sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Execução sumária

Faz sentido beneficiar as famílias que ganham mais e as empresas que lucram no mesmo orçamento em que se corta metade dos apoios aos pobres?
Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 14.10.18
foto: www.ntgospel.com
Que pergunta!
E quando, infelizmente, nos dá tudo para vincarmos estas palavras de Fernando Madrinha (Expresso, 14.10.18) – “a mais importante reforma do Governo é o sorteio dos automóveis das Finanças” –, nos leva a perceber bem depressa que há no governo de Pedro e Paulo quem faça de conta que sabe governar; que naquela espécie de governo onde até a estúpida estupidez que coloca professores onde, de seguida, o engano os atira para as cercanias de uma outra terrinha deste país, sem “rei nem roque”, onde até uma criança da primária – ainda será assim que se diz depois de tantas e tantas alterações de Crato? – percebe que o que ontem era uma bela realidade, hoje é uma valente dor de cabeça; estamos falados.

Com as dores que não param da matar a alma, até me perdi no raciocínio.
Perdão!
Socorro-me, por instantes, das palavras de Manuel Carvalho da Silva (Jornal de Noticias, 14.10.18):”a União Europeia impõe-nos graves condicionalismos, mas o OE 2015 não tinha que ser seguidista”.

A seguir, havemos de perceber que “basta o orçamento para ficarmos deprimidos”. Mesmo que, afinal, o OE ”seja uma pequena gota num mundo carregado de tempestades e com promessas de algo assustador” (Henrique Monteiro, Expresso, 14.10.18).

E quando lemos Manuel Carvalho da Silva (Jornal de Noticias, 14.10.18) “o OE para 2015 é, sem dúvida, o Orçamento da continuidade de estéreis políticas de austeridade e da confirmação de que este Governo impôs e continuará a aprofundar”.
Ou o Editorial do Público, 14.10.17: “numa altura em que a carga fiscal suportada pelos portugueses está em máximos históricos, é quase de mau gosto subir mais impostos, sejam verdes ou de outra cor qualquer”.

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Silêncio, por favor! Está aí a RUM

foto: comumonline.pt
Das notícias que mais gostei de ver estampadas em letra de forma, nos últimos dias, confesso sem medo das palavras, esta foi uma das que mais me animou:
RUM inaugura estúdios na cidade de Guimarães”.

Não cito a fonte porque ela esteve na imprensa nacional. Repito, na imprensa que importa valorizar, porque é a única que valoriza o que alguns teimam em ignorar ao nível local.
Nas bodas de prata (mais alguns anos de uma coisa linda com um nome todo pomposo – Centro Experimental Radio Universitário –, ou seja, 30 anos de Rádio Universitário do Minho), só posso dizer: obrigado.

Ah! foi bom ver aquele espaço maravilhoso e poder conhecer os donos das vozes que ouço há tantos anos.

Olhar do silêncio III

Há de existir um país que não é feito de fortes contra fracos, de funcionários públicos contra privados, de velhos contra novos e agora de solteiros contra casados.
Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 14.10.18

Ecorâmicas a vibrar

Quinta-feira. Em Guimarães é (quase) sempre dia de cinema. Hoje também. Com uma ligeiríssima diferença. O filme em exibição não é um qualquer filme (e desde quando o Cineclube de Guimarães passa um qualquer filme?), mas é o filme que abre as Ecorâmicas 2014.
Ecorâmicas? Que treta vem a ser isso?
Ora; ora! Quem é que anda suficientemente distraído para não ser capaz de ver o lixo ao espelho?
Lixo ao espelho ou o espelho do lixo?
Tretas; tretas. A realidade do espelho de cada um de nós é o lixo que empurramos para debaixo do tapete; para bem longe do nosso comodismo.
Ai é isto o Ecorâmicas?!
Não; era o que faltava!, mas elas fazem-se de muito cinema. De hoje até domingo não faltam filmes que nos dão murros no estômago; naquele estômago com que alimentamos a nossa indiferença.
E depois?
Bom, são tantas as coisas lindas que o melhor é passar pelas oficinas temáticas, pela ecofeira ou tão só, pelas exposições. Ah! há muita música e tantas intervenções!
Outro ah! As Ecorâmicas são uma teimosia da AVE (que nome estranho numa cidade que se farta de atirar tudo para o rio!).

Nota final: quem não for capaz de passar pelo auditório da Fraterna, ali em Couros, ou pelo jardim da Alameda, sim, sim, no coreto, tem medo de confessar os seus pecados ambientais diários.

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Olhar do silêncio II

foto: diariodigital.sapo.pt
As condenações de Portugal pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem por os nossos tribunais negarem aos portugueses o direito à liberdade de expressão já quase não são notícia. São um hábito. Triste, é certo, mas rotineiro.
Francisco Teixeira da Mota, Público, 14.10.17

Coragem assumida

[a casa mortuária] Vai-se fazer com a ajuda da câmara. Tenho esse compromisso da câmara. Se não cumprir, não terei coragem de continuar por cá.
António Carvalho, presidente de junta da União de Freguesias de Airão Santa Maria, Airão S. João e Vermil, Repórter Local, outubro 2014

Comentários?
Apenas um. A capacidade de fazer o que se promete só está ao alcance de alguns!
Boa António Carvalho.

Ligações intestinas

Médicos obrigados a picar o ponto esquecem a máquina do ponto no interior de pacientes.
O Inimigo Público, 14.10.17

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Reitor dos reitores

foto: lusonoticias.com
Escreve Samuel Silva (Público, 14.10.15) que “nos próximos três anos [António Cunha] será o reitor da Universidade do Minho e líder” do conselho de reitores das universidades portuguesas (CRUP).
E como se reage a coisas lindas como esta?
Por mim, limito-me a ser o mais direto e natural possível: gostei muito de o conhecer. Cumprimentos magnifico reitor! E felicidades.

Ah!, sabe senhor reitor que sou dos que acredito que tem toda a razão quando afirma que “o nosso problema não é ter instituições a mais, mas estudantes a menos no ensino superior”. (Expresso, 14.10.18)

Energia dos outros

O Cineclube de Guimarães foi fundado em 1958, numa época de particular fulgor associativo vivido na cidade de Guimarães. A cultura e a arte, popular e erudita, conheceram então um momento invulgar.
Editorial, Boletim de outubro do Cineclube de Guimarães.
Outros tempos!
Tempos em que a motivação que fazia milagres estava muito atrás das luzes da ribalta, dos dias que se perdem em vaidades e foguetórios.

Outros tempos!
Tempos que eram capazes de desmentir em absoluto o pensamento de António Pinto Ribeiro (Ípsilon, 14.10.10): “no atual ambiente global, a propaganda é o meio de surfar o mundo em direção a um futuro para o qual só existe uma via: consumir (ou desparecer)”.

António Pinto Ribeiro sabe bem do que fala. Já vimos isso em Guimarães, não vai há muito tempo, escutando a sua leitura sobre o que resta da CEC.
Mesmo que, na altura, um senhor, de seu nome Eduardo Meira, fizesse de conta que fazia inflexões sobre realidade associativas para dizer o que ninguém entendeu; para justificar o injustificável.

Peço desculpa! Estava a olhar atentamente o editorial do boletim do Cineclube; associação onde não se brinca, nunca com o futuro.

Olhar do silêncio

Bem pode Stephen Hawking dizer que Deus não faz falta; não tem razão. Faz falta algo em que possamos acreditar de forma a ter esperança, esse sentimento imaterial que nem Hawkins nem ninguém explicou o que é.
Henrique Monteiro, Expresso, 14.10.18
foto: dn.pt
Nota de rodapé e contra o meu habitual: “os alemães adoram estar perto da porcaria, mas não se querem sujar”. (Michael Lewis, Revista, 14.10.11)

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Olhar (local) do silêncio

O que marca o primeiro ano da gestão municipal de Domingos Bragança e do PS é a mudança de estilo.
Torcato Ribeiro, Mais Guimarães, outubro de 2014

Borrifemo-nos, pois?

Há 1.193 idosos em Guimarães sinalizados depois de 809 visitas sociais depois do primeiro ano do programa 65 +”, diz-nos alguma imprensa – outra vez só alguma!
E, segundo essa mesma imprensa, o programa Guimarães 65+, da responsabilidade da câmara de Guimarães, é um sinal claro de que a autarquia vimaranense não faz de conta – ou está à espera de levantar bandeiras sobre placas vaidosas ou gravatas compradas à pressa para as fotografias –, como certos donos dos dinheiros públicos que estão sempre prontos a sorrir à pobreza e às necessidades dos mais fracos. Mesmo, mesmo aqui à porta!

Acredito que, depois da sinalização dos mais idosos de Guimarães, e principalmente das suas dificuldades, estes terão dias bem melhores. Dias com menos solidão. Dias onde a vontade de viver seja uma vontade feliz.

Importa-se de repetir

Eu sei que a esmagadora maioria das pessoas acha que o dinheiro da câmara não é de ninguém ou que pertence a uma entidade que não lhes diz nada respeito.
Manuel Ribeiro, Reflexo, outubro 2014

domingo, 19 de Outubro de 2014

Desfazer um mundo de rituais

Só será verdadeiro revolucionário aquele que vende o último dos medos: o da morte.
Soeiro Pereira Gomes, in Mais um herói
Paciência de santo e nervos de aço, dizia-me uma pessoa de quem não duvido nem um pouco, é um excelente amigo, são os argumentos principais para suportar, compreender e estar ao lado dos políticos.

             (Às vezes, muitas vezes, voltar a estar integrado ou por dentro do fenómeno                      político lembra-nos que nem todos temos nervos de aço e muito menos paciência              de santo.)

Escutar (não, não é ouvir) alguém ao nosso lado inquietando-se com o que se passa à nossa volta; tentando antecipar-nos que podemos voltar ao sítio onde fizeram questão de nos ignorar, não é uma boa experiência de alma. É algo que não entra na forma mais humanista de estar na vida.

E por uma razão de lana-caprina: quem está connosco está sempre e não quer peões para momentos muito concretos.

                    (Às vezes, muitas vezes, voltar a estar integrado ou por dentro do fenómeno                      político lembra-nos que nem todos temos nervos de aço e muito menos                              paciência de santo.)

corpo da verdade

foi rápida a noite; não senti
o ritmo quente da escuridão. o calor
evaporou-se
sem passar no corpo. madrugada
bem alta. corri em frente. um chão
escaldante. viagem rápida.

no regresso ao leito
a espera. ainda quente. o sono
evapora-se. também. o corpo
ilude o relógio: descansa.

foi tão rápido o corpo
já ressuscitado entre seitas
usurpadoras da verdade absoluta.