sábado, 1 de agosto de 2015

Triste realidade ou realidade triste?

Do outro lado da vida ressuscitam corpos, apesar de a casa
estar vazia. E o tempo
das marés apagou na língua o desejo de regressos aos sinais escritos.
Al Berto, ritos do 11 de janeiro, Bumerangue 1
Os pedintes profissionais são uma realidade que não para de aumentar à porta dos templos católicos em Guimarães.
Fazendo um exercício simples como é passar à porta das igrejas da cidade-berço à hora de culto veem-se sempre as mesmas caras. As mesmas roupas velhas, gastas, sujas; nauseabundas (como convém)
Imagino que as palavras dirigidas a quem entra ou sai (do templo) sejam também sempre iguais; vazias, quase silenciosas: totalmente impercetíveis. As mesmas.
Sim, é sinal de pobreza!
Mas, atenção!, há redes que exploram pedintes. E não é só em Guimarães.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Temos que sentir; o silêncio da ausência

No silêncio, os dias têm a cor
amarelada do papel.
Al Berto, ritos do 11 de janeiro, Bumerangue 1
Tive a oportunidade de estar presente no primeiro dia da feira de artesanato de Vila do Conde deste ano.
Fiquei tão bem!
Recordei outros tempos, vi coisas lindas; criação e vi Guimarães. Curiosamente, uma Guimarães (ali em Lordelo) que não conhecia. De todo.
Mas vi uma realidade que, a um vimaranese com memória, deve trazer saudades: a feira de artesanato de Guimarães (não tendo o âmbito nacional da de Vila do Conde) era assim uma coisa tão má que não justifique o seu regresso?

Olhar do silêncio V

foto: telegraph.co.uk
Não é claro que estejamos a aprimorar a inteligência quando Wolfgang Schäuble, a propósito das relações complexas entre a Alemanha e a França nos remete involuntariamente para Pedro Chagas Freitas: “Por vezes, também se dá o caso de a minha mulher e eu não seremos inteiramente da mesma opinião”.

Ana Cristina Leonardo, E, 15.07.25

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Nunca deixes de sonhar

Há um espaço no corpo que pode ser um lugar.
Daniel Faria
foto: publico.pt
Há uma novidade boa que, espera-se, veja a a luz do dia, que é como quem diz, a realidade já no próximo ano: a nova biblioteca e centro de estudos da Universidade do Minho. Lá em cima em Azurém.
António Cunha, o reitor da UM, considera-a uma obra “de extrema importância, tanto para a universidade, como para Guimarães”.
E, afirma o reitor, será um espaço que vai estar aberto à noite e fins-de-semana.
Que mais se pode dizer; ou desejar?

Olhar do silêncio IV

foto: espigaonews.com.br
Lembrando-me do logro em que ‘alguns dos mesmos’ me fizeram cair em eleições anteriores, dou por mim num típico processo, mas não te encontro.

Jorge Araújo, Expresso, 15.07.25

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Apagar ligações

Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem veem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
1. Tive a oportunidade de participar – pouco; muito menos do que gostava – nos debates sobre o futuro de Guimarães que a Associação de Socorros Mútuos Artística Vimaranense (ASMAV) tem levado a cabo.
Felizmente que no meu primeiro dia de trabalho logo após as férias deste ano, pude escutar Cândido Capela Dias.
É sempre um prazer ouvir o antigo deputado (por pouco tempo; infelizmente) e antigo vereador na câmara de Guimarães.

2. Cândido estruturou uma intervenção que obriga a pensar. Desde logo porque no futuro de Guimarães haverá nuvens negras nascidas nas ousadas realidades do presente. Sim! Não é só a falta de uma ideia seriamente coerente no turismo – com a descarga de turistas que dormem no Porto e descem a colina sagrada até ao centro histórico e se vão embora sem sentir a cidade, as pessoas e outras realidades, é a forma como cada vez mais se compram pacotes de noites brancas, se enchem espaços com feiras medievais – neste particular, pessoalmente, considero a feira afonsina um pouco diferente da maioria das feiras medievais que por aí proliferam; pela identidade e pela obrigação de ter elementos identificadores da história de Guimarães.

3. O que o também membro da assembleia de Caldas das Taipas abordou na ASMAV é algo que nos tem que tira da apatia dos dias.
Ah! O futuro de Guimarães também passa por opções do passado que nem sempre auguram boas novas. E Cândido não esquece opções de planeamento que hoje têm peso nas decisões políticas municipais.

4. Em suma, não só a ASMAV, mostra vitalidade na forma como olha para o futuro e promove a discussão, como a CDU – foi esta coligação que ali esteve, como vincou mais do que uma vez, Cândido Capela Dias – mostrou (mais uma vez) que tem ideias muito claras para Guimarães.