segunda-feira, 30 de junho de 2014

Entre o real e a aparência

À igreja não basta circular pelas “estradas” digitais, isto é, simplesmente estar conectados: é necessário que a conexão seja acompanhada pelo encontro verdadeiro, disse o papa a propósito do 48º dia mundial das comunicações saciais, que se celebrou no passado dia 1.

Quem sou eu para duvidar (não, não duvido! E considero que o máximo responsável do catolicismo está vestido de razão e sabe muito bem do que fala) das palavras sentidas do papa Francisco?

Sinais que ardem

foto: cm-guimaraes.pt
Se a Escola EB1 de Gonça cumpre os “requisitos da lei” e fica situada no extremo do concelho de Guimarães onde a ligação rodoviária não é a melhor – dizem os senhores seguidores de Crato – vai fechar no próximo ano letivo, ou seja, já em setembro, porquê?

Para além da razão que, quer o presidente de câmara de Guimarães, quer o presidente de junta de freguesia de Gonça vão levar onde tem que ser levada, fazendo o que tem que ser feito para que quem é surdo e mudo, olhe para as pessoas, haverá alguém, que descortine uma justificação para esta atitude do governo de Pedro e Paulo?
Dou uma ajuda: por que carga de água, uma freguesia rural – bela, acolhedora e sempre simpática – tem que estar nas mãos do PS?, perguntam uns tantos.
Ah! e outra ainda: Costa e Silva já está na história vimaranenses por ter ‘arrumado’ um histórico laranja no seu reduto.

Estou assim tão fora de mão?
Perguntem aos habitantes de Gonça que eles têm a resposta. E em Gonça conheço muita e muito boa gente que não se deixa iludir por campanhas de última hora.

domingo, 29 de junho de 2014

Resgatar das sombras

FMI admite benefício da restruturação.
Título, JN, 14.06.28

Numa peça assinada por Alexandra Figueira (e Dinheiro Vivo) publicada no Jornal de Noticias de ontem, ficamos todos a saber que “um mês após o fim do resgate, técnicos do FMI enviaram um artigo ao Conselho Consultivo dizendo que Portugal teria saído a ganhar com uma restruturação da dívida externa do país”.



O quê? Técnicos do FMI?
E ninguém ligou ao que António José Seguro diz há tanto tempo?

Não… não acredito que seja por o secretário-geral do PS continuar a não ter “imprensa boa”.
O futuro de Portugal vale muito mais do que essas tricas, não vale?

“velhice ofendida”

Para mim mudar, passar de uma coisa para ser outra, é uma morte parcial.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Foto do filme Amor – de Michael Hanecke –, retrato violente de uma certa velhice.
Quando Tolentino Mendonça escreve (Revista 14,06.21) que “a velhice resiste a tornar-se um tema socialmente relevante, mesmo num país cuja média etária sobe continuamente e onde a marginalização dos idosos é um facto impossível de ignorar” tira-me do sério. Enerva-me. Agita-me muito; para além do meu comodismo.

A verdade, porém, é que Tolentino Mendonça não só está vestido de razão como toca, com uma enorme intensidade, numa das mais sangrentas feridas dos dias que atravessam Portugal.

Independentemente de conhecer bem de perto esta realidade – algo que “não é coisa bonita de se ver” em muitas situações; como vinca o também poeta – seria importante que quem está sempre a dizer que fala para as pessoas, para os cidadãos (só lembrados nos atos eleitorais); falasse mesmo para as pessoas. E agisse. Com as pessoas.
Principalmente as mais idosas. Cansadas da vida e ofendidas por promessas vás (convém vincar que os mais idosos dos dias que correm foram os sofredores de um estado novo parvo, agressivo e sem princípios).
O resto será mesmo ignorar que a velhice é só uma etapa na vida das pessoas.

sábado, 28 de junho de 2014

Tanto dinheiro gasto para isto?

Tantos milhares de euros depois.
Hora de ponta em missa vespertina e/ou dominical.
Rua Bento Cardoso.
S. Sebastião.
Guimarães.

Sábado; fim de tarde.
 
Por que raio se há de continuar a gastar tanto dinheiro em arranjos urbanísticos de qualidade para serem esmagados, destruídos e vilipendiados por quem não respeita nada, ninguém nem o património?

Que Deus perdoe enquanto gente assim sobe as pedras em direção ao (seu) altar!

Na ausência da motivação


- Quando os dirigentes partidários, coniventes com a ausência de abertura aos cidadãos, escolhem os seus amigos sem consultar os órgãos dirigentes – sejam ou não militantes (não, não confundir com os que vão às sedes partidárias como quem vai a uma agência de empregos) – não estão a mandar às malvas os que acreditam na democracia interna de um partido?
- Não me digas que há alguém que, a seguir, dirá, de megafone na mão, aos cidadãos eleitores; às pessoas sem conveniência do calendário do surgimento público, que a forma como se dirige o presente marca definitivamente o futuro?

- Pois é. Há

(estranhamente)
cada vez mais gente que adora imolar-se publicamente em assanhamentos

(assanham-se a si e fazem tudo em assanhar os outros; em vez de pensar pela sua própria cabeça)

Vivemos tempos difíceis.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Bela noticia

Depois de em 14 de maio passado ter escrito isto contato que há novidades no local.
Muito bom.

Uma questão de modas, isso da coesão

foto: rr.sapo.pt
António Costa quer conseguir a coesão social em Portugal depois de destruir a coesão interna do PS
Como dizia Mark Twain, as noticias sobre a morte política de Seguro foram exageradas. Costa é como uma top-model, linda quando desfila mas um desastre quando fala.
O Inimigo Público, 14.06.27

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Vale a pena lutar

Assim é que gosto das pessoas!
Domingos Bragança – pondo o dedo na principal ferida: “o importante não é uma área de saúde materno-infantil, nomeadamente, dos partos, mas sim todas as valências que nos fazem estar no topo da saúde materno-infantil”; é que, sublinha Bragança, “sem eles, o prazo definha” – “solicitou pessoalmente ao ministro da Saúde”, no final de uma visita que Paulo Macedo realizou ao Centro Hospitalar do Alto Ave, que o governo revogue a portaria 82/2014.

Não foi isso que a petição, apresentada no início desta tarde na 9ª Comissão - CS XII (presidida pela deputada Maria Antónia Almeida Santos), exigiu?
Pois Maria da Graça Gonçalves da Mota (curiosamente já exrceu medicina no hospital de Guimarães) ouviu com toda a atenção o primeiro signatário da petição ”Quero que os meus filhos nasçam em Guimarães – Portaria nº 82/2014, de 10 de abril”.
Agora, será o plenário da casa da democracia portuguesa a dizer de sua justiça.

Ou seja, tal como o primeiro signatário da petição em defesa do hospital de Guimarães, também Domingos Bragança é teimoso. Os vimaranenses têm que agradecer essa teimosia. E, já agora, a coragem de dizer, cara a cara, ao responsável máximo da Saúde no governo de Pedro e Paulo que não adianta vir a Guimarães dizer que os nossos filhos não serão bracarenses.

Falta o essencial: como os vimaranenses terão a dignidade que merecem na sua terra.

A febre do sentir

Quando olho em volta, para as dores violentas que esmagam (por que será que cada vez mais fico com a sensação de que há quem goste de se sentir esmagado e cilindrado) as pessoas, fico sem dúvidas que o dramaturgo inglês Chris Thorpe está vestido de razão quando afirma que “a ausência de protestos, particularmente em sociedades mais ‘democráticas’ torna-se parte da estrutura social. Um meio de controlar o fluxo de energias através de sistemas altamente globalizados que asseguram a satisfação de uma necessidade social ao mesmo tempo que protege a integridade do próprio sistema”.

Só me espanto com a forma apática, distante e desinteressada com que assistimos à cena.
Ou então não. Se calhar terei que me recordar que anda tudo encantado com o poder: nem que sejam as migalhas das migalhas que uns tantos iluminados iludem os ingénuos agitadores de bandeiras.

Nota de rodapése escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. (Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego)

quarta-feira, 25 de junho de 2014

“Grande festa do teatro em Guimarães”

Pela qualidade e diversidade dos espetáculos que estiveram em palco nas duas semanas dos festivais Gil Vicente é sempre muito complicado falar de um espetáculo em particular. Mesmo assim ouso escrever que o primeiro, o de abertura e da sexta-feira, no palco do pequeno auditório em Vila Flor me marcaram. Entre um e outro não sei qual o maior. Mas há mais.

Demónios (de Lars Noren) é um texto! Violento, belo, verdadeiro, sem subterfúgios, realista. Extraordinariamente próximo de cada um de nós que temos a mania que só na casa dos outros é que há copos partidos ou pontas de cigarro pelo chão, frigoríficos plenos de bebidas estranhas… gente que nos parece bela e que é pior do que nós. E a interpretação dos quatro atores?

Impecável, tão verdadeira que dá raiva. Tão dramática que nos deixa pruridos. E o cenário simpaticamente tão ‘natural’ que pena uma peça destas não encher uma sala maior.
Pronto já disse o que penso sobre um dos espetáculos que mais me marcou nos festivais deste ano.
A Tempestade, além de abrir os festivais (um espetáculo Voadora – que pareceria esta coprodução do centro Cultural Vila Flor, XXX Mostra Internacional de Teatro de Ribadaria, Teatro galego! – e ouvir falar ‘português’ da Galiza soube tão bem!) foi algo de soberbo. E então se o senhor Shakespeare (bem sei que há ali “muitos elementos em comum entre o texto e a linguagem da companhia”) visse aquela maravilha dava-lhe alguma coisinha. É que alguma vez o senhor teria lata para entregar uma pizza numa ilha? Ah! A Tempestade foi uma estreia; em Guimarães.

O texto de Harold Pinter, Traições é excelente. A representação da companhia belga tg Stan, na Asa, foi um violento murro no estômago da nossa mania de que temos a mania que sabemos viver nas calmas e os outros é que são o mal. Se houver perfeição no teatro esta apresentação na black box esteve quase lá.
E vão três.

OZZZ mesmo que me tenha cabido em sorte entregar umas sopas “na casa”, foi para mim aquele que menos me prendeu. Por um erro crasso: não duvido do gozo que terá dado aos atores as viagens pelos sítios mais extraordinariamente diferentes do mundo, mas o vídeo, para além de demasiado grande, sem legendas foi uma valente seca. E sentado no chão só com as peúgas calçadas e o rabo frio fez aumentar o incómodo.

Tartufo, imponente. Sem dúvida! Talvez do cansaço, não aguentei e fui descansar antes do fim.

Não gostei de “na solidão dos campos de algodão” num texto de Bernard-Marie Koltés. Embora tenha visto uma encenação fabulosoa.


Há um novo Portugal a despertar

As palavras são para mim corpos tocáveis, sensualidade encorpada.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego


Ana Cristina Leonardo escreve (atual, 14.06.21) que «se é verdade que muitos homossexuais portugueses continuam escondidos no armário, segundo artigo publicado no “Público” os intelectuais de direita andam a sair de lá. A 1ª conclusão a tirar é que “homossexuais portugueses” e “intelectuais de direita não são uma e a mesma coisa».

Há quem, de repente e por pruridos que jamais entenderemos, se sente incomodado por perceber que adormeceu no sofá do tempo, há tanto, tanto tempo!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Falando a sério

Teatro Oficina 2014 Guimarães é uma publicação bela!
Com textos excelentes.
E com marcas dos momentos altos do Teatro Oficina.
Os reparos jornalísticos estão muito bons.
O papel (nos dias que correm começa a ser uma raridade) é excelente e o formato (não é o Expresso, não senhor!) dá um certo jeito na mão.


Em suma, e ficando sem palavras perante uma realidade tão bela, quem tem a ousadia de afirmar que em Guimarães não se valoriza as coisas boas da Cultura?

Vai linda a brincadeira *

Individuo tocou na TV enquanto António Costa falava e já curou o cancro.

Passavam 5 minutos das 23 horas de ontem, quando um individuo estava sentado no sofá, pisou acidentalmente o comando e mudou para o canal 5.
O Inimigo Público, 14.06.20


* quem será capaz de apanhar os cacos?

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Dignidade na viagem final

Já não é a primeira vez que leio que Torcato Ribeiro, o vereador da CDU na câmara de Guimarães, defende a criação de uma casa mortuária em Guimarães que não tenha símbolos religiosos.
É fundamental que tal aconteça. E não é por o vereador comunista o defender, não, é porque na morte todos somos iguais.

É verdade que o presidente de câmara recorda o que já acontece (e bem) em Creixomil, onde há um espaço para velar a memória dos que nos deixam, mas nunca é demais recordar que se não fosse a Sociedade Martins Sarmento, as cinzas de Emidio Guerreiro não teriam um espaço digno (com a dignidade que o Homem merecia) para serem veladas antes da sua viagem até à Atouguia.

Maldições e pragas

Há dias em que a minha beleza superdivina me esmaga com carapaça de chumbo.
José Gomes Ferreira, in Aventuras de João Sem Medo
foto:sicnoticias.sapo.pt
Manuel Carvalho da Silva escreve no Jornal de Noticias (14.06.21) que «os nossos governantes, políticos e palradores que nos dizem ser imperioso reduzir salários, pensões e direitos fundamentais, continuam a negar o fracasso absoluto destas politicas, ao mesmo temo que condescendem e protegem, de forma mais ou menos direta, os roubos, os negócios escuros e promíscuos presentes em “gestões competentes” de BPN, BCP e BES».

Caramba!
Eis o Portugal que tantos pretendem preservar.
Pelos vistos já não importa só se o azul e o laranja são as cores da moda que se elevam nas gestões competentes; há um certo tom de rosa que se desbota por aí à espera de vestir a beleza que esmaga com carapaças de chumbos.

Olhar do silêncio


foto: envolverde.com.br
Quando se deixa tudo ao livre funcionamento do mercado, ficamos com as convicções mas sem o investimento.
Nicolau Santos, Expresso (Economia), 14.06.21

domingo, 22 de junho de 2014

Mudar de olhar para não morrer

Eu sabia que, também por cá se agitavam ventos diferentes; eu sabia que por cá já andava há muito tempo gente a contar espingardas, inclusive quem já tivesse a contagem completa na mão; pronta a entregar na primeira bandeja promocional que se vende, não como o primeiro prato de lentilhas, mas na primeira tranche para continuar sem fazer nada na agitação dos dias, desde que a bajulação seja completa. Sabia mas não valorizava. Pela simples razão de que há festins que nunca são a minha festa preferida.

O café está sempre tão saboroso e a companhia dos meus amigos é bem mais importante do que todas as vaidades, que nem sempre valorizei as palavras dos meus amigos!

(É claro que os meus amigos continuam a ser meus amigos – era o que faltava se aqueles com quem me sento na mesma mesa, ainda que para um simples café, não fossem meus amigos, pessoas que fazem da integridade e da transparência o seu dia-a-dia!)

O que não quer dizer que não tenha que dar a mão à palmatória e passar a olhar com outro olhar tudo o que me rodeia. Sim, sim, também por cá! Onde também há quem diga de véspera o que nega (aos microfones) na manhã seguinte; onde também há quem sempre vestiu o balandrau de vénias bajuladoras, ornamentado com cores muito enviesadas.

E olhar de forma diferente implica, quase sempre, agir de forma diferente! Nunca me arrependi das mudanças que vou fazendo ao longo do meu caminho. Felizmente!

De uma coisa tenho que me convencer já: tenho que consultar imediatamente o meu oftalmologista.
E, pelo que vou sentido, não tarda, terei que procurar um otorrinolaringologista.
Sob pena de ter que mudar de ares. Ou não! Talvez se ficar onde sempre estive, isto é, de coração aberto ao bailado dos corpos, não tenha necessidade de falir nenhuma distância ou ficar refém no campo aberto da bajulação.

Confuso este texto?
Amanhã direi.

O café continua sempre tão saboroso e a companhia dos meus amigos é bem mais importante do que todas as vaidades que nem sempre valorizarei as palavras que vou ouvindo por aí!

na onda da fama

a tua namorada acabou de morrer!
sabes?
os cabelos loiros só endoidecem!
toda a gente adorou o espetáculo.

a tua namorada acaba de morrer; não quero
que tenhas um ataque de caos. uma boa limpeza
ajuda sempre. a verdade
é que não ia mudar muito. a tua namorada
morreu.

gostas da música? claro que gostas!
não vais pagar agora uns copos?
estamos prontos a marcar a hora, não estamos?
não exibas a tua namorada; depois do espetáculo
a noite ainda melhorou muito mais!
sabes? a anarquia é sempre sedutora!

a tua namorada está morta
pessoas parecidas andam juntas
precipitam desejos de liderança
navegam sempre ao largo; sem inovação

sábado, 21 de junho de 2014

Contas de cabeça

Segundo o Tribunal de Contasa grande maioria das câmaras municipais do distrito de Braga” entrou no bom caminho (pelo menos nos últimos três anos) no que à elaboração dos seus orçamentos diz respeito.
Pelos números revelados no seminário “as autarquias, as empresas municipais, os grupos públicos autárquicos e a estabilidade financeira” que decorreu nas instalações da Universidade do Minho, as câmaras de Amares, Barcelos, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro, Vila Verde, Guimarães e Celorico de Basto foram as que tiveram maior “aproximação dos seus orçamentos à realidade”.

Ena! E Braga? E Famalicão? E Cabeceiras de Basto? E Vizela?
Ai! Tenho a sensação de que há por aí uns autarcas com muita conversa; vazia sem resultados à vista. Não podem ter contas de merceeiro, pois não?