segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Importa-se de repetir

Eu sei que a esmagadora maioria das pessoas acha que o dinheiro da câmara não é de ninguém ou que pertence a uma entidade que não lhes diz nada respeito.
Manuel Ribeiro, Reflexo, outubro 2014

domingo, 19 de Outubro de 2014

Desfazer um mundo de rituais

Só será verdadeiro revolucionário aquele que vende o último dos medos: o da morte.
Soeiro Pereira Gomes, in Mais um herói
Paciência de santo e nervos de aço, dizia-me uma pessoa de quem não duvido nem um pouco, é um excelente amigo, são os argumentos principais para suportar, compreender e estar ao lado dos políticos.

             (Às vezes, muitas vezes, voltar a estar integrado ou por dentro do fenómeno                      político lembra-nos que nem todos temos nervos de aço e muito menos paciência              de santo.)

Escutar (não, não é ouvir) alguém ao nosso lado inquietando-se com o que se passa à nossa volta; tentando antecipar-nos que podemos voltar ao sítio onde fizeram questão de nos ignorar, não é uma boa experiência de alma. É algo que não entra na forma mais humanista de estar na vida.

E por uma razão de lana-caprina: quem está connosco está sempre e não quer peões para momentos muito concretos.

                    (Às vezes, muitas vezes, voltar a estar integrado ou por dentro do fenómeno                      político lembra-nos que nem todos temos nervos de aço e muito menos                              paciência de santo.)

corpo da verdade

foi rápida a noite; não senti
o ritmo quente da escuridão. o calor
evaporou-se
sem passar no corpo. madrugada
bem alta. corri em frente. um chão
escaldante. viagem rápida.

no regresso ao leito
a espera. ainda quente. o sono
evapora-se. também. o corpo
ilude o relógio: descansa.

foi tão rápido o corpo
já ressuscitado entre seitas
usurpadoras da verdade absoluta.

sábado, 18 de Outubro de 2014

Vamos lá


A Comunidade Intermunicipal do Ave (CIM do Ave) trabalha numa plataforma (go.Business) com o objetivo de “promover e divulgar estabelecimentos de modo a dinamizar o território e colocar à disposição de potenciais empreendedores e empresários informação comercial”.

Gosto da ideia.
Muito embora a rede já vá tendo muita informação nesta área, é sempre bom que alguém, ao nível local, vá dando conta das realizações boas que povoam um território que nunca se rendeu ao imobilismo.

E quando assim é todos temos razões para continuar a sonhar; perdão!, para acreditar no futuro.

Realidade das grandes coisas

O vimaranense António Joaquim Oliveira não tem dúvidas sobre a cidade de Sarajevo, a maior cidade e a capital da Bósnia Herzegovina: “custa-me a acreditar que há cerca de 20 anos esta cidade estava debaixo de fogo”.

E porque trazer António Joaquim Oliveira para aqui? Ora porque o taipense que saiu “das Taipas para o mundo” estava há cerca de dois meses naquela cidade para “ajudar a promover os museus da capital” da Bósnia Herzegovina.

Como gosto de pessoas decididas!

Pena que só o Reflexo mostre aos vimaranenses estas coisas belas de que se faz Guimarães!

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Olhar (local) do silêncio

foto: reflexodigital.com
Este mês também fica marcado pelo relançamento da questão da ligação entre a cidade, Caldas das Taipas e Avepark. Monteiro de Castro e André Coelho Lima regressaram à vila termal para voltar a colocar esse assunto em cima da mesa. Infelizmente a discussão passou demasiadamente para o patamar politico e não para discutir aquilo que mais interessa.
Alfredo Oliveira, editorial, Reflexo, outubro 2014

Brincar à caridadezinha

Os livros que eu te dei, sendo necessários para os que os não tinham, são muito mais importantes que os livros que os outros – também necessários para os outros que os não tinham – também deram.
Isso é lançar pedaços de liberdade no lugar dos aflitos!
Sempre a fragilidade da falta de argumentos a beber na fragilidade humana, familiar e social.
E quando assim é, o melhor é ficar a olhar as flores que continuam a tapar o arame farpado.

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Gosto tanto da democracia

foto: radiofundacao.net
Confesso que cada vez percebo menos do que é a realidade autárquica; ou melhor do funcionamento dos órgãos autárquicos, mormente a assembleia municipal.
Tudo o que eu conhecia (e tinha letra de forma) parece ultrapassado. Deve ser do passar dos anos.

Guimarães, desde a segunda sessão da última assembleia municipal, tem uma nova realidade: o vereador da oposição na câmara local, André Lima, pode (pelo menos pôde) intervir em defesa da (sua) honra.
Mesmo que a noite já vá alta!

Aposto que nas próximas reuniões daquele órgão - que deve ser de referência e ordem democrática - outros vereadores vão querer usar os microfones da Plataforma das Artes. Pelas mais diversas razões.
Eu, se estivesse no lugar de qualquer um deles, faria exatamente assim.

PS – A culpa do que aconteceu na segunda reunião da última sessão da AM não é do Pedro Roque, que nessa noite presidia à mesa da AM.
O Pedro, como sempre, foi coerente com as realidades que encontra.

Arte de ocupar

No estádio actual, o capitalismo tende a impor uma sociedade de consumo e a criar uma globalização de cidadãos que devem estar predispostos a consumir, abdicando da reclamação e do confronto de interesses ou posições.
António Pinto Ribeiro, Ípsilon, 14.09.12
Há imensas coisas que não sou capaz de entender nos dias frios, evasivos e cada vez mais violentos que correm. E então se as coisas vierem do meu país?

E se essas coisas surgirem das grandes visões por cima das azinheiras iluminadas que se passeiam entre o fim de um dia agitado num restaurante de luxo e a parcimónia de um gabinete onde os donos das visões milagrosas não são reconhecidos?

Por vida das dúvidas registo este título do semanário Expresso: “vamos pagar 721 milhões para cobrar portagens nas ex-scut”.

Tanto por tão pouco?

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Viver acima da fantasia

Em certos momentos da nossa vida é chegada a hora de enfrentar os perigos de uma viagem cheia de sombras e medos, partindo em direcção ao mais profundo de nós.
José Luís Nunes, i, 14.09.13
Na última assembleia municipal de Guimarães, a primeira reunião que teve lugar logo no dia seguinte às eleições no PS, houve momentos violentos de intervenção sem filtro.
Palavras a mais, exageros que fizeram as delícias dos adversários do bom funcionamento dos órgãos autárquicos.
E, claro!, ficaram portas escancaradas para todos aqueles que, mesmo vendendo ilusões, facilitismos e palavras pacóvias, se riem à fartazana de quem se arvora em paladino discreto da arte de ocupar a verdade...

Confesso que depois do que aconteceu fico com um receio enorme do que poderá acontecer no futuro com José João Torrinha, o líder da bancada socialista no hemiciclo vimaranense.
Porquê?
Porque o papel de um líder de bancada é digníssimo.

Tragédia galopante

Há momentos em que sinto vontade de mandar às malvas quem, nos jornais, diz que faz jornalismo. E há momentos em que ao ler alguns jornais tenho vontade de dar razão aos inventores do facilitismo.

De que falo?
Olhe-se para este título do Correio do Minho de 14.10.08: “obras na ribeira para evitar inondações”.

Caramba o jornalismo anda assim sem capacidade imaginativa!
Transcrevendo notas institucionais e fazendo de conta que dá noticias.