outra vez a vim

O presidente da câmara de Guimarães não pára e, mais uma vez, se atirou ao presidente da câmara de Famalicão dizendo que o município famalicense também aprovou a VIM – a famigerada via intermunicipal que liga Joane a Vizela. É inteiramente verdade, mas isso pouco importa. Pelo menos para aqueles que perderam entes queridos em acidentes naquela estrada o que importa é que os municípios dêem as mãos e olhem para a frente de forma a ultrapassar as muitas anomalias da via. Para diminuir-se o número de acidentes.


assim vai o mundo

Este é o Ano Europeu de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social. É certo que o ano ainda é uma criança. Muito ténue ainda. Mas que foi feito já no sentido de combater – de facto não para as câmaras de televisão – pelos governos? E então no que concerne à exclusão social que haverá de novo para além da sistemática marginalização? É certo que os anos de qualquer coisa existem porque se detectou falhas. Mas que já se devia já estar a agir-se mais ninguém duvida.


Nota de rodapé – pobreza em Portugal atinge dois milhões de pessoas. E os portugueses são “pobres, apesar do trabalho”.



agenda fnac

Vale a pena ler a publicidade da FNAC nos jornais nacionais. A agenda FNAC é completíssima.

Curiosamente só há algo de apresentável em Lisboa e Porto. Pronto, às vezes, Cascais!


E em Guimarães?



ecos (internacionais) do papel

Tony Blair não tem remorsos. Mentiu, permitiu a manipulação e, ilegalmente, lançou, com Bush, o mundo numa guerra. Que péssimo exemplo dá ao afirmar que faria tudo outra vez, disse Luis Portela, conforme a revista Visão da passada quinta-feira. Se fosse homem de remorsos o senhor Blair nunca teria feito o que fez. É gravíssimo tudo e ainda teima em vincar a importância do mal que fez!


ecos (nacionais) do papel

A semana foi dominada por dois acontecimentos muito empolados: as habituais queixas de Sócrates em relação a jornalistas e a putativa demissão do Governo. Dos problemas reais pouco se falou, escreveu Henrique Monteiro no Expresso. E são tantos os problemas que nos vão afectando a todos nós portugueses. É claro que é mais fácil pôr a culpa naqueles que estão mais à mão.


Porque será que, por razões que só os políticos conhecem (mesmo aqueles que já foram jornalistas), quando se está no governo se esquecem as proximidades que se foram fazendo aos jornalistas; quando o afastamento do poder impedia que certas portas se abrissem.



ecos (locais) do papel

Para Cristina Azevedo, a responsável máxima da Fundação Cidade de Guimarães, citada pelo O Povo de Guimarães da última sexta-feira, Guimarães, em 2020, “terá de ser uma boa cidade para se viver, as pessoas estarão em primeiro lugar, o conhecimento e a cultura serão para todos – Eu estava convencido de que já era assim. Mas aceito, e estou certo de que todos aceitaremos – mesmo aqueles que teimam em não querer ouvir as palavras de Cristina Azevedo –, que quanto mais a nossa cidade melhorar mais vaidosos nos sentiremos. E, afinal de contas, há muito que nos habituamos ao conhecimento e à cultura. A não ser que não nos dêem a informação toda e alguém fique com ela.

As Taipas, desde sempre, conservou o seu centro de peculiar aspecto e de uma harmonia urbanística que a tornava singular. Dizer isto, quer dizer que o centro das Taipas era distinto de outras terras e lugares, escreveu Manuel Ribeiro, na edição de fevereiro do Reflexo – É uma bela leitura. E uma excelente constatação. O romantismo e o bucolismo davam a Caldelas outro encanto, mas estou certo de que sem o trânsito no seu centro (excelente texto de Paulo Dumas no editorial da mesma edição do jornal) e com outras centralidades as coisas na vila de Caldas das Taipas serão bem melhores.


somos todos felizes!, mesmo o homem de peruca

Nunca devemos esquecer que nenhum homem pode fugir de si mesmo.

Johann Von Goethe


a grande dúvida da semana

Queremos que os alunos e os professores saibam exactamente o que tem de ser ensinado na sala de aula, desde o pré-escolar ao secundário.

Isabel Alçada, Visão, 10.02.04


olhar da semana

Além de uma reorganização do trânsito é urgente dotar o centro da vila de maior atractividade, com elementos âncora, fazer diminuir a prevalência do automóvel em detrimento de peão.

Paulo Dumas, Reflexo, fevereiro de 2010



confirmação da semana

Nos ideais da Oficina está definida uma ligação à comunidade. E quando se está a escrever textos em Guimarães, nos dias de hoje, isso cria uma ligação muito forte ao que se está a fazer.
Marcos Barbosa, O Povo de Guimarães, 10.02.05


frases da semana

Portugal tem um sistema político doente, fechado sobre si mesmo e à sociedade, autista.

Pedro Norton, Visão, 10.02.04


Os tempos estão maus, sim, mas não tanto que se possa usar o nome da liberdade para acabar com ela.

Fernanda Câncio, Diário de Noticias, 10.02.05


Quando um governo teme a liberdade está para morrer.

D. Carlos Azevedo, Correio da Manhã, 10.02.05



catálogo vivo

Os espelhos não prestam; não servem

para orientar o futuro. Sempre se vestiram de passado. A começar pelo intenso das imagens
que projectam. Mesmo que eu seja capaz de nascer a cada instante

o espelho não é capaz de entender. Quero lembrar tua voz, não como uma voz de anjo – que afinal nunca ouvi – mas como a tua voz. Melodiosa. E justa

Regresso a casa é sempre o fim de todos os heróis.

Perdi a vontade de vir à rua. As paredes de casa são cada vez mais o meu mundo. Não gosto, mas tu não apareces.


até já

1. O Tempo é um ditador que esmaga vontades, desejos e o corpo. Na maior parte da sua discreta, mas agressiva passagem por cada um de nós, lança mão da falta de tempo para nos obrigar a saltar para outras coisas. E para aquilo que tantas e tantas vezes nem nos passaria pela cabeça, uns tempos antes. Consagrando o tempo de forma diferente. Com acções mais prioritárias. Diferentes dos gostos –, mesmo daqueles que se cultivam ao longo de um longo tempo. É assim, afinal, o caminhar diário, o conduzir das manifestações de crescimento ou de mudança que caracterizam o ser humano. E a Humanidade que se arrasta ao sabor do que o Tempo impõe e quer.


2. Cada um de nós tem, para sobreviver e chegar com dignidade ao fim do seu tempo com o tempo em dia e em forma de felicidade, que se adaptar aos caprichos e necessidades do Tempo. Mas – tantas e tantas vezes –, a ditadura do Tempo obriga-nos a mudar de rumo! E a deixar de lado os gostos e os prazeres individuais.


3. Também eu, como criatura desta humanidade que consome o tempo e (quantas vezes sem dele tirar partido) me deixo – mesmo sem vontade – guiar por este senhor: o Tempo. Que sinto nos dias apressados que correm a impor regras e tempos que nunca imaginei. E prioridades. Por isso, também eu vou abdicando de prazeres e desejos. Também eu, afinal de contas, me sinto insultado no meu tempo pelo Tempo que tudo controla. E o pior! É que tenho que obrigar-me a ceder. Mesmo assim, pretendo que esta cedência ao tempo seja apenas e só temporária. Uma pausa e não uma paragem definitiva.


4. É verdade!, ao fim de sessenta e dois textos de colaboração, isto é, cerca de seis anos, com o jornal Reflexo o Tempo rasteirou o desejo e a vontade que tenho (e teimo em manter) de me manter ligado a um projecto jornalístico local que aprecio particularmente. Não só pela sua singularidade, mas principalmente pela forma como faz da proximidade com a realidade uma acção de envolvência quase colectiva de um conjunto importante de pessoas. E de uma região que, a pouco e pouco, foi seguindo atentamente o que o “espelho das Taipas” tinha para mostrar, primeiro em cada trimestre – foi aí que comecei pela mão do Alfredo Oliveira – e depois mensalmente.


Por aqui, quantas vezes com imenso sacrifício e ‘roubo’ de tempo a outros locais e pessoas, tanta e tanta gente continua a levantar o mais alto que sabe e é capaz o reflexo de um crescimento que a todos diz respeito. Os que fazem o jornal, os que o lêem e os que não têm tempo nem para o fazer nem para o ler.


5. Espero, sinceramente, que o tempo que se vem ausentando do meu ritmo diário volte. Depressa. Calmo e mais alentador. Quando esse tempo regressar, voltarei. Mas por agora terei que ficar por aqui.


É claro que me ausento com a certeza absoluta de que Caldas das Taipas e os taipenses continuarão a ser o espelho de uma região vimaranense de referência. De um centro (cada vez mais urbano que rural) de onde parte imensa vontade em superar certas barreiras do tempo. E o Reflexo sabe, tenho a certeza, dar voz a esses anseios e vontades.


texto publicado no reflexo de fevereiro


olhar citadino

rua de santa maria
Nas transições do velho para o novo, nas zonas-tampão entre o mais envelhecido e histórico e a novidade há sempre proibições. Bem visíveis. Nem sempre respeitadas, é certo, mas são interdições. O mal é que a sua sinalização é discreta. Enquadrada como se de um adorno se tratasse. Em alguns sítios até fica bem; noutros nem por isso, dá a sensação de que se trata de impedimento de colocar uma outra coisa, não é?


 
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©2010 um certo olhar é um espaço de casimiro silva