quinta-feira, 26 de junho de 2014

A febre do sentir

Quando olho em volta, para as dores violentas que esmagam (por que será que cada vez mais fico com a sensação de que há quem goste de se sentir esmagado e cilindrado) as pessoas, fico sem dúvidas que o dramaturgo inglês Chris Thorpe está vestido de razão quando afirma que “a ausência de protestos, particularmente em sociedades mais ‘democráticas’ torna-se parte da estrutura social. Um meio de controlar o fluxo de energias através de sistemas altamente globalizados que asseguram a satisfação de uma necessidade social ao mesmo tempo que protege a integridade do próprio sistema”.

Só me espanto com a forma apática, distante e desinteressada com que assistimos à cena.
Ou então não. Se calhar terei que me recordar que anda tudo encantado com o poder: nem que sejam as migalhas das migalhas que uns tantos iluminados iludem os ingénuos agitadores de bandeiras.

Nota de rodapése escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. (Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego)

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