domingo, 4 de maio de 2014

Sucessão de agressões

Quando as luzes à volta da rua deserta – parece que a cidade, às vezes desce até aqui em invasões ao domicílio – veem o silêncio, vejo a noite: vaidade; vaidade e música de bolso. Carros

                     (corpos esbeltos, sempre envoltos em vestidos pretos
                       e pintas em consagração da primavera; perfeitos
                   de cortar os olhos)

o resto é igual; olhos de lamparina, prontos a incendiar as mesas do centro; sempre a mesma treta! Vaidade
para além do palco mais abaixo. Ostentações modernas exibidas entre pedras velhas.

A rua já não escuta, mas os corpos esbeltos mostram-se

                  (esbeltos, mostram-se ali à esquerda
                 estão os carros. Vaidosos; topo de gama, indiferentes
               à velharia das pedras)

que vai acontecer a seguir?

As luzes já se apagam. Guimarães? Que Guimarães é esta?

É tarde! Vamos dormir. Amanhã a dor estará (outra vez) intramuros.

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