Domingo, 5 de Julho de 2009

pergunta da semana

UM jornalista fora do seu local de trabalho não terá direito de ter opinião sobre os políticos ou sobre determinados acontecimentos políticos?
Alfredo Oliveira, Reflexo, julho de 2009

frases da semana

local
Em Guimarães, novo feudo de Nelo Vingada, o paraguaio Mendieta promete fazer da faixa esquerda um local de bom futebol.
Luís Freitas Lobo, Expresso, 09.07.04

nacional
O problema é que a imagem televisiva, hoje, não perdoa. E ao fazer o gesto que fez, Pinho não insultou apenas um adversário; ele pôs literalmente um par de chifres no seu próprio governo, atraiçoando-o com uma estocada que pode ser fatal.
João Pereira Coutinho, Correio da Manhã, 09.07.04

internacional
Tenho muita sorte com Berlusconi. Basta-me repetir o que ele diz e tenho um espectáculo completo.
Roberto Benigni, El País, 09.06.29

Sábado, 4 de Julho de 2009

chocado e indignado com a tradição

São seis da tarde e eu, sentado num banco de pedra comprido e debruçado sobre uma mesa de pedra fria, vou lendo um autor maldito. Russo. À espera de encontrar o primeiro pecado na escrita. Os melros andam calmos, procuram (somente) comida para os filhotes. E fico a escutar o silêncio todo…

Não há memória do futuro, bem sabes! Porque insistes em olhar para aqueles corpos gordos vestidos de branco a tentarem voar na planície completamente verde?

…o efeito dos lugares dá-me maior vontade de encontrar a noite ou de antecipar os fins de tarde mais gélidos.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

uma urgência e ninguém

INTEIRAMENTE de acordo com o secretário-geral do PS.

Desde quando é que pessoas da importância do criador de Rafael têm que fugir do parlamento?

Até porque “haja o que houver amanhã é outro dia” e, “l’ exil est un pays sévère

o universo espero atenda meu rogo

A minha preguiça morre de ciúmes do meu trabalho

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

acontece aos melhores

imagens que valem muito mais do que milhões de palavras. Ou, então, que estão acima das melhores das acções.

“o tempo não está para piscinas”

COM o mês de julho para muitos portugueses chegam as férias – já não é só em agosto, não! os tempos (também nos ritmos das pessoas) estão diferentes. E chega o tempo em que se (re)faz contas à vida – porque o subsídio de férias ajudará a pagar aquela dívida que nunca mais acaba. Só que também os meses de julho já na são como eram. Já é imensa a mole de pessoas que não tem férias. Nem trabalho no resto de ano. E gente que ao ouvir falar de subsídio de férias lá vai desabafando: isso foi ‘chão que deu uvas’.

Podia ser assim, com um texto muito simples que se construía uma crónica de férias. De forma essencialmente simpática. Afinal, o tempo de férias é tempo de relaxe. Podia, mas isso era noutros tempos. Porque os tempos que correm são tempos que se complicam a cada momento que passa. Talvez seja por isso que até a arte da política há imenso tempo que já não é o que era. Porque são tempos que nos consomem em dores de cabeça. E em dúvidas. Como dizia António Magalhães na última Assembleia Municipal, são tempos que nos dizem que “o tempo não está para piscinas”. Talvez por isso o autarca vimaranense tenha afirmado que “à mesa do café em meia-hora resolvo tudo!” Quem não tem subsídio de férias percebe tão bem estas palavras! Ou melhor, não entende nada!, porque nem para a mesa do café pode ir: só tem um dinheiro para ultrapassar as necessidades do dia-a-dia. Quando tem!

Portanto, com tempos duros como os que correm nem sequer vale a pena pensar em férias? Vale, claro! Porque ainda há quem trabalhe e que tenha emprego e que, portanto receba subsídio de férias. Mesmo que também essas pessoas já estejam pouco certas do futuro ou pouco confiantes naquilo que os políticos vão dizendo.

É nos táxis, por exemplo, onde mais se ouve isso. Quer dizer!, era. Porque os tempos não estão para luxos. Muito embora seja verdade – parece que cada vez mais – os taxistas sejam uns servidores do povo e de quem passa pelas dificuldades. Não é exagero, é verdade! Experimente-se, por exemplo, ver a sua acção nos serviços de hemodiálise de um qualquer centro. Quem acompanha aquelas pessoas que dia sim, dia não têm que se ligar a uma máquina? E quem vai buscar e entregar à família ou instituições estas pessoas? Ah! E quem conversa com elas para os despertar depois da diálise? É por isso que estes senhores sentem muito bem o que se vai passando na sociedade. E transmitem o que pensam. Para além de óptimos exemplos de solidariedade com cuidados que fazem inveja aos familiares, eles, os taxistas, sentem o povo. São eles que dizem que “há partidos que não sabem do que se fala quando fala da centralização cultural”, por exemplo. Ou que vão afirmando que não entendem que haja partidos a queixarem-se de que existem partidos de primeira e partidos de segunda.

Os taxistas – ouve-se quando se entra nos seus carros sempre espelhados –, dizem que a paisagem está muito poluída. Publicidade de toda a espécie – a apelar às novidades consumistas quando nem o subsídio de férias se recebe, dizem. E de cartazes políticos. Dizem os taxistas os cartazes são todos iguais. Até parecem Ricardo Garcia num destes domingos (na revista Pública): “os cartazes políticos são uma poluição inútil. Além de conspurcarem o panorama visual, já ninguém acredita neles”.
texto publicado no jornal "reflexo" de junho de 2009

Sábado, 27 de Junho de 2009

heróis

na montanha nua
da verdade
heróis procuram uma nuvem
sobre a vida. sedução estranha! nuvem sobre a lua
tapando heróis que fogem à noite.

sabor a paz e calor de anjo. montanha
dentro vê-se a vida. em ecos de palmas à verdade.
heróis oportunos. numa liberdade sem ordem
afastam uma nuvem da lua.

já é dia dentro da verdade. na montanha
onde moram os heróis da vida.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

vamos seguir os passos do universo

Não se deve ter medo de dar um grande passo quando for a altura disso. Não se pode atravessar o abismo aos saltinhos.
David Lhoy

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

couros com nova vida

poucos dias António Magalhães disse publicamente que já ”há um grupo de trabalho liderado pela Universidade do Minho a estudar as hipotéticas bacias de retenção” na ribeira de Couros. É óptimo. Não só porque será possível conter ‘as raivas’ das águas que descem a encosta da Penha, e que algumas vezes levam tudo o que lhes aparece pela frente, mas também porque este trabalho de fundo vai permitir limpar de vez uma referência de Guimarães. No fim-de-semana passado já vimos no terreno frutos desse trabalho.