domingo, 8 de junho de 2014

Depois de ti mais nada

hoje chorei; chorei olhando um corpo preso
entre salas, corredores e observação – que cara
maculada mãe! que vem a ser isso?
sei bem que sempre gostaste de ir
à frente – em frente; sem medos, pronta
a desafiar tudo – mas assim! toda pintada
de encarnado perdes a beleza
dos sorrisos que só tu tens!

(olha; olha as lágrimas não me deixam escrever)

e tu sorris. és mesmo pantanas; como a avó!
teimosa da vida. teu corpo já se soltou. caminhas
lentamente. finalmente! a noite foi longa! a casa é já ali.
no centro. foste recebida como rainha! descansa, mãe!
amanhã vou dar-te um beijo. mais outro
tantos que apaguem a tua dor.

olha lá mãe: por que tinhas que abraçar
o pai daquela forma?


Com uma semana de atraso; intencionalmente

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