quarta-feira, 14 de maio de 2014

Humilhação, gozo e falta de pundonor

E se a troika, quando pede para baixar salários, se estiver a referir ao salário mínimo nacional?
Amândio da Fonseca, administrador do grupo Egor, Expressoemprego, 14.05.10



Se o líder do PS, António José Seguro, estiver vestido de razão – “o que seria ótimo era termos terminado estes três anos com um país melhor, e não mais pobre, mais desigual” (Expresso, 14.05.10) – então temos todos os motivos do mundo para pensar muito a sério nas palavras de Amândio da Fonseca.

Mas se, e subscrevendo Ana Loya, administradora da Ray Human Capital (Expressoemprego, 14.05.10) – «concordo com o Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, quando diz que “se há alguma coisa ainda que ir buscar, que se vá buscar onde ainda pode haver”. Perspetivas de subida de IVA e da TSU (silêncio sobre o atual imposto extraordinário) são nuvens virais que atacarão, diretamente, quem já está a sofrer em Portugal» –, ainda nos querem esmagar o pouco que nos resta então, não só Amândio da Fonseca está completamente coberto de razão, como Manuel Carvalho da Silva (Jornal de Noticias, 14.05.10), dando um conjunto de dicas numa só afirmação, nos alerta para outros desejos troicanos.

Reparemos: “a cereja em cima do bolo, neste processo de humilhação do nosso país, é o anúncio de uma fórum do Banco Central Europeu, para 25 de maio, dia das eleições europeias, em que estarão presentes Durão Barroso e a presidente do FMI”.

Isto é, gozam, gozam e ainda vêm até cá humilhar! Afinal António José Seguro tem razão. Portugal não é um país melhor (mesmo que alguns tenham a lata de beber garrafas de espumante em cima de um qualquer palco), está muito mais pobre e completamente desigual.

Sem comentários: