domingo, 24 de maio de 2015

silêncio que fica

com o tempo da distância; nós
perdemos o lugar e o momento do abraço
com o tempo da distância; vamos
agarrados a tempos sem rostos

as distâncias crescem; cada vez
mais vazias no buraco do tempo; ausente
em olhares trémulos
ardendo nas memórias mortíferas

com o tempo da distância; abraçamos
serenidade e a métrica solene
que desenha novos caminhos; aproximam-se
abraços. nós. no silêncio.

sábado, 23 de maio de 2015

Teatro, parceiro menor?

Chegou a casa
não disse nada
pegou na filha
deu-lhe a mamada.
António Gedeão, in Poemas escolhidos
No último ano a Oficina não só foi capaz de dar continuidade ao trabalho desenvolvido nas diferentes áreas sob sua responsabilidade (as mesmas “que sempre orientam” o seu trabalho, mas numa escala mais ambiciosa, apesar dos constrangimentos financeiros”), como se pode ler na introdução do relatório de atividades e contas daquela estrutura municipal responsável pelo que de bom se faz em Guimarães em termos culturais – uma organização, diga-se, que não tem (necessariamente) que dar lucro, antes, desenvolver um trabalho sério de programação no campo cultural.

Lendo o resto do documento – por mim até me ficava só pela introdução – ficamos a saber que “a programação regular foi alicerçada por diferentes eventos de qualidade como o Guidance, Manta ou Guimarães Jazz ou, ainda, coisas menores como a noite branca; coisas que, ninguém se espante!, são reconhecidas fora de portas; a par do que se vai fazendo a partir da sociedade civil.
Dadas as caraterísticas e qualidade das realizações levadas a cabo pela a Oficina só me ocorre um comentário: excelente!

Mas, aqui e agora, só pretendo ficar pelo teatro.
Logo no início do documento fica claro que o teatro Oficina “assentou a sua programação numa estratégia de coprodução com diferentes criadores e estruturas”.
Pode ser só impressão minha, mas em 2014 fica-se com um sabor amargo de boca. Tendo os Festivais Gil Vicente (o segundo ponto alto do ano transato no dizer do documento) estado dentro do que tem sido habitual – e estiveram!, quando se olha para a estreia de duas produções (na solidão dos campos de algodão ou círculo de transformação em espelho, uma coprodução com a companhia Útero, o que fica é um sabor a pouco; muito pouco. Infelizmente 2015 promete manter um vazio maior. E isso entristece-me. Só isso.
Espero, e pelos vistos haverá novidades, que 2015 seja melhor. Assim sendo, até poderei ficar menos triste.

Copiar benfiquistas em Guimarães

Um vídeo captado por telemóvel está a chocar Portugal

Imagens mostram governo a saquear bens de contribuintes e a levar tudo o consegue.
o Inimigo Público, 15.05.22

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Esta eternidade que não passa

O governo do mundo começa em nós mesmos
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Devagarinho então: há um estudo, apresentado na última sexta-feira, dia 15, que parece cortar as “preocupações que o Presidente da República expressou, na abertura da IV conferência internacional Portugal e os jovens, novos rumos, outra esperança”, como escreve Maria João Lopes no Público.
Ah! Pois, Cavaco, quer que os jovens regressem ao país e “está apreensivo com o afastamento destes em relação à política”.
Bem sei que esta realidade é mais intensa junto dos mais jovens e que, lá pelos 25 anos, os jovens começam a gostar de olhar para a política. Mas é sério que até lá se borrifem para a coisa pública. E, claro, que ponderem ira trabalhar para o estrangeiro.
Ou seja, temos um Portugal sem futuro. Mas isso já vamos vendo; infelizmente.
Será exagero meu considerar que esta triste realidade é um desejo cumprido de certos políticos que agora nos acenam com umas coisas; uns desejos eleitorais?

Olhar do silêncio V

foto: publico.pt
Sampaio da Nóvoa – Quero agradecer o apoio do Partido Socialista e do seu líder, que foi para mim uma grande surpresa. E grande surpresa porque nas reflexões que tenho feito, sentando à beira deste rio que se chama Portugal, sempre me visionei como independente, prometendo a mim mesmo que jamais faria cedências a quem quer que fosse, mesmo o dr. Carvalho da Silva. Foi isso que disse ao secretário-geral do PS.
Comendador Marques de Correia, E, 15.05.15

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Como resistir à tentação?

Depois da luta e depois da conquista
fiquei só
Camilo Pessanha, in Clypsidra
Em frente dos meus olhos dois olhares. Um em papel diz:”Guimarães liga-se ao Ave park com uma via de consenso” e é um título do Diário do Minho, 15.05.14.
O outro está no ecrã do computador e pisca-me assim: ”Câmara de Guimarães estuda nova alternativa ao acesso ao Avepark” e é do Reflexodigital, 15.05.14.
Fico baralhado!
E fico a pensar: em que ficamos?

Olhar do silêncio IV

Portugal tem neste momento dois governos a governar o país ao mesmo tempo. Um, do PSD/CDS, governa às segundas, quartas e sextas e o outro, o do PS, às terças, quintas e sábados.
Pedro de Sousa Carvalho, Público, 15.05.15

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Olhar (local) do silêncio II

foto: reflexodigital.com
Não será fácil, mantendo-se este “braço de ferro”, que se cumpra o mandato dado nas últimas eleições de 2013 a Constantino Veiga.
Alfredo Oliveira, Reflexo, maio 2015

Olhar do silêncio III

Não há conta, nos últimos 40 anos, de uma tão grande transferência de funções básicas do Estado para o setor privado. (…) O Estado (leia-se o Governo) entregou para as mãos da Misericórdia, diretamente, e sem que se perceba porquê, o Centro de Reabilitação do Norte, construído com dinheiros públicos e fundos comunitários. E fiquemos por aqui. Para já.
Domingos de Andrade, Jornal de Noticias, 15.05.16