sexta-feira, 23 de maio de 2014

Dores culturais

A realidade cultural de Guimarães como está?

Viva, apática ou parada?

Assim, de repente, estas duas perguntas parecem ser duas provocações saídas da boca daqueles troikocratas convertidos (pela mão de um tal durão) à destruição de tudo e que adoram levantar a bandeira "nos próximos anos a cultura tem que ser martirizada". E também, e desde logo, porque dentro e fora de Guimarães, toda a gente conhece a dinâmica das associações culturais locais e sente, bem de perto, aquilo que é a já costumeira boa programação que passa pelos diferentes palcos municipais vimaranenses.

Ou seja, as duas perguntas anteriores são totalmente descabidas?
Infelizmente!, não; infelizmente a realidade cultural de Guimarães começa a sofrer de uma parte da realidade cultural de um país que deixou de apostar nas pessoas e nos seus desejos e motivações.
É que Guimarães (não invejo as dores de cabeça de quem tudo faz para programar – como sempre – em excelência) vê, cada vez menos gente presente naquilo que são as suas apostas de qualidade, pessoas que, como a grande maioria dos portugueses, sentem a falta de dinheiro a matar-lhes os dias. E, em circunstâncias destas, o que vale mesmo para tentar sobreviver é fazer sistematicamente a contagem e recontagem dos cêntimos.

Então, quem se preocupa com a cultura em Guimarães deve fazer como o governo de Pedro e Paulo: cortar, cortar, cortar; à ceguinha e esquecendo os gritos de dor?
Era o que faltava!
Estou certo que não o fará. Mas que vale a pena ponderar algumas decisões, disso ninguém duvidará. Se mais não fosse, ver as salas vazias ou perto disso, além do mais, desmotiva quem está em palco e quem programa. E isso causa umas dores no estômago e um aperto no peito que só mesmo aqueles que nunca põem os pés na realidade cultural vimaranense (antes vagueiam por uns supostos apoios de outra natureza para chegarem à AR) desconhecem.

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