quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Usar (e abusar) (d)as pessoas

foto: vitaefratrumordinispraedicatorum.blogspot.pt
Depois dos cristos de Nova Huta, Burgos, Estreito e Viana do Castelo, hoje olho para o meu Cristo partido. Encontrei-o dentro de um cesto do lixo na cidade de Guimarães. Já não tinha cabeça nem braço esquerdo.
Jesus Amaro, Contacto SVD, outubro 2014

1. Torcato Ribeiro disse – já lá vão uns dias, bem sei, mas o assunto é sério –, que não é da competência da câmara “a organização deste tipo de eventos” de “ritual religioso. Daí que o vereador eleito pela CDU lamente que a câmara de Guimarães “tenha substituído a diocese – será arquidiocese, não? – de Braga na organização de um encontro religioso e católico”.
Refira-se que Torcato Ribeiro estava a falar de uma eucaristia que teve lugar no pavilhão multiusos de Guimarães com idosos do concelho. Uma grande encenação que só alguns entendidos entenderam.

2. Para além do facto democraticamente normal, ou melhor, de ação democrática, de uma qualquer câmara ou junta de freguesia se dever abster, em absoluto, de participar, incitar ou promover concentrações de duvidosa utilidade pública, importa vincar que ali no multiusos esteve muita gente que não foi tida nem achada (sublinhe-se porque a coisa é muito séria: pessoas que não tiveram decisão na sua participação) para entrar no autocarro que rumou a Guimarães, mais concretamente ao pavilhão pago com dinheiros dos contribuintes.
foto: vitaefratrumordinispraedicatorum.blogspot.pt

3. Infelizmente conheço de perto uma ou outra situação de pessoas que, não só adornam procissões na freguesia, porque sim!, ou fazem figuras estranhas em cortejos que nem elas sabem para que são, como não têm memória de lhes ter sido comunicado para onde iam quando as mandaram entrar no autocarro ao sair do seu espaço de repouso na velhice.

4. Não será, de certeza, por o cristo do multiusos de Guimarães estar mais completo que os outros cristos que os idosos mudam de local de culto.

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