quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

Mania de manter as convicções acesas

Tenho em mim os meus rostos anteriores, como a árvore tem os anéis da sua idade. O que sou é a soma de todos esses rostos. O espelho só vê o meu rosto mais recente, mas eu conheço todos os anteriores.
Tomas Tranströmer
1. Eu, pelo menos, fui assim educado; sempre estive convencido de que – no mínimo – é falta de educação invadir um espaço privado. Tenha ele e forma ou caracterização que tiver.
Daí que, não duvidando nem um pouco de que o futuro se orienta para nós, sou peremtório: há momentos em que temos que sair do palco; não nos deixarmos empurrar. Afinal, a arte do eterno só pode ser uma ilusão para quem não conhece as portas da redenção. Por isso, o importante mesmo é ser-se! Se percebemos isso, não só não andamos por aí a arrastar-nos em cenas tristed – feitos cavaleiros da salvação – como amanhã a porta de saída será solene.

2. Podemos percorrer caminhos novos, mas o que importa é sair de nós; em busca de uma estrada nova – aventura forte através da rota do nosso olhar.
Morto. Antes de avançarmos.

3. Ainda há muitas pedras no caminho e vamos continuar a caminhar com a indiferença? Não te parece que chegou a hora de entramos na estrada da ousadia?

4. Nunca escreverei para adolescentes, nem para políticos que avancem à deriva!

Ilusão de um país à deriva

Professores que aceitarem rescisão vão ser chamados a assinar novo acordo.
Título do Público, 14.09.05


Parece aquelas pessoas que ficaram desempregadas de uma indústria do setor têxtil que foram chamadas pelo Centro de Emprego para trabalharem na mesma empresa!
Caramba!

quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

E o BES?

Cavaco Silva publicou no site da Presidência da República as declarações feitas em 21 de julho sobre o BES. Persiste assim a estranha prática de remeter para declarações passadas, em vez de responder diretamente às questões que lhe são feitas.
Pedro Lima (Baixos), Expresso, 14.09.15

Num país onde o “salve-se quem puder” é uma constante feita de ingratidão e palavras ocas, o editorial do Expresso (14.09.15) faz pensar: «Para se “defender” o Presidente [da República] acabou por isolar ainda mais o governador do Banco de Portugal. Ora as instituições estão acima das agendas pessoais».

Daí que valha a pena olhar para estas palavras de Luis Marques, Expresso (Economia), 14.09.15: “o que vai acontecer a Ricardo Salgado? (…) Por agora caiu um manto de pesado silêncio sobre o caso. É o tempo de todas as investigações. Depois, é imperativo que o país tome conhecimento de toda a verdade. (…) Ricardo Gonçalves sabe muito mais do que aquilo que podemos imaginar. Ele é o homem-bomba, que tira o sono de muita gente”.

terça-feira, 9 de Setembro de 2014

As dores que matam à distância

foto: sol.pt
Considero o caso do GES/BES muito mais sério e grave do que o do BPN. (…) Um dia vai ser preciso reunir historiadores, economistas e psiquiatras para perceber isto.
Fernando Urrich, Revista, 14.09.06

O tempo que dá sempre razão à razão!

Olhar do silêncio

É em Portugal onde as empresas do Estado, controladas por tipos do Governo, fazem contratos à medida de empresários, uns mais desconhecidos que outros, que financiam os seus partidos.
Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 14.09.05

segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

Que tristeza!

Por que razão o governo do meu país colocou o desemprego na minha região muito acima do registado pelo IEFP?

Será mesmo por no distrito bracarense quem decide tudo o que diz respeito às dores e ao futuro violento das pessoas que, ou trabalharam uma vida inteira e agora estão sem apoios ou não têm fontes de subsistência, é um vimaranense?
Não pode ser, pois não?

Estranha surpresa ou música suave para os ouvidos?

António Costa está “surpreendido” porque não sabia que José Sá Fernandes era vereador da câmara de Lisboa.
O Inimigo Público, 14.09.05

domingo, 7 de Setembro de 2014

Palavra proibida

Quando penso no meu pai

        (a minha atitude deriva da tua. Podíamos ajudar-nos mutuamente. Agora ou  a seguir ao silêncio)

tolhe-se-me o pensamento. Aquece a razão. Move-se a memória:

                  (fico sem fôlego e não quero ser igual à ausência de sinais – ainda que verticais – para o ajustamento perfeito de comportamentos derivantes)

a metáfora está ali. Morta memória bem se agita – é tudo tão distante!

                (A minha atitude deriva da tua. A ajuda perdeu-se no silêncio; em ausências de  proximidade)

Quem amamos nunca morre, será? Quando penso no meu pai tolhe-se-me o pensamento. A memória apaga-se. A razão morre.

Bem sei que a falta de esperança é o nosso maior inimigo.

cidade que morre em cada noite

quando ontem subimos a rua apressada a cidade
estava vazia. não havia silêncio; vivia-se silêncios
as agitações exageradas dos dias fingidos morrem.
tudo faz sentido fora de muros.
a vaidade fica tão esbatida; entre pazes e as vozes
finas das paredes, esquecidas noutros dias.
quando ontem entramos na cidade
senti vontade de a namorar; ficar
abraçado à sua luz suave. tão distante da vaidade de outros dias
beijar com a sofreguidão do silêncio tantas e tantas vezes ausente

quando ontem entramos na cidade sentimos o desejo atávico de olhar, não foi?

sábado, 6 de Setembro de 2014

Marco António

Marco António Costa criticado no PSD porque a acusação de o PS ser uma ‘oposição cristalizada, imobilista e retrógrada’ estava guardada para ser atirada ao CDS.
O Inimigo Público, 14.09.05

Portugal com a espada nas costas

Novas regras incham PIB com droga mas duplicam recessão da troika.
Título, i, 14.08.30
O meu país, aquela pátria à beira mar plantada e onde o sonho cresce em cada olhar dos poetas é uma selva. No comando dos seus destinos perdeu-se o controlo dos dias; mataram-se todos os desejos e experimentam-se todas as encenações macabras.
No meu país – que, temo, não seja mais o futuro dos meus – o “emprego: está a aumentar, o que é ótimo. Mas quase dois em cada três contratações das empresas estão a ser subsidiadas pelo Estado”. (Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 14.08.30)