quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Já não se olha para o outro

[A tia Matilde] no mercado de Guimarães era amada e temida. Tanto enchia de nabiças o saco dos pobres como de estalos a cara dos atrevidos. Pelo bem dava a camisa. Pelo mal, dava luta.
José Maria Cardoso. Contacto/svd, julho/agosto

Preocupação demasiado séria: segundo o Eurostat os números da pobreza não param de crescer entre os jovens. E, numa década, há um aumento de 22% para 30%; (na população entre os 20 e os 24 anos) da pobreza.
Como é possível que, nós, os mais velhos, estejamos impávidos e serenos a olhar para esta realidade tão dramática? Não devíamos ser como a tia Matilde?

Percebe-se, pois, estas palavras assertivas de Luís Pedro Nunes (Revista, 14.08.30): "a cidade não está preparada para o silêncio. Cada vez mais se atravessa a rua a escrever SMS. Os turistas andam de telemóvel ligados ao GPS no meio da passadeira. Tive que começar a usar a voz, o assobio e o insulto para os afastar”.

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