mais que haja por aí artistas da manipulação que tentem invocar justificações do domínio do surrealismo, é que os líderes políticos – tentando imitar os líderes das grandes empresas e, portanto líderes de sucesso –, se convençam que os seus seguidores são parvos ou um bando de anjinhos ingénuos; para quem se olha apenas em momentos eleitorais ou, muito pior!, tentem fazer dos seus colegas – quer queiram, quer não, são-no porque são militantes do mesmo partido –, uns badamecos, chutando-os para canto.
Nem que para isso tenham que endeusar uns “independentes” feitos à pressa que inventam uma coisas que eles (líderes partidários) inventam; feito ritual de iniciação na vida secreta de onde saem todos os fantasmas.
Como noutros tempos em que certos dominadores caquéticos se juntavam com um cardeal antes de anunciar que os comunistas eram um perigo social; familiar e destruidor de todos os valores estampados nas paredes brancas do cinismo.

Ah!, e o pior é que cada vez mais líderes políticos que estão convencidos de que sabem para onde vão e que são donos do futuro.
Assim, não sou eu que o digo, mas a História que o confirma, os adversários entrarão em campo com mais de meia vitória no papo.

sábado, 23 de agosto de 2014

Quem acredita no amanhã?

Num fim-de-semana que alguns dizem não se passar nada, retenho três grande ideias. Daquelas que nos tiram, muitas vezes, o sono; daquelas que nos deviam mostrar como somos tão patetas quando dizemos que nada é connosco.

A primeira é do jornalista Fernando Madrinha (Expresso, 14.08.23) “a única novidade do discurso [de Passos Coelho no Pontal] – a recusa de se comprometer sozinho com novas tentativas de cortes definitivos nas pensões – foi, não o parecendo, eleitoralismo puro”.
A segunda tem a mão do politólogo José Adelino Maltez (noticias TV, 14.08.22): “ai de nós se não tivéssemos liberdade de informação, foi graças ao escrutínio que muitas coisas se desenrolaram e ao que um ou dois grupos avançaram, que tinham poder para lançar algumas das noticias que estavam ocultas”.
E a terceira sai da pena do antigo deputado do BE José Manuel Pureza (Diário de Noticias, 14.08.22) e diz assim: “a disponibilidade de atores, futebolistas, gente do jet set, apresentadores de televisão para, aceitando os riscos de desagradar a alguns dos seus fãs, ir além do gesto convenientemente humanitário e fazer campanha contra o verdadeiro duche gelado que é a realidade de um país injusto e onde cada vez há menos capacidades de todos poderem lutar de igual modo contra a doença soa a utopia. Porque será?”.

Se olhássemos com atenção para estas palavras perceberíamos rapidamente que o primeiro-ministro de Portugal anda à deriva, os portugueses só gostam de importar coisas dos outros (porque será?).

Assim quem pode acreditar no futuro?
Ah! Felizmente que há Jornalismo (sim com maiúscula) que permite que, pelo escrutínio, muitas coisas se clarifiquem. Caso contrário estaria mais próxima outra longa noite negra; como noutros tempos.

Escuteiro global


foto: agencia.ecclesia.pt
João Armando Gonçalves, um professor de engenharia civil na universidade de Coimbra e escuteiro desde os anos 70, aos 51 anos de idade, tornou-se num dos escuteiros mais importantes do mundo.
João Gonçalves, dirigente – foi escuteiro e dirigente no agrupamento do CNE da Figueira da Foz e, para além de membro do Comité Europeu do Escutismo, desempenhou o cargo de Secretário Internacional do Corpo Nacional de Escutas entre 2009 e 2011. Foi eleito membro do Comité Mundial no Brasil, em 2011 – do Corpo Nacional de Escutas (CNE), vai dirigir o Comité Mundial do Movimento Escutista, um organismo onde participam 216 países, ou seja, mais de 40 milhões de escuteiros de todo o mundo estão ali representados. Uma união bem ao jeito de Baden Powell, isto é, uma fraternidade universal.
Excelente, chefe!.
O CNE sai reforçado com João Gonçalves no Comité Mundial do Movimento Escutista e o Escutismo prestigiado. Acredito; estou plenamente convencido, aliás, que também o Escotismo. Português. E europeu – a exemplo de BP; para quem a “fraternidade universal” que é o escutismo, se faz da importância da participação na ação solidária, no abraço ao outro.
Parabéns, chefe João!