sexta-feira, 6 de junho de 2014

Maturidade e coerência

O que é um catavento?
É uma pergunta (com resposta aparentemente simples) que não me sai da cabeça nos últimos tempos. Daí o interesse em perceber o que é realmente essa coisa – às vezes barulhenta, muitas vezes demasiado sorrateira – que risca o estado ou o desejo meteorológico do homem.
Por isso, e depois de ter andado tão aflito para encontrar uma clarificação (justa e abrangente – nos dias que correm são tantas as palavras que a evolução linguística vê-se atrapalhada), recuei no tempo e fui ao pó da estante. Peguei no volume II do grande dicionário da língua portuguesa (coordenação de José Pedro Machado), Ediclube, 1990, e li:
lâmina que girando em volta de um eixo pela ação do vento, indica de onde este sopra”.

Então é isto um catavento?

Achei interessante. Olhei em volta, em Guimarães e no resto do país e pensei: é isso; pegou modo. Não, não, não me enganei (jamais falaria em moda!). O que ontem era verdade absoluta e referência para os dias violentos hoje é uma treta; tenha a sede partidária a cor e o calor que tiver.

Não gostei da ligação. Até porque, não estando a pensar em futebol ou em dirigentes vistosos que tinham uma lábia de fazer inveja a qualquer desgraçado vendedor de meias, em feiras festivas, e que sempre sonhou com a escada maior do que a bota que sempre lhe magoou o pé, deixei de pensar naquele artefacto que indica a direção do vento e fiquei-me pelo azar que é um qualquer pombo meter-se na engrenagem. Morre; desgraçado, mas por momentos, até manipula a coisa e dá sinais errados da aragem que passa.
Saltou-me então ao olhar o essencial: o catavento é inimigo da coerência. Qualquer pombo lhe muda o rumo!
Voltei ao dicionário e recordei: catavento: pessoa muito inconstante.

Ainda haverá disso na política? Não, pois não?

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