sábado, 30 de novembro de 2013

olhar da semana

Não estamos em tempo de esbanjamentos. E o exemplo tem de vir de cima. Por isso, apelo a todos os autarcas e juntas deste país: poupem nas iluminações natalícias, porque os pobres não vivem de luzes.
Manuel Padilha, Jornal de Noticias, 13.11.29

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

a minha casa é o teu sorriso



os carros. a chuva. a ausência do silêncio
uma orquestra do outro lado da rua. pálida. vazia.
sons tristíssimos! a noite.
os carros passam. a chuva apaga-se. o silêncio
desfaz-se. a noite embebeda-se
os carros, as vozes, os violinos, a noite, os carros. a rua vazia
sons vazios; distantes!
na noite

uma harpa toca sob as mãos do maestro
os carros param. vozes belas! carros lindos
mulheres belíssimas. que coro!
não há anjos!
se estivessem por aí fundiam os carros
a chuva; as mãos
do maestro e as vozes das mulheres belas.

já não há foguetes. nem carros. só silêncio
que bom! a minha casa; o teu sorriso.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Frase da semana

Antecipo o pesadelo: vem aí o natal. Não, não vou falar de pobres. Nem sequer dos a fingir.
Ana Cristina Leonardo, atual, 13.11.23

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

elogio da soberba

desde que me mataste
continuo empregado de mesa; é o meu lado
selvagem
que apagava a luz da tua vaidade
no olhar; se calhar tudo começa
na dificuldade em alcançar a disciplina
das ilusões!

desde que me mataste
continuo empregado de mesa; lugar onde se vê
tudo: olhares impacientes; ausência de uma tradição
de palavras; misterioso roubo do cartaz
que nos promovia.
lado selvagem

a entrar no teu olhar; percorrendo
pedaços ténues do universo; num ritual que não sei
quem é – e o que é – uma entrada que se abre
a cada instante? desde que me mataste
continuo empregado de mesa. no insosso
espaço – temos de condensar o tempo
e caminhar com o fado que abraçaste!
no imenso espaço

alcançarei o bastante? nem tudo
o que luz é ouro no insípido espaço. desde que me mataste
continuo pronto a servir-te. na mesa

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Rotinas de fábrica

Toda a gente tem planos; todas as pessoas apostam em propostas de futuro.
Mesmo ousando diferenças!
Por isso torna-se impossível perceber que muitas das decisões importantes de futuro – seja onde for – sejam tomadas (nos locais próprios; é verdade!), mas estando já no conhecimento da comunicação social que, em primeira mão, as transmite aos membros desses órgãos; ainda que estes sejam próprios, únicos, representativos e vinculativos.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Adoro a liberdade

No nosso país ninguém sabe ouvir e toda a gente sabe muito (ou está iludida nas suas certezas). Aí reside em parte o nosso atraso.
Elísio Estanque, Público, 13.11.16
 
Por que carga de água cada um de nós não pode participar naquilo que o motiva, seja partido politico, religião ou outra coisa qualquer?
E, nesse caso, o meu partido (ou chefe partidário), por exemplo, tem que saber de que clube sou? Ou o bispo da minha religião se tenho as quotas em dias no meu clube de eleição?

Como adoro a liberdade! E ela nunca impediu a participação das pessoas seja no que for. E tem uma grande vantagem: escuta; ouve como quem sabe decidir e deixa que cada um siga em frente.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Estranhas misturas


Há diferenças entre estar onde se quer e onde se pode?
Há, com toda a certeza!
Mas há também quem misture o que não é nem deve ser misturável.

Estará por aí alguma explicação para tantos fantasmas feitos notícias de última hora que assessores deixam cair como castanhas a saltar dos assadores?

domingo, 17 de novembro de 2013

Ameaça mais séria II?

Afinal, pelos resultados que tenho recolhido (leia-se recebido), na vila de Caldas das Taipas ainda reina um raciocínio primário à volta da gestão da coisa pública de fazer feridas.

E de tal ordem que aqueles que são incapazes de apresentar uma ideia de crescimento; melhor, que só sabem lutar contra tudo o que vá de Guimarães, fazem filmes que têm como guião apenas e só a disciplina das ilusões.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

estilo numa caixa de sapatos

estilo – nova forma de fazer de um idiota
uma caixa de sapatos
vazia; uma projeção da lua na mão
de um deus a saltar nas águas agitadas

do lago onde nascem monstros famosos –
muitos homens na fila de entrada;
na galeria dos órfãos da humanidade
com estilo; foge pelo prato fora
de um relógio reluzente. o estilo

as mulheres (as meninas exibicionistas)
custam quanto? – o lucro do bar, os copos partidos
os sonetos de felicidade adiada; o desejo
eis o dia perfeito do homem com estilo dentro
de uma caixa de sapatos; vazia
onde há um deus de mãos a abanar!
nada, mesmo nada, vai acontecer.

o estilo do Homem? que fazemos ao espelho
que nos persegue sempre?

sábado, 9 de novembro de 2013

histórias sem cadeira

o pai já cá não está. sinto
muita dor; saudade
um desejo intenso de o sentir entre os braços

a mãe está
esmaecida; com palavras ocres
sem desejos a intensidade perde-se
entre os braços da mãe
e a ausência do pai

ali. a noite. o pai
já não está. a mãe
não quer a noite. com palavras
esmaecidas.

e nós?
em frente! com o ritmo
que acompanha
sempre o devir.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Ameaça mais séria?

Não havendo Inquisição, nem PIDE, nem KGB, recorre-se agora às redes socias e à própria comunicação social para fazer o que é possível fazer: assassínios de caráter.
Henrique Monteiro, Expresso, 13.08.03

O que resta da última campanha eleitoral?
Muitas palavras; muitas dores e alegrias e desilusões. Até demasiada gente zangada; pessoas a mais com cortes de relações azedas; amargas. Algumas parecendo exibir uma raiva terrível.
A política não devia ser algo de construtivo?
Toda a ação à volta dela não é algo de natural e feito de total integridade?

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Espírito ambulante

Perdão!
Peço publicamente desculpa pela ousadia da minha pergunta de há uns dias: “onde para o espírito de Guimarães”.
Perdão; outra vez! Enganei-me. O espírito de Guimarães está vivo; transferiu-se para o café. Sim! Para um belo (e conhecido café) de Guimarães, para onde levou o orçamento para 2013 (ou seria para 2014?).

Para análise e discussão à volta de duas de treta; de um copo ou simplesmente duma roda de amigos.
Bela maneira de trazer assuntos nacionais para Guimarães.
Perdão!
Jamais poderei dizer que ninguém sabe o que é isso do espírito de Guimarães!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

a vida é uma conversa, não é?

a casa está vazia. lembras-te
daquele pátio frio; quase
sempre húmido. a mãe estava
sempre a limpá-lo. era o centro
da nossa vida. sempre

a casa está vazia. onde param
os nossos retratos? jogos de imagens
percorrendo as palavras sombrias
praticamente negras. e a ponte
a deixar quatro vidas. cinco
corpos passam. palavras sombrias
negras. a cidade não está a esconder-se?

a cidade está vazia. onde param
os nossos corpos? sempre davam calor
às paredes. vais viajar ao inicio da noite?

vê bem! tens o sangue da terra
na palma da mão. a casa está vazia
a cidade está vazia.
onde param os nossos corpos?

domingo, 3 de novembro de 2013

delito de hipocrisia


A Comissão Europeia prepara-se para aprovar – já esta semana – regras para uniformizar (pasme-se!) o tamanho dos autoclismos em todos os países que integram a União.

Excelente medida!

Assim já sabemos todos o tamanho da descarga a fazer sobre todos aqueles que por aí vão brincando com a vida das pessoas, valorizando o que realmente interessa.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

sombra de retirada

Uma das marcas – para não falar de imagem – dos grandes líderes é a hora (e a forma) como estes são capazes de se libertar da vida pública. Ninguém, por mais insensível que seja (ou possa parecer), é capaz de questionar como muitas das grandes referências dos nossos dias souberam entrar na história; saindo discreta e silenciosamente de cena.
Parece, todavia, vir ao de cima uma tentativa de alteração do rumo da história dos grandes homens. Do Brasil a Portugal (ou até em Guimarães). Na verdade, parece existir alguns sinais no ar de que grandes referências de um passado recente se podem tornar, do dia para a noite, em grandes fracassos.

Sejamos justos, os grandes lideres merecem respeito. Mas, também eles, têm que fazer (ainda que à maneira de Emaús) que o charme continue. E as pessoas que a história se sente incapaz de ignorar.