sábado, 31 de janeiro de 2015

Ideia do lugar II

Não há pior castigo do que estar a cair.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
Parece que o Quadrilátero Urbano do Minho será agora o quadrilátero de ouro.
Tomara! De projetos muito interessantes à total descoordenação entre os quatro municípios que compõem o projeto politico que junta as câmaras de Guimarães, Braga, Famalicão e Barcelos, era bom que percebêssemos o que, afinal, mudou.
Distração minha, de certeza!
Mas ouvir Domingos Bragança falar em necessidade de inteligência e a importância da união essencial leva-me aquilo que penso há muito da coisa. Aliás, Ricardo Rio, nem tão pouco o esconde. Mesmo que diga que aquela junção de interesses de quatro municípios “não é uma mera oportunidade de aceder aos fundos comunitários”.

Ah! Famalicão até já só manda vereadores às reuniões. Curiosamente Leonel Rocha não esconde ao que vai: o quadrilátero “tem grande futuro, queiram as autarquias”.
Não tem. Jamais será de ouro.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Ideia do lugar

O tempo corre. Graças a ele, em primeiro lugar, somos seres vivos, o que quer dizer: acusados e julgados.
Milan Kundera, A Festa da Insignificância
O presidente de câmara de Guimarães, Domingos Bragança, defende que o objetivo do executivo a que preside é que o concelho de Guimarães “seja referência para se viver a nível europeu”, ou seja, o que Bragança diz com todas as letras é que Guimarães tem que ter e ser “um território sustentável”.
É assim que a capital verde entra por terras de D. Afonso, por exemplo.
Sem medo das palavras e juntando ao “destino preferido”, já não restam dúvidas: Guimarães terá uma capital verde em grande.

Olhar do silêncio II

Diga o mal que quiser dos jornalistas, mas pense no que seria por exemplo o último ano sem jornais. O BES e a PT teriam adorado.
Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 15.01.24

Discreto, mas indispensável

Também entre as armas há diferenças, a uma metralhadora ligeira não lhe passa pela cabeça sentir-se ofendida por não competir com um canhão de tiro rápido.
José Saramago, in Alabardas
Quando li, na passada quinta-feira, dia 22, o título do jornal i – “espião apanhado a falar com Sócrates sobre bastidores do PS” – fiquei incrédulo.
Depois de ler com toda a atenção o texto que Sílvia Caneco assina fiquei mais calminho, mas ciente de que há coisas na política que – quando se tornam públicas e é tão raro, tão raro! – afastam os cidadãos dos partidos.

Não irei, agora e aqui, por esse caminho de afastamento dos cidadãos, mas registo o essencial da notícia: “Almeida Ribeiro, quadro do SIS e ex-estratego de Sócrates, foi chamado a conselheiro por Seguro. Por telefone fazia briefings ao ex-governante sobre o que se passava no partido”.
Não tenho vontade de fazer qualquer comentário. Mas continuo a admirar muito António José Seguro.

Ave em concurso

As moedas pequenas são fáceis e talvez não matem. O perigo são as moedas grandes.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
A câmara e Vizela, pela 12º vez, tem em curso o seu concurso literário. Este ano para “descobrir Vizela”.
Concurso que já foi, o ano passado, por exemplo, sobre o rio Vizela.
Gostaria muito de ver um conto sobre o rio Ave em concurso em Guimarães. Acredito que haveria textos extraordinários; muito para além do imediatismo que vai fazendo as noticias mais estranhas sobre uma realidade bela.

Sei lá! Do tipo, o rio Avenão é, há pelo menos dezasseis anos, o rio mais poluído da Europa.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Enredo escasso

Dizem-me que sim e cumprimentam como se tivessem braços, vejo-me a cumprimentar centenas de pessoas sem braços e como abanamos as duas mãos.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
foto:euacontacto.com
Para pensar:
Metade dos desempregados sem qualquer subsídio.
Título do Jornal de Noticias, 15.01.24
Eis, pois, mais um dado para a diminuição do desemprego em Portugal.
Muito bem!

O sono, a ilusão e o apagar de todos os amanhãs continuam.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Jantar com aperitivo

Repugno a vida real como uma condenação; repugno o sonho como uma libertação ignóbil.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto:article.wn.com
1. O presidente de junta de Caldelas concede uma entrevista ao jornal taipense Reflexo (janeiro 2015) que, podendo parecer, de repente, o contrário, não traz nenhuma novidade. A ninguém. Nem a ele que já não sabe bem onde está a porta do futuro. É o mesmo estilo caceteiro de sempre – ainda que tente criar a ilusão, agora que em Santa Clara há outros protagonistas, de que tudo já é diferente; a seu bel-prazer. Repare-se nesta abertura de cordeiro de Constantino Veiga: “após a entrada do novo presidente da câmara municipal de Guimarães havia uma perspetiva mais otimista, pois o anterior não me entendia”. E o presidente de junta da vila termal tenta adoçar a pílula que pretende oferecer a Domingos Bragança: “é justo que se diga que logo que assumiu a presidência, houve da parte dele uma intenção, que julgo continuará a existir, de investir nas Taipas”. Para, mais à frente, fazer de conta que tudo é (será) diferente: “confio muito no atual presidente, o tempo de remar cada um para o seu lado já acabou”.

2. E já com a conversa em velocidade de cruzeiro, Constantino tenta atirar umas casquitas, das que fazem escorregar qualquer cidadão distraído: “não estando mandatado para representar a ADIT (Associação Para o Desenvolvimento Integrado das Taipas), penso que o presidente da câmara de Guimarães vai ter olhos também para esta instituição, que está a ter um ato de coragem”. Ou de raspão: “o que estão a fazer nas termas é a morte certa dessas pequenas clínicas de fisioterapia. Não percebo como é que aquilo que lá está vai dar rendimento, como o caso dos sabonetes”. Ou ainda: “a prenda que pedia para o novo ano é que os taipense se unissem e deixassem de pensar no partido, nas questões partidárias e se juntassem aos projetos da junta para podermos levar isto por diante”. Se eu fosse taipense oferecia um jantar a que for capaz de entender o que vai na cabeça do autarca da vila termal.

3. Nesta entrevista ao jornal dirigido por Alfredo Oliveira fica bem claro que Constantino Veiga faz de conta que aprendeu a ser um autarca que escuta: “o papel que a oposição desempenha está mais maduro. Nós também sabemos como isto funciona: hoje é uma coisa, amanhã é outra”. Pois é! Se o mandato em curso não fosse o último…

4. Ah! para quem quer uma Caldelas em paz e uma vila de Caldas das Taipas a olhar no futuro esta é uma entrevista para esquecer. Já. Antes que o jantar seja servido.

Criar a partir do caos


Leitores gostavam da newsletter matinal do David Dinis do Observador porque era novidade mas agora já denunciam como spam todas as newsletters matinais.
O Inimigo Público, 15.01.23

Nota de rodapé: se um anjo não tem sexo, não nasceu de um ventre de mulher. (Milan Kundera, in A Festa da Insignificância)