Quinta-feira, 23 de Maio de 2013

o be promete agitação

foto:opovo.pt
Com a anunciação – e apresentação – pública do nome de José Fonseca como candidato à câmara de Guimarães, e salvaguardando que a todo o momento poderá surgir o anúncio do candidato do PCTP/MRPP, está completo o quadro de potenciais inquilinos de Santa Clara depois das autárquicas do próximo outono.

Ainda é cedo para falar dessa realidade, pelo que, para já, registo da apresentação da candidatura bloquista dois pontos de vista assumidos por José Fonseca: uma justiça social e “politicas proativas e inovadoras que combatam a pobreza, a exclusão social e a estagnação social” e a colocação na agenda de politicas locais que defendam o desenvolvimento sustentável e ambiental.

Prometo seguir com muita atenção estas duas ideias; principalmente a segunda. Não porque esteja radicalmente contra o que Pedro Soares afirma, quando deseja que Guimarães seja “uma capital da cidadania, da solidariedade e da defesa do património”, não! – só não entendo tais palavras, que me parecem não fazer sentido –, mas porque considero mais objetivo o empenho e motivação do candidato do BE a Santa Clara.

Se a capital da cidadania é uma realidade que todos nós, cidadãos empenhados, fazemos, em Guimarães, questão de preservar; a solidariedade, essa poderá ter perdido uns quilates com a atitude paternal-oportunista de uma forma muito perigosa de a olhar, com apoios só para amigos ou parceiros de carteira em cursos de formação especial ou patrocinados, mas a defesa do património anda de mãos dadas com a cidadania. E em Guimarães quer a cidadania quer a defesa do património pedem meças a quem se arvore como salvador. Mas isso será objeto de reflexão futura. Até porque, para já, o “desenvolvimento sustentável e ambiental” merece que se diga, e desde já, que, mesmo sendo certo que há sempre imenso a fazer nesta área, por terras vimaranenses quando se olha para aquilo que são os espaços verdes – com enormes potencialidades de fruição –, harmonia entre o construído e o espaço público, todos reconhecemos que se está num município que tem sido capaz de mostrar como se faz.

Há necessidade de uma maior reflexão? Este ponto de vista de José Fonseca é bem-vindo e pode ser um bom ponto de partida para outras reflexões.

Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

olhares contrários

ascendendo
José Dias – Quem conhece o presidente do Centro Social de Brito sabe bem o quanto este vinha sofrendo com o facto de o ‘seu’ centro social andar pelos corredores dos tribunais. O também presidente de junta até pode ter ajudado a provocar os associados daquela instituição de solidariedade social de Brito a votarem pela continuidade dos órgãos sociais, dado o empenho e garantias pessoais atravessadas. Até pode ter passado por cima de algum pormenor estatutário, mas, a partir do momento em que a assembleia-geral do centro social deu luz verde, o caminho para a continuidade da equipa que catapultou aquela instituição ao patamar onde está, ficou totalmente aberto. Percebe-se que alguém tenha ficado com dúvidas, mas o Tribunal da Relação de Guimarães não teve. E, nesse sentido, considerou que a assembleia-geral se pronunciou a favor da candidatura que elegeu a atual direção.
abatendo
Direção-geral das Artes – A Direção Geral das Artes (DGA) deu o dito por não dito e mandou às malvas a Oficina. É verdade! Depois de, no passado mês de março, aquela direção geral ter atribuído um valor à entidade que promove a cultura em Guimarães como ninguém em nenhum lado, resolveu voltar atrás e diminuir o montante a atribuir aos apoios indiretos ou acordos tripartidos. Já é de mais! O governo de Passos e Portas não gosta mesmo de Guimarães e prova-o sempre que pode. E tem podido demasiadas vezes para azar dos vimaranenses. Pena é que os senhores da mesma cor a nível local continuem impávidos e serenos, mas prontos para na primeira oportunidade, fazerem o que adoram: criticar quem por terras de D. Afonso faz um esforço cada vez maior para manter a qualidade cultural a que os cidadãos estão habituados. Mas que era fundamental um ‘puxão de orelhas’ a esta direção da responsabilidade de Samuel Rego era. E bem podia começar por quem se diz junto por Guimarães!

desafio (local) da semana

O novo espetáculo do Teatro Oficina [Rei Lear] é um desfio aos espectadores, convocados a ocuparem uma posição desconfortável.
Samuel Silva, Ípsilon, 13.05.17

arte urbana em guimarães

A arte urbana dá personalidade e carisma às cidades. A câmara de Lisboa já o percebeu promovendo uma de artistas”, afirmou (reportagem na Revista, 13.05.18) Filipa – Sphiza – uma artista urbana portuguesa de referência e aua rua como um museu – reflexões sobre o graffiti e a street art”.
tora do mestrado “

Não entendo por que em Guimarães, por exemplo, tantas coisas lindas vão desaparecendo das ruas da cidade. Mais centrais ou mais discretas. Mas já vi paredes mais ou menos sujas a ficarem belas. Por isso, adorava ver mais muros como a parede traseira do pavilhão multiusos. Ou um pedacito no parque da cidade.

Terça-feira, 21 de Maio de 2013

morte cultural; mais uma


Com esta miséria de governação de Excel, de tal insensibilidade, ignorância e incapacidade de gestão, fechem mesmo, por favor, o São Carlos enquanto teatro de ópera.

Augusto M. Seabra, Ípsilon, 13.05.17

reparo da semana

Não há razão objetiva para o Governo querer a cabeça de Lurdes [Rodrigues]. Mas dá-se mal com pessoas competentes e que não são servis.
Nicolau Santos, Expresso, 13.05.18

Segunda-feira, 20 de Maio de 2013

seremos nós um “país de burros”?

foto: publico.pt
O presidente da República, pela cobertura que dá às atuais politicas e ao Governo, pelas invocações sacrílegas de Nossa Senhora de Fátima e outros disparates, tornou-se problema nacional.
Manuel Carvalho da Silva, Jornal de Noticias, 13.05.18

falemos a brincar de coisas (muito) sérias

Nossa Senhora nega ter dado ajuda na sétima avaliação

Com a intermediação mediúnica de dois grandes feiticeiros africanos e do Padre Borga à guitarra, Nossa Senhora garante que não inspirou a aprovação da sétima avaliação da “troika”, como sugeriu o Presidente da República, até porque não se entende com o Excel e há meses que não fala com Miguel Frasquilho ou António Borges.
oInimigo Público, 13.05.17

viagem contra o silêncio

Temo que a verdade absoluta pertença ao absoluto, ou à nossa enigmática relação com ele.
Pedro Mexia

Quando os desejos individuais, perfeita e justamente naturais, de viver com o mínimo de dignidade esbarram com os artífices do dia a dia – quase sempre inoportunos donos de uma estranha coisa que só pensa na máquina do poder – percebemos que as marcas do território da decência e, principalmente, da dignidade humana, se tornam desejos cada vez mais utópicos. Em vontades aceleradamente prontas a explodir. E, infelizmente!, os dias, os nossos dias violentos, fazem-se cada vez mais desta realidade. E que realidade!

Santiago Gamboa está cheio de tem razão quando afirma que “toda a violência tem uma geografia: a um metro de distância pode estar uma vida”. Mas esta verdade é cada vez mais esquecida pela violência dos dias que atravessam, com cada vez mais violência, as nossas vidas, dias que se fazem de uma geografia onde não existem coordenadas para o outro; para a solidariedade, enfim!, para o que é a dignidade humana. Basta apenas um simples olhar, mesmo com alguma dose de distração, constatar nas bússolas daqueles que são – ainda que transitória e temporariamente – donos da máquina do poder e da sua manipulação, investem tudo para que os únicos desejos individuais; realizações, concretizáveis, sejam os seus. Independentemente do que possa ser esmagado.

Perante esta realidade – tremenda realidade para a grande maioria dos seres humanos, até na Europa liberal, perdão!, ultraliberal dos senhores que compõe a governação portuguesa – esta enorme maioria de seres com cabeça, pensamento, sentimentos e muitas dores, deverá continuar o caminho solenemente desejado pelos poderes manipuladores que minimizam modos de vida, abrem os atalhos da morte ou simplesmente devem dar início a viagens contra o silêncio?

A resposta é simples: na paisagem interna do dominador há sempre muitos modos de morte. Eles, que têm quem lhes marque o território, adoram o tempo das trevas, nas viagens contra o silêncio onde se desfaz qualquer procura da alma. Mesmo no distrito de Braga? Claro! Eles, os que (momentaneamente) se consideram manipuladores com ofertas de ambulâncias, chaves de novas realidades que deviam responder às mais elementares necessidades humanas – de repente – encontraram o que sempre lhes faltou.
Estão a correr muito depressa as palavras?
Caramba! Sempre tinha razão quando apelei ao silêncio?
Não sei. Prefiro dar a palavra a Soeiro Pereira Gomes que, na sua bela obra “Engrenagem”, escrevia que, na indústria, não há lugar para o sentimento. Os acidentes fazem parte da própria natureza do trabalho. Que leitura muito para além do seu tempo! E, o pior, é que ela é atualíssima. Nos tempos que nos destroem, o que importa é “alugar os braços, mesmo pelos seis escudos, para não regressarem com os bolsos vazios. Mas ele enxotou-os como mendigos”. Não é verdade?