segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Libertados do inferno

A reforma da igreja vai muito além da mera atualização das suas estruturas. Ela concretiza-se numa fé e numa espiritualidade que demonstra o amor de Deus pela humanidade escreve Redovino Rizzardo, bispo de Dourados, Brasil (conferência nacional de bispos do Brasil) que salienta que “as criticas dos padres” [contra palavras do papa Francisco] “que deixaram alarmados os católicos de sólida formação, não cínicos antipapas de ontem nem fanáticos papistas de hoje”.

O bispo Redovino tem toda a razão. Afinal, ao mesmo tempo que se generaliza a simpatia por Francisco, o papa cada vez mais o líder de referência mundial, há pelos lados da cristandade que veste a pele oportunista de católica, olhares assustadoramente ameaçadores. Por perceberem que há quem já tenha desmascarado algumas das suas ortodoxias. Daí que, mais um vez o bispo de Dourados tenha acertado na muche: só “uma igreja que atrai, motiva e converte pela compreensão e benevolência dos seus pastores, jamais pela imposição e prepotência” pode estar em sintonia com o papa Francisco.

Por isso, “a reforma da igreja exige que os seus filhos saibam viver a espiritualidade na normalidade da vida“.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Matando silêncios

O atual responsável da igreja católica não tem medo das palavras. Já se viu. E dos abanões nos instalados. Olhe-se para esta afirmação: “quando não há profissionalismo, lentamente vai-se escorregando para o nível da mediocridade”.

Percebe-se, pois, que Francisco o papa que já é figura de referência em tudo o que è espaço de reflexão na imprensa internacional, tenha pedido aos teólogos (são os guardiões da fé, não são?, aqueles que abrem horizontes) para “serem pioneiros do diálogo entre igreja e cultura”, para além, obviamente, diz o papa, de “se predisporem a ouvir os pequeninos”.

Que ousadia!
É verdade que ao teólogo compete “escutar atentamente, discernir e interpretar as várias linguagens” do tempo (Rádio Vaticano, 13.12.05). Desde logo, sendo “pioneiros do diálogo com a cultura”. Daí que segundo o papa Francisco, a missão destes seja, “ao mesmo tempo fascinante e ariscada” – duas coisas que fazem muito bem aos que ousam abalar os estabelecidos: o fascínio da vida, porque a vida é bela; também o risco o é, porque “desta forma podemos andar na frente”.

O papa Francisco não para mesmo de agitar aqueles que sempre ousaram dizer que só eles tinham as chaves de Deus.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A alegria do evangelho

Francisco, o atual dirigente máximo dos católicos, deve estar a “passar-se dos carretos”, como se diz na linguagem popularucha. Então o papa quer uma “igreja desassossegada e virada do avesso”, como escreve António Marujo (Visão, 13.12.12) onde os pobres estejam “no centro da ação e politicas contra uma economia que mata”?
Haverá alguém que queira uma igreja assim? Há, claro! Com toda a certeza! Desde logo, porque para o papa Francisco “no horizonte da atividade da igreja ou da política, deve estar a pessoa”.

Caramba! Assim, de repente, passou-me pela frente da memória o olhar de um partido que deve andar a ler coisas que estão muito para além da galáxia partidária! Nacional e não só.

Francisco, o papa que não se tem deixado iludir e, principalmente, abater, com certos silêncios velados, avisa que “não podemos ficar tranquilos” e critica, sem apelo nem agravo, a “ditadura de uma economia sem rosto” que mata e impede que tanta e tanta gente viva sem dignidade, sendo vítima da ditadura dos nossos dias, ou seja, a “ditadura de economia sem rosto”, que mata, destrói e decepa.

Por que carga de água o chefe do catolicismo há de andar a ‘pegar’ com os exageros de um capitalismo que domina os dias, não é senhores cristãos-democratas?

domingo, 22 de dezembro de 2013

Extinção das borboletas

1. O novo código da estradaLei 72/2013 – a entrar em vigor no próximo dia 1 de janeiro, “concede sobretudo direitos aos ciclistas que passam a ser equiparados aos veículos motorizados”. Um pequeno passo para que o ruído e a poluição comecem a desparecer dos nossos dias.

2. Na Revista do passado dia 22, David King (ex-conselheiro científico do governo de Tony Blair e diretor da Smith School of Enterprise and Environment da Universidade de Oxford) afirma que “a mudança do clima é um problema mais sério do que a ameaça do terrorismo”. Não pode existir ninguém à face da terra que não leve a sério esta afirmação. É impossível!

3. Apesar de – segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística mostrarem que a “crise contribuiu para uma melhoria do Ambiente”, desde logo, “com menos consumo e descida da população” em ano de capital europeia da cultura em Guimarães, há grandes preocupações ambientais em Portugal. Que o atual governa só agrava.
Desde logo, porque o nosso país perde, a cada dia que passa sob a alçada de uma governação insensível, a corrida elétrica, ou melhor, a corrida ao automóvel elétrico. E, mesmo depois de o estado ter gasto 15 milhões de euros em 1.350 pontos de carregamento, Portugal vê-se ultrapassado por vários países da Europa.
É caso para perguntar o que faz o atual governo destruidor do que foi (bem) feito pelo governo anterior?

4. Com atitude individuais egoístas e com governações à Passos e Portas nem as borboletas escaparão. Em Portugal e no mundo.

sábado, 21 de dezembro de 2013

tristeza irrevogável

foto:publico.pt
“Troika” diz que vai fazer como nos filmes e no último segundo corta o fio vermelho do relógio do Portas e vamos para segundo resgaste.
oInimigo Público, 13.12.20

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Bolha de assombro

É o dinheiro que representa a violência. Aquilo que me pergunto é: porque é que as pessoas estão a ficar cada vez mais distantes uma das outras.
Jia Zhang-Ke, Revista, 13.12.07

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

curvas muito fechadas

há momentos em que fazemos tudo
para não pedir
felicidades gélidas. não se pode fugir
mesmo
do espelho!

há momentos em que um olhar por cima
de cinco sentidos conquista
a cidade; na beleza harmónica
da noite. não se pode fugir
mesmo do espelho!

há momentos em que aceleramos
nas memórias dos novos olhares. com o coração
no futuro. para não pedir felicidades gélidas
evitar que a memória se apague
não se pode fingir; nem mesmo ao espelho!

há momentos em que a pequena mentira
contra a nossa grande verdade
(derrubada de repente e sem consentimento)
deixa de ser biografia da majestade
é quando ficamos presos ao espelho!

domingo, 15 de dezembro de 2013

Coisas estranhas em Vizela

Em Vizela, aqui mesmo ao lado, o cabeça de lista de uma coligação de direita, abdicou dos seus princípios e aceitou integrar a câmara liderada pelo PS, como vereador com funções atribuídas. E, já em janeiro, terá o seu pelouro.

Caramba! E ainda há quem diga que há gente sem coragem na politica!

Claro que em Vizela tudo pode acontecer; até um líder histórico da terra a vender a imagem de uma empresa nacional. Mas os tempos estão tão estranhos…

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O futuro faz-se de compromissos

Num texto publicado na Voz Portucalense (13.11.27), Rui Osório, jornalista (durante muitos anos no Jornal de Noticias) e cónego da igreja católica, afirma que “a igreja sofre de uma constante hemorragia de católicos que a abandonam em bicos de pé e nem sequer batem com a porta em sinal de protesto para que os outros saibam da deserção”.
É uma firmação extraordinária! Que mostra sem rodeios a forma como uma cada vez maior multidão de pessoas se alheia de uma instituição (com certeza) e de uma forma de estar e viver o dia-a-dia.

Ora se isso acontece é porque há algo que não seduz as pessoas ou aspetos ou pormenores que levam a que as pessoas não queiram estar onde se sentem a mais.
Rui Osório dá uma pista: “outros gostariam, que nas igrejas lhe reconhecessem o direito de falar e de ser escutado”. É uma explicação. Uma realidade que se cruza, por exemplo, com os partidos, onde se ‘entra’ com a ideia da conquista rápida do poder e, quando se fica a marcar passo, ou se sai “em bicos de pé” ou se vai para o partido ali ao lado. Ora isso é falta de verticalidade e honestidade e denota uma valente dose de oportunismo que só serve a gente serve a gente sem escrúpulos. Claro que também na igreja – e não é só na católica, não? – há quem só goste de estar no púlpito ou no grupo coral que anima as celebrações e se esqueça que em frente a si há uma imensa multidão de gente que está ali porque quer estar; por convicção e porque acredita que só assim encontra um pedaço grande de felicidade.

Mas de certeza que não está só aqui o afastamento de tantos católicos. Rui Osório adianta outro cenário: “há, também, os que se afastam porque lhes parece que os cristãos são hipócritas”. Pessoalmente, temo que esteja aqui o grosso das explicações para tão grande debandada de católicos que “nem sequer batem com a porta em sinal de protesto”.
Ora isso merece reflexão séria. Se não há protesto pode ser por falta de coragem (claro que pode!), mas pode ser também porque as pessoas percebem que ninguém as escuta e que continuarão a não se incomodar em escutar quem está em frente a si.

A reflexão que a igreja católica tem vindo a fazer não valerá de nada se quem está sistematicamente no púlpito não for capaz de descer ao meio dos fiéis para ouvir as suas palavras, acolher as suas mágoa e serenar os seus ânimos.
Se tal não acontecer, provavelmente a hemorragia não será estancada; pelo contrário, levará a um maior sangramento.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

impulso criativo



sinto-me um poeta cansado; manipulador
de palavras sem o dinamismo da solidariedade
perdi o olhar utópico que fazia a maquilhagem
na cozinha dos nossos sabores; elogio da frustração!

sinto-me espetador de um teatro de poeiras
(a tua lei de silêncio obriga
a que todos os mortos vão para o céu!
a minha ainda não)
um espelho sem identidade! sinto-me um poeta
cansado; a tirar os textos do baú. sem um corpo
em viagem para escapar aos corpos
contra o regime; esfacelados. destruídos.
e ele – de cima; feito deus!
feliz pela ausência dos corpos! – regras miando
formas pouco companheiras; pouco solidárias
numa terra onde ninguém quer caminhar.
que espelho sem identidade!

sinto-me um vestido de teatro! malabarista
do amor com memórias de chumbo – animal de palco?
não! nunca fui. um olhar que mudará
a vida! Vendo a noite em carne viva – rigoroso espanto!
mas há mercado para os corpos, sabes?
onde se fazia a troca das moças feitas palavras?
foi à porta de mim!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Gémeos falsos continuam calados

[o padre da Golegã] esteve colocado na freguesia de São João da Ribeira, Rio Maior, durante cerca de cinco anos. Também esteve ligado ao agrupamento de escuteiros local, com funções de chefia, pode ler-se no Jornal de Noticias da última sexta-feira.

1. Há textos que parecem pretender fazer-nos rir, ou, no mínimo, denotam o total desconhecimento de algumas realidades por parte dos seus autores. É que qualquer pároco em Portugal, onde exista agrupamento de escuteiros, é sempre o seu assistente; logo dirigente ou “com funções de chefia”. Aliás, basta ler a edição do dia anterior do mesmo jornal para confirmar essa realidade: “padre era assistente espiritual nos escuteiros”.

2. E, por causa das dúvidas, foram os escuteiros quem deram o primeiro passo para a denúncia à diocese da realidade que agitou a Golegã e terá que agitar a igreja portuguesa.

Nota de rodapé: o que pretendo sublinhar é a falta de rigor na informação, porque no resto assino por baixo as palavras de Catalina Pestana (Diário de Noticias, 13.12.07): “agora temos um papa que, todas as semanas, explica a suas excelências reverendíssimas que isto não é terra de ninguém e que a prevenção é a única capaz de evitar estes caos. Neste momento, a igreja não está acima de tudo e de todos”.
E as de Anselmo Borges, inseridas na mesma edição: “aí está a urgência de renovação na igreja. Para a pedofilia, tolerância zero. Transparência total no Banco do Vaticano. (…) Francisco não quer bispos “príncipes” nem de “aeroporto” a viajar em vez de estar ao serviço das pessoas”.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Ver além da pele

Por via das dúvidas que, de repente, possam vir ao de cima e por razões que muito provavelmente já nem o senhor Freud explicaria, com comparações que em nada darão, ou melhor, a nenhum sítio levam a não ser às dores de cotovelos partidários, sugiro que se faça um exercício de leitura simples e sem pressas de colagens aos amigos.

A informação que vai chegando às redações é, tantas e tantas vezes: ”nota da C.M de…”?
Se é, o jornalismo que se faz (devia fazer) é uma peste! Se o jornalista – com J, claro! – fosse capaz de sair da cadeira para desfazer as notas de imprensa no terreno, todos nós, leitores – interessados ou não; ou simplesmente curiosos de fenómenos de gabinetes de apoio a qualquer coisa (vulgo de comunicação) – perceberíamos melhor as realidades que (ainda) vão iludindo alguns detentores de algum poder.

Repare-se num pequeno pormenor (pleonasmo, bem sei!, se é pequeno é pormenor) “Vila Nova de Famalicão é o melhor município para estudar“ por ter recebido um prémio instituído pelo Ensino do Futuro e SINASE). Pois!, escola privada em ação!
O problema é que a maioria dos leitores nem pensa que os filtros não são só para o tabaco.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

abordagem lamechas

os corpos erguem-se com intensidade
diferentes da luz

(porque continuamos com as luzes brancas
e rendadas acesas?)

nenhum de nós sabia o que ia fazer.
não importa! estamos ebriosos
os corpos caem sem dignidade
apagando a luz
deixa-me ir lá para fora!
estás a estragar a minha festa. depois do espetáculo
a noite melhorou tanto

(continuamos com as luzes brancas e rendadas acesas?)

hoje foi a primeira vez
de todos nós; a primeira noite
(guia de conspirações
para o que resta dos nossos dias) – vale o que resta
a pena. continuamos com as luzes acesas?

os corpos erguem-se intensos num guia
de conspirações para o que resta de nós. no fim
nós! se lá estivermos. seremos incapazes
de olhar o rasto que montamos com o calor
dos nossos corpos.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Pesado libido

Quem escreve em maiúsculas, dizem-nos os especialistas em leitura do comportamento humano, é arrogante e tem o tremendo hábito de se por em bicos de pé com as pessoas; os lugares, sítios e desejos de futuro e com tudo o que se aproxime da cor e o cheiro dos seus olhares.

Quem, ocupando cargos públicos (para os quais foi eleito em grupo e não individualmente) insiste, no discurso público, no uso e abuso do “eu”, dizem os mesmos especialistas, revela insegurança, uma tremenda de uma necessidade de afirmação e – pasme-se! – pormenores de ignorância.

Bom!, dizem os mesmos especialistas que com o passar do tempo, esta fome do uso intenso do ‘eu’ passa; ao contrário da arrogância das maiúsculas que continuarão a ser mesmas na mão de quem teimosamente olha de desdém para os outros.