domingo, 10 de agosto de 2014

Silêncio e tanta dor


Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes.
Mário de Sá Carneiro
O barulho que percorre os dias que não param de nos agitar é tremendo. Violentamente agressivo. É um barulho que parte dos sítios mais violentos, porque despedidos da proximidade das pessoas. É um barulho que, à boa maneira dos pretensos donos da verdade, nasce no vazio da vaidade, da falta de respeito pelas mais elementares regras de vivência e convivência com o outro.
É um barulho que se faz de luzes efémeras – ignorantes da importância do detrás da cortina onde o palco se mantém aceso e com luzes ufanas.

O barulho que perpassa as realidades politicas e sociais é uma parvoíce. Bem ao jeito da opacidade de que se fazem os dias dos pretensos donos da verdade. O barulho que veste cada vez mais gente que não pensa, porque se acarneira nos gostos dos seus pretensos mestres, é – que tristeza! – a ilusão da politica onde os políticos fazem de conta que olham para os outros.
Que triste realidade o espelho lhes vai mostrando!

O barulho das horas que faltam até ao descalabro das ideias e das propostas sérias é – um infeliz Portugal que dorme, dorme e dorme – a realidade que mata o pensamento. A realidade onde os oportunistas esperam o lugar prometido.

O barulho violento que afasta as pessoas da beleza das coisas públicas é – infelizmente! – a violência das facadas nas costas.
Assim quem mais acredita na política?

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