domingo, 7 de setembro de 2014

cidade que morre em cada noite

quando ontem subimos a rua apressada a cidade
estava vazia. não havia silêncio; vivia-se silêncios
as agitações exageradas dos dias fingidos morrem.
tudo faz sentido fora de muros.
a vaidade fica tão esbatida; entre pazes e as vozes
finas das paredes, esquecidas noutros dias.
quando ontem entramos na cidade
senti vontade de a namorar; ficar
abraçado à sua luz suave. tão distante da vaidade de outros dias
beijar com a sofreguidão do silêncio tantas e tantas vezes ausente

quando ontem entramos na cidade sentimos o desejo atávico de olhar, não foi?